Netflix, via The New York Times
Netflix, via The New York Times

Criador de 'Os Simpsons' lança nova série de animação na Netflix

'(Des)encanto' é inspirada em franquias como 'Game of Thrones' e 'O Senhor dos Anéis'

Dave Itzkoff, The New York Times

14 Setembro 2018 | 15h30

SANTA MONICA, CALIFÓRNIA - Falando como alguém que criou dois programas de grande sucesso na TV e agora apresenta sua terceira série, Matt Groening tem alguns conselhos para garantir o sucesso na apresentação de uma ideia.

"Basta dizer,'é como uma mistura entre Os Simpsons e qualquer outra coisa' ou 'é uma mistura entre qualquer coisa e Game of Thrones e o programa será produzido", comentou Groening.

Groening estava nos convidando para conhecer seu novo programa, (Des)encanto, lançado pela Netflix no dia 17 de agosto. A mais recente série do animador certamente compartilha da sensibilidade satírica e do traço curvilíneo que se tornaram marcas de Os Simpsons, sua longeva comédia da Fox que deve estrear sua 30.ª temporada ainda este mês. Mas, ainda que a ação se passe num reino medieval de feiticeiros e dragões, o programa não é exatamente a resposta de Groening a Game of Thrones.

(Des)encanto assemelha-se mais a um cômico amálgama de franquias de fantasia como O Senhor dos Anéis e os épicos animados de Hayao Miyazaki. É também o primeiro programa criado por Groening para um serviço de streaming - os dez primeiros episódios podem ser consumidos numa maratona de cinco horas - e, consequentemente, o primeiro a ter uma narrativa sequencial.

"Faz 30 anos que trabalho com animação em séries de periodicidade semanal para o horário nobre", disse Groening. "Para criarmos um conjunto de episódios que ficam disponíveis ao mesmo tempo, é necessário contar uma história maior. E foi um processo muito divertido. Dito isso, foi também uma espécie de tortura".

Para Groening, parte do desafio de criar (Des)encanto tem sido ajustar a narrativa ao gosto e ao ritmo da televisão contemporânea, que mudaram bastante desde o lançamento de Os Simpsons.

Em seu escritório, em junho, Groening, 64 anos, estava ansioso para mostrar um laptop desgastado no qual ele vem registrando há oito anos as ideias para (Des)encanto: linhagens de famílias reais fictícias, listas de mais filmes que podem ser imitados (A princesa prometida, Jabberwocky - um herói por acaso) e rascunhos de uma criatura engraçada chamada Elfo que ele diz desenhar desde o quinto ano do ensino fundamental.

Groening transformou (Des)encanto numa série a respeito das desventuras de uma princesa rebelde (dublada no original por Abbi Jacobson, de Broad City), o já citado elfo (voz de Nat Faxon) e um demônio (Eric Andre).

Embora cada episódio de (Des)encanto conte uma história completa, segundo Groening, cada detalhes está ligado a outros detalhes, e os mais atentos serão recompensados. 

"Há cenas logo no começo - dicas e pequenas surpresas escondidas - que espalhamos por aí para os fãs mais interessados", comentou.

Para construir e povoar os reinos interligados da série, Groening contou com a ajuda de alguns colegas de confiança. Josh Weinstein, principal responsável por (Des)encanto, já comandou anteriormente Os Simpsons e trabalhou como produtor da série de ficção científica criada por Groening em seguida, Futurama, que teve sete temporadas transmitidas pelos canais Fox e Comedy Central.

Justin Roiland, cocriador da série de animação Rick e Morty, da Adult Swim, disse que, quando Os Simpsons estão em seus melhores momentos, os personagens são mais importantes que as piadas.

"Quando assistimos às primeiras dez ou 15 temporadas, percebemos o investimento feito no desenvolvimento desses personagens. A equipe não sacrificava a integridade de um personagem em nome de alguma piada. Havia momentos de surpresa: 'Uau, esse desenho conseguiu me emocionar'".

Groening disse que seu interesse na criação de (Des)encanto veio do desejo de tentar algo novo. "Queria testar a ideia de uma ambientação diferente", disse.

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