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Akos Stiller para The New York Times
Akos Stiller para The New York Times

De olho na UE, Macedônia do Norte restaura igreja histórica

O local, que já atraiu a atenção de estudiosos, arquitetos e diplomatas europeus, é uma aposta na tentativa do país de construir vínculos culturais com o continente

Celestine Bohlen, The New York Times

24 de julho de 2019 | 06h00

KURBINOVO, MACEDÔNIA DO NORTE - Localizada no flanco de uma montanha acima do Lago Prespa, na interseção de Albânia, Grécia e Macedônia do Norte, a Igreja de São Jorge guardou o segredo de suas origens por mais de 800 anos.

Nada praticamente se sabe a respeito de quem ordenou a construção da minúscula igreja em um lugar tão isolado. Igualmente misteriosos são os artistas que pintaram seu impressionante conjunto de afrescos, com elegantes figuras alongadas envoltas em túnicas esvoaçantes, consideradas por historiadores da arte a representação do ápice do período Bizantino Médio.

A igreja e seus afrescos têm lugar especial no notável conjunto de igrejas bizantinas da Macedônia do Norte, que, após 26 anos de independência, continua lutando para encontrar seu lugar na Europa. Hoje, depois de anos de adiamentos, conservacionistas e autoridades locais voltam a pressionar para restaurar esta joia bizantina, danificada por séculos de incêndios, tempestades, dois terremotos no século passado e uma reforma mal feita nos anos 1980.

Eles esperam capitalizar os vínculos culturais que fundamentam a identidade europeia do país em um momento em que a Macedônia do Norte dá alguns passos a fim de qualificar-se para o ingresso na União Europeia.

A igreja de Kurbinovo já conseguiu a ajuda e a atenção de estudiosos, arquitetos e diplomatas europeus. Entretanto, por ora, repleta de andaimes por dentro e por fora, ela permanece um símbolo das rivalidades históricas que conturbaram a Macedônia do Norte.

Neste local, em junho de 2018, às margens do Lago Prespa, foi assinado um acordo histórico com a Grécia que estabeleceu um nome de compromisso para a antiga república iugoslava. Renomeando-se Macedônia do Norte, o país de cerca de 2 milhões de habitantes encerrou uma disputa que bloqueava sua solicitação de ingresso na União Europeia e na Organização do Tratado do Atlântico Norte.

O restauração da igreja está parada, mas conservacionistas e autoridades locais voltaram a pressionar, na esperança de capitalizar o estreitamento das relações com a Europa. Mesmo assim, recentemente a União Europeia anunciou que adiará o começo das conversações de acesso da Macedônia, testando a paciência local.

"Graças à pressão e à promessa da Europa, fizemos tudo para satisfazer a seus critérios", afirmou Bojan Jovanosski, jornalista que vive na capital, Skopje. "A Europa é o único ponto catalizador em torno do qual existe um consenso no país. Se falhar, a Macedônia perderá uma ideia preciosa".

A promessa da Europa constitui grande parte da recente história da Igreja de São Jorge, que Zivko Gosharevski, prefeito da vizinha Resen, chama de "uma das pérolas da região do Prespa".

Na realidade, a situação da igreja como tesouro nacional é confirmada pela imagem de seu afresco do Arcanjo Gabriel na nota de 50 dinares, a moeda do país.

Gosharevski espera chamar a atenção da Europa para a região e para suas atrações culturais. "Queremos nos beneficiar com o acordo e introduzir Prespa no mapa", afirmou.

O interesse europeu pela igreja foi impulsionado pelos esforços de Pance Velkov, idealizador da Fundação Makedonida, que promove a herança cultural da Macedônia.

Exposições dos afrescos da igreja foram realizadas em Munique e em Skopje e Bitola, um centro regional.

No entanto, segundo Velkov, em um clima de tensões políticas "a herança cultural não é atraente". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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