Ricky Rhodes / The New York Times
Ricky Rhodes / The New York Times

Uma orquestra geracional para ensinar a amar 

Fundada em 1962, a Sociedade Orquestra Jovem busca apresentar a crianças e jovens uma nova forma de linguagem por meio da música 

Anthony Tommasini, The New York Times

03 de julho de 2019 | 06h00

Em 1962, Leonard Bernstein, que dirigia o American Pageant of the Arts, apresentou um violoncelista de 7 anos chamado Yo-Yo Ma. Yo-Yo chegara de Paris no ano anterior com a família, disse o maestro, e seria acompanhado ao piano pela irmã de 11 anos, Yeou-Cheng Ma.

O que Bernstein não mencionou foi que o instrumento principal de Yeou-Cheng era o violino. Assim como o irmão, ela era uma criança prodígio. Aos 10 anos, ela tocara com a Sinfônica de Denver. Mas naquela época, sem muitas explicações, os pais acabaram com as suas aulas de violino. Ela continuou com o piano, e nos dez anos seguintes foi a principal acompanhante  do irmão.

Parecia que ela  havia sido dirigida para ter um papel de apoio a Yo-Yo, hoje o maior violoncelista do mundo. Em 1962, o pai, Hiao-Tsiun Ma, fundou  a Sociedade da Orquestra Jovem de Nova York, na esperança de que um dos seus filhos assumisse a sua direção no futuro. A missão acabou ficando com Yeou-Cheng, que, em 1984, se tornou a sua diretora executiva enquanto trabalhava em tempo integral como pediatra do desenvolvimento. Seu marido, Michael Dadap, é o diretor artístico da orquestra.

Yeou-Cheng Ma nunca pensara em assumir a orquestra depois que seu pai se aposentou, em 1977. Tudo mudou quando ela conheceu Dadap. “Michael era um músico que excursionava o tempo todo”, lembrou Ma, hoje com 67 anos. “Quando estávamos namorando, tentando decidir o que fazer a respeito da família, perguntei a ele se continuaria viajando em turnês. Ele disse que, na realidade, gostaria de ter uma escola de música ou uma orquestra jovem. Dadap não sabia que eu tinha exatamente isto!”. Depois de um tempo, a orquestra recomeçou com menos de 20 alunos. Hoje são cerca de 145.

Com o passar dos anos, Ma reduziu a sua atividade de médica para dedicar mais tempo à orquestra. Deixar o violino aos 11 anos foi doloroso para ela, deixando-a confusa na época. Mas hoje se diz satisfeita. Ela acredita profundamente na missão da Sociedade da Orquestra Jovem, que aceita qualquer criança, independentemente do talento. “Isto tem a ver com o princípio do meu pai, que considera a música uma linguagem”, afirmou. “Portanto, o nosso logotipo verbal é ‘ensinar às crianças a linguagem da música’. São poucas as crianças que não aprendem uma linguagem. Por isso, a música deveria ser acessível a todas e não apenas para algumas”.

Ma calcula que passaram pela Sociedade Orquestra Jovem alguns milhares de alunos durante a sua direção. Ela lembra de um particularmente. “Naquela época, ele era um adolescente revoltado, não apreciava muito o nosso programa”, relembrou. “Depois tornou-se missionário. Quando sua mãe ficou doente, nós fomos visitá-la com ele, e então ele disse uma coisa impressionante: 'Michael e Yeou-Cheng não nos ensinaram apenas a amar a música, eles nos ensinaram a amar’. Acho isto extremamente tocante”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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