Eric Ryan Anderson para The New York Times
Eric Ryan Anderson para The New York Times

Conheça Marc Martel, o dublê vocal de Freddie Mercury

O músico nunca imaginou que a semelhança de sua voz à do líder do Queen o levaria a dublá-lo em 'Bohemian Rhapsody'

Gavin Edwards, The New York Times

08 de março de 2019 | 06h00

Há três coisas que Marc Martel diz que não faria no papel de Freddie Mercury. Não vestiria a jaqueta amarela que era a marca registrada do astro. Não empunharia a metade do microfone na pose favorita de Mercury. E não usaria um bigode enorme.

A única coisa que Martel precisou fazer foi abrir a boca. O cantor de 42 anos é o dublê do vocalista da banda Queen. Foi o dom que levou Martel, ex-líder de uma banda cristã do Canadá, a uma segunda carreira lucrativa - e a um papel de destaque, porém invisível, em sua biografia, Bohemian Rhapsody, um grande sucesso.

Não é esta a vida que Martel planejava, mas ela o colocou diante de multidões, de milhares de fãs mundo afora. "Fico pensando na situação estranha em que estou", disse Martel. "Agora, tento manter a cabeça no lugar".

Rami Malek personifica Mercury na tela. "Mas ninguém quer me ouvir cantar", disse o ator ao Times no ano passado. Nas sequências de sua performance nos palcos em Bohemian Rhapsody, o filme às vezes usou os vocais de arquivos da banda Queen, mas esta nem sempre era uma solução prática - algumas cenas exigiam um dublê com cordas vocais que funcionassem. Os realizadores do filme admitiram que os vocais no filme são em grande pare de Mercury e de Martel, embora não tenham especificado quem contribuiu com o quê.

Martel cresceu em Montreal ouvindo música pop e cristã. Ele começou com uma banda de rock cristã chamada Downhere com alguns amigos. Em 2001, eles assinaram um acordo de gravação e se mudaram para Nashville. Martel acredita que a primeira pessoa que observou que ele tinha a voz parecida com a de Freddie Mercury foi o baixista da Downhere, Glenn Lavender.

Era um elogio, considerando que Mercury foi um dos maiores cantores da história do rock, com um alcance de três oitavas e uma qualidade operística que faria hinos ao prazer de andar de bicicleta soarem carregados de emoção. Mas Martel não o tomou como um elogio.

"Tudo bem - eu não sou original", lembra de ter pensado. Mas analisou os maiores sucessos da banda Queen, na esperança de aprender alguma coisa com Mercury (que morreu em 1991 de pneumonia em decorrência da Aids). "Nunca pensei que isso renderia mais do que uma brincadeira de karaokê".,

Martel se parece a tal ponto com Mercury que pode destacar diferenças sutis. "Não sou britânico, portanto, em geral, não canto com sotaque. Não tenho dentes extras como ele, logo, o meu S sai normalmente - os seus eram muito sibilantes", observou. "Mas mesmo que eu não tente cantar como Freddie Mercury, as pessoas ainda conseguem ouvi-lo na minha voz, não importa o que eu faça".

Ele agora faz turnês com sua própria Ultimate Queen Celebration e também faz shows com a Black Jacket Symphony e a Symphonic Queen. No ano passado, lançou um álbum de covers da Queen, Thunderbolt & Lightning, e tem concertos marcados em 14 países este ano.

Embora a banda Queen tenha feito parte de sua vida por quase dez anos, Martel ainda está descobrindo "o que significa ser um artista de um tributo póstumo", falou. "Há todo um estigma nisso".

Martel ainda compõe músicas, mas sonha com o dia em que poderá colocar ao menos um original em um conjunto de covers da Queen. Ele lembrou de uma conversa recente com seu empresário, que lhe disse: "Gostaria que você pensasse na possibilidade de compor como eu vejo o meu jogo de golfe - adoro jogar golfe, mas não é o que paga as minhas contas, pelo menos agora". Foi difícil de ouvir, mas, no fim, Martel aceitou a realidade da situação.

"Nos próximos cinco anos, haverá um monte de Queens. Enquanto isso, vou melhorar o meu jogo de golfe".

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