Magdalena Wosinska para The New York Times
Magdalena Wosinska para The New York Times

Conheça Billie Eilish, a nova estrela do pop sem um grande hit

Em vez de um megassucesso, ela tem oito canções com mais de 140 milhões de ouvintes no Spotify

Joe Coscarelli, The New York Times

10 de abril de 2019 | 06h00

LOS ANGELES - Antes mesmo de completar 17 anos em dezembro do ano passado, a cantora Billie Eilish tinha alcançado quase todos os pré-requisitos modernos de uma estrela do pop. Suas canções caseiras, compostas em parceria com o irmão mais velho, foram tocadas mais de um bilhão de vezes nas plataformas digitais; ela fazia apresentações esgotadas para fãs cada vez mais numerosos e dedicados (com os pais na plateia, acompanhando pacientemente); e chegou à marca de 15 milhões de seguidores no Instagram.

Muitos dos fãs dela já começaram a adotar o chamativo visual da cantora: olhar de quem vai morrer de tédio, cabelo pintado de azul e roxo, roupas largas que escondem a silhueta. A mera presença dela faz algumas adolescentes perderem o fôlego - e gastarem centenas de dólares em produtos licenciados e criados por Billie. O que a cantora não teve nesse período foi um grande sucesso ou lampejo momentâneo de hiperexposição - coisa que, para seu crédito, ela nem precisou.

Somente agora, três anos depois de a indústria ter descoberto o som dela, a cantora se dedicou ao lançamento do álbum de estreia. When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, lançado em 29 de março, deve consolidar a reputação dela enquanto estrela da indústria musical do século 21 que encarna todo o potencial criativo e comercial da cultura jovem online. Pode também fazer dela uma artista conhecida por todos.

Dave Grohl, cujas filhas são obcecadas por Billie, só conseguiu compará-la à sua antiga banda: “O que está acontecendo com ela é como o que ocorreu com o Nirvana em 1991", disse ele recentemente a uma conferência da indústria musical, citando o som de Billie, difícil de categorizar, como prova de que “o rock ’n’ roll está longe de morrer". O produtor Timbaland, conhecido pelo trabalho no hip-hop, declarou que o ano atual e o seguinte podem ser dela.

Billie está construindo seu próprio universo para os fãs por meio de uma enxurrada de canções, vídeos, publicações nas redes sociais e eventos. Ela mistura a maioria das ideias do século que fizeram sucesso primeiro na internet - batidas de música eletrônica, confissões íntimas de garota deprimida, versos casuais de um rap para a plataforma SoundCloud - em uma fusão empolgante que desafia os limites de gênero e logo conquista lugar nas playlists, um som que lembra o pop e o hip-hop. Em vez de um grande sucesso, ela tem oito canções com mais de 140 milhões de ouvintes no Spotify.

As canções são compostas e produzidas por Billie e seu irmão Finneas, 21 anos. Eles gravam quase exclusivamente em seus quartos, perto dos pais, os atores Maggie Baird e Patrick O’Connell. Depois que Finneas recrutou Billie aos 13 anos para cantar “Ocean Eyes", canção que ele tinha composto, os irmãos divulgaram a música no SoundCloud para que a professora de dança de Billie criasse uma coreografia, mas o som decolou, impulsionado por remixes extraoficiais e a magia dos algoritmos.

Ainda que o timbre de sua voz soe puro, os temas das letras são deprimentes e sombrios - assassinos em série, pessoas dominadoras, monstros sob a cama. Nos vídeos, ela já apareceu com líquido preto escorrendo dos olhos, com uma tarântula no rosto, e sendo atacada com agulhas por mãos avulsas, lembrando artistas chocantes como Nine Inch Nails e Marilyn Manson em vez de cantoras pop como Taylor Swift ou Katy Perry.

Ainda assim, a maior parte do público dela ainda é formada por meninas. “Xanny", do álbum de estreia, que fala da droga preferida da geração SoundCloud - benzodiazepina e opioides (no caso, xanax) - com desdém e preocupação: “Não preciso de um xanny para me sentir melhor", canta ela. “Não me dê xannys, nem hoje nem nunca.”

Mas, com a crescente fama vem uma atenção mais minuciosa, como ela descobriu ao lançar “Wish You Were Gay" (letra: “Quando for explicar sua falta de interesse/não diga que não faço seu tipo/diga que não é hétero”). “Pensei que ninguém interpretaria isso como algum tipo de insulto", disse ela. “Mas entendo que o verso pode ofender os mais sensíveis.” Billie disse estar se esforçando para viver o presente e manter a perspectiva para o futuro. “Estou percebendo que o momento atual é o meu momento de brilhar. Esses são os velhos tempos dos quais terei saudade.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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