Manan Vatsyayana/Agence France-Presse — Getty Images
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Patrick Scott, The New York Times

04 de março de 2020 | 06h00

HO CHI MINH, VIETNÃ - A floresta de bambu de Arashiyama, um dos locais mais visitados de Kyoto, no Japão, estava quieta o suficiente para se ouvir o bambu rangendo ao vento. Pairando sobre a ilha de Lantau, os carros teleféricos do Ngong Ping, em Hong Kong, estavam imóveis e vazios.

A multidão de turistas que lota a Ponte das Lanternas na cidade antiga de Hoi An, no centro do Vietnã, havia desaparecido. E, em Siem Reap, lar das antigas ruínas de Angkor Wat, no Camboja, o sempre movimentado Sala Lodges não recebia novas reservas havia semanas.

A epidemia de coronavírus está afetando o turismo global, que, de acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, contribuiu com US $ 8,8 trilhões para a economia mundial em 2018. Alguns economistas dizem que a epidemia pode ser o maior obstáculo ao crescimento econômico global desde a crise financeira.

As companhias aéreas, por exemplo, esperam perder cerca de US $ 29 bilhões em receita este ano. Empresas aéreas, hotéis e operadoras de turismo estão sofrendo com cancelamentos e quedas nas reservas chinesas, mas também com viajantes ocidentais assustados diante da propagação do vírus.

Espera-se que países que dependem muito do turismo chinês, como Vietnã, Tailândia, Camboja, Malásia e Cingapura, percam pelo menos US$ 3 bilhões em receitas relacionadas ao turismo, de acordo com uma análise de Animesh Kumar, diretor de viagens e turismo da GlobalData, uma empresa de consultoria com sede em Londres.

As perdas acentuadas se devem sobretudo à ausência de turistas chineses, mas também ao fato de que alguns “turistas de outros países ficam apreensivos com a ideia de viajar para qualquer lugar perto da China”, escreveu ele. Os viajantes chineses fizeram 150 milhões de viagens ao exterior e gastaram mais de US$ 277 bilhões em roteiros internacionais em 2018, números sem precedentes. As viagens se interromperam quando a epidemia de coronavírus levou o governo a impedir que grupos de turistas viajassem para o exterior e dezenas de transportadoras internacionais suspenderam voos para a China.

Em Hong Kong, pontos turísticos administrados pelo governo, como o Museu de Arte de Hong Kong e o parque temático de vida marinha Ocean Park, foram fechados. A Art Basel Hong Kong foi cancelada. Em Siem Reap, destino turístico mais frequentado do Camboja, o aeroporto estava assustadoramente vazio.

Fabien Martial, proprietário do Viroth's Hotel, que tem 35 quartos, disse: “Durante o Ano Novo Chinês, 70% de nossos clientes são da China, mas este ano todos cancelaram a estadia”. “Como empresário do setor hoteleiro aqui, já passei pela SARS, pela gripe aviária e por turbulências políticas”, acrescentou Martial. “Aprendi a ser paciente e a aguentar firme. O turismo e os negócios vão voltar”.

Na Tailândia, que recebe, de longe, o maior número de turistas chineses no sudeste da Ásia, com mais de 10 milhões em 2018, o Platinum Mall em Bangkok está sempre movimentado nesta época do ano, disse Siriwan Saensuwan, 65 anos, vendedora de roupas. Mas agora, disse ela, “está tudo quieto, parece um cemitério”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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