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Criatura marinha domina propulsão a jato

Graças a esse tipo de movimentação, os nautiloides são capazes de navegar com eficiência no fundo dos oceanos

Veronique Greenwood, The New York Times

09 Abril 2018 | 10h15

Como um minúsculo submarino, a câmara do nautiloide acelera pelo oceano em pequenos jatos que cria sugando a água e cuspindo-a.

No entanto, como forma de movimentação, a propulsão a jato não costuma ser um bom uso de energia. Nas profundezas do oceano, onde o oxigênio fica rarefeito, o nautiloide parece se colocar em risco ao gastar tanto esforço no movimento. Os peixes usam muito menos energia, empurrando a água com suas barbatanas. Então, como ele consegue ficar ileso nas profundezas do oceano?

Graham Askew, professor de biomecânica da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, em parceria com um estudante de pós-graduação, Thomas Neil, se empenhou para entender melhor como esse molusco se move. Eles descobriram que o nautiloide é, na verdade, uma criatura altamente eficiente movida a jato, que desperdiça muito menos energia do que organismos marinhos como lulas ou água-vivas que circulam de maneira semelhante.

Os pesquisadores começaram seu estudo, publicado na revista acadêmica Royal Society Open Science, espalhando generosamente minúsculas partículas flutuantes de óxido de alumínio em um aquário. Então, um a um, eles colocaram cinco nautiloides no tanque e esperaram que os moluscos se movimentassem.

Então, usaram câmeras de alta velocidade, um laser que iluminava as partículas e o software que podia registrar os movimentos das partículas. Na constelação de partículas, eles viram os animais sugando a água e, em seguida, forçando-a na direção em que estavam se afastando, com a bolsa de água expelida e o nautiloide se afastando em velocidades que eles poderiam calcular prontamente.

Quando eles analisaram os números, os pesquisadores viram que o nautiloide era capaz de usar de 30% a 75% da energia que transferiu para a água para se mover.

Isso foi muito superior aos outros nadadores similares. "As lulas tendem a ser cerca de 40% a 50% eficientes", disse Askew.

As água-vivas, que pulsam seus sinos para esguichar água, também tendem a ter menos de 50% de eficiência.

Em geral, mover volumes muito grandes de água de forma relativamente lenta, como a cauda de um peixe ou as nadadeiras do mergulhador, desperdiça menos energia do que ter que acelerar rapidamente quantidades muito pequenas. Mas os nautiloides descobriram claramente uma maneira de tornar isso mais viável.

Segundo Askew, parece que quando estão sugando a água, o fazem em uma ampla corrente, em vez de optarem por uma corrente mais reduzida que demandaria mais energia. E eles gastam mais tempo jorrando do que se reabastecendo em certos cenários de natação, aspirando suavemente o fluido que já beberam.

Essas estratégias podem estar contribuindo para sua capacidade de nadar de forma eficiente, sobrevivendo a situações em que o jato mais vigoroso poderia causar problemas, como no oceano profundo com baixo oxigênio.

No entanto, para mais detalhes sobre as estratégias de sobrevivência do nautiloide, os fãs da criatura terão que procurar pesquisas de outros grupos. Askew e seus colegas, desde então, voltaram seu foco - e sua câmera de alta velocidade - para o choco, a fim de aprender mais sobre como esses nadadores se movem.

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