Ariel Ortega/Reuters
Ariel Ortega/Reuters

Cientistas rastreiam o declínio das borboletas monarcas

É comum as borboletas terem anos melhores e piores. “A população de borboletas é relativamente elástica", disse um pesquisador

Karen Weintraub, The New York Times

04 de abril de 2020 | 06h00

As borboletas monarca ocidental passam o inverno em Pismo Beach e outras cidades do litoral central da Califórnia. Alguns meses mais tarde, elas se reproduzem no Vale Central da Califórnia e além, chegando a até mil quilômetros ao nordeste, em Idaho. Mas para onde elas vão no meio tempo entre um local e outro, ainda é um mistério. E um grupo de pesquisadores quer a ajuda do público para solucioná-lo.

Os pesquisadores — da Universidade Washington State, da Universidade Tufts, em Massachusetts, da ONG Xerces Society for Invertebrate Conservation, e da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz — estão pedindo ao público que, ao ver uma monarca, tire uma foto e envie à equipe informando a data e localização.

“Alguma coisa acontece no início da primavera", disse a professora Cheryl Schultz, da Universidade Washington State, em Vancouver. Os pesquisadores sabem que a sobrevivência no inverno não é o problema de curto prazo, disse ela. Mas eles não sabem se agora as monarcas não chegam ao local de reprodução, se faltam plantas para alimentá-las pelo caminho ou se faltam parceiros.

A população de borboletas monarcas ocidentais, que vivem a oeste das Montanhas Rochosas, na América do Norte, chegava aos milhões nos anos 1980. Em 2017, uma contagem anual identificou 200 mil borboletas. Em 2018, foram contadas apenas cerca de 30 mil — número que se manteve no ano passado, de acordo com Elizabeth Crone, professora de biologia da Universidade Tufts.

O declínio da população de borboletas monarcas é parte de uma tendência mais ampla observada em dezenas de espécies de borboletas no oeste americano, disse o ecologista Matt Forister, da Universidade de Nevada, em Reno, cujas conclusões têm por base um conjunto de dados reunidos ao longo de quase 50 anos pelo pesquisador Art Shapiro, da Universidade da Califórnia, em Davis. 

As pesquisas atribuem o declínio dessas populações de borboletas ao desenvolvimento, à mudança climática, às práticas da agricultura e ao uso de pesticidas, disse Forister. Schultz disse que as fazendas costumavam ter mata nas fronteiras, áreas excelentes para o tipo de vegetação que atrai as monarcas. Práticas agrícolas mais recentes levaram o cultivo até o limiar dos terrenos, roubando o espaço dessas margens, disse ela.

E, em alguns lares, os moradores interessados em atrair as monarcas plantaram asclepsias tropicais. Ainda que as borboletas se alimentem delas, esse tipo de planta é vetor de uma doença, pois não perde folhas, o que pode ter contribuído para o declínio da população de monarcas. As espécies nativas de asclepsias dão sustento a essa população sem expô-la ao risco, disse ela.

A mudança climática é um desafio a mais para todas as borboletas, disse Chip Taylor, professor emérito da Universidade do Kansas, que também dirige a Monarch Watch, uma rede de estudantes, professores, voluntários e pesquisadores. As temperaturas nos lugares onde as monarcas ocidentais passam o inverno ao longo do litoral são agora mais de 1˚C mais quentes em janeiro e fevereiro do que há duas décadas, disse ele. As monarcas do oeste são semelhantes às suas primas do leste, com a diferença de serem um pouco menores e mais escuras, disse Crone. Mas seu padrão de migração é distinto.

Enquanto as monarcas do leste migram do México até a Nova Inglaterra e o Sul do Canadá, as monarcas do oeste ficam no Sul da Califórnia ou migram pelo litoral, chegando à Colúmbia Britânica, e penetrando ao leste até chegar às Montanhas Rochosas, disse a Schultz. De acordo com ela, nos dois anos mais recentes, seu espaço de reprodução tem encolhido. As borboletas avançam pelo interior até Nevada, mas não seguem mais pelo norte até o estado de Washington.

É comum as borboletas terem anos melhores e piores. “A população de borboletas é relativamente elástica", disse Schultz. Ainda que a situação seja “preocupante", ela disse, “nos parece que o potencial de uma reviravolta é grande". Schultz disse que já viu a recuperação de populações de borboletas. Quando ela começou a trabalhar na preservação da borboleta azul de Fender, no início dos anos 1990, havia apenas cerca de 1,5 mil insetos do tipo no Vale Willamette, no Oregon. 

Este ano, graças a um esforço de colaboração dos cidadãos, agricultores, donos de terras e do governo, esse número chegou a quase 25 mil. “Espero que possamos ajudar a população da monarca ocidental a se recuperar", disse Schultz. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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