Adrian Dennis/Agence France-Presse --Getty Images
Adrian Dennis/Agence France-Presse --Getty Images

Consumo de sorvete pode estar ameaçado em Londres

Sorveteiros não conseguiram escapar da 'fiscalização verde' londrina

Anna Schaverien, The New York Times

22 de junho de 2019 | 06h00

LONDRES - Há poucos sinais mais inequívocos da chegada do verão na Grã-Bretanha do que as musiquinhas da van dos sorvetes. Mas talvez daqui em diante os londrinos tenham dificuldade para comprar sorvete em um dia quente, por medo de que a poluição  dos motores a diesel das vans ponha em risco a sua vida. As Câmaras Municipais da capital ameaçam proibir as vans de sorvete que não respeitarem o meio ambiente. “Ninguém quer adquirir uma asma junto com o sorvete”, disse em maio Caroline Russell, membro do Partido Verde da Câmara de Londres.

A questão da toxicidade do ar atormenta Londres há anos, como mostram os cálculos, segundo os quais mais de nove mil londrinos morrem por ano em razão de uma longa exposição à poluição. As questões ambientais sempre estiveram em primeiro lugar na agenda política da Grã-Bretanha. 

Em abril, as autoridades impuseram uma tarifa aos veículos mais velhos e poluidores no centro da cidade. Embora os britânicos considerem as músicas alegres dos carros de sorvetes uma das lembranças mais felizes da infância, os sorveteiros não conseguiram escapar da fiscalização verde.

Segundo os donos destes veículos tradicionais, a preferência dos britânicos pelo sorvete é uma das causas do problema da poluição pelo diesel. Os refrigeradores das vans podem operar com o motor desligado, mas as máquinas que bombeiam o sorvete precisam da energia do motor para funcionar.

“Precisamos ter consciência das consequências do diesel”, disse Amy Rudgley, 25, proprietária da Fat Cows Ice Cream.”Mas  também ter em mente o quadro maior do que apenas as vans do sorvete”, acrescentou. Ndue Meli, 45, reiterou a sua queixa durante uma pausa em uma rua do centro da capital.

O seu veículo, pelo qual pagou 100 mil libras (US$ 130 mil), atende às mais recentes normas estabelecidas pela União Europeia sobre as emissões, afirmou. “A minha van não queima muito combustível”, explicou. “Eu vejo táxis pretos, ônibus de turistas e ônibus de transporte público queimando combustível. Mas as autoridades municipais colocam todos no mesmo barco”.

Enquanto Londres busca fórmulas para reduzir a poluição atmosférica causada pelos veículos a diesel, uma solução apresentada é a instalação de pontos de recarga elétrica nos parques e nos locais mais frequentados, permitindo que as vans desliguem os seus motores  e só utilizem a eletricidade para as suas maquinas funcionarem.

A estratégia foi aprovada pelo órgão setorial da industria de sorvetes, a Ice Cream Alliance, em lugar da proibição total. ”Existe o perigo de as vans do sorvete desaparecerem das nossas ruas para sempre”, comentou Zelica Carr, diretora executiva da Ice Cream Alliance.

Ansiosa por salvar esta atividade da extinção, uma fabricante de vans de sorvetes, a Whitby Morrison, informou que apresentará um sistema totalmente elétrico até o final do ano. “A van do sorvete é uma tradição inglesa”, disse Ed Whitby, o diretor de operações da companhia. “É um ícone da nossa infância. Gostaria de vê-la como parte da vida das próximas gerações”.

Lambeth e Islington, dois bairros centrais de Londres, já instalaram pontos de recarga em parques locais. No meio tempo, Hammersmith e Fulham Council em West London, que quer tornar-se o bairro “mais verde” da Grã-Bretanha, adotaram uma solução diferente.

Um vendedor de sorvetes sem licença que mantinha o motor diesel ligado o dia todo na saída de uma estação do metrô nessa área, recentemente foi convencido pelo conselho a trocar a sua van por um triciclo elétrico. Resta ver se o som de um triciclo vendendo sorvete passando pela rua conseguirá despertar a mesma nostalgia. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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