Apolinar Basor
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Declínio da população de porcos selvagens preocupa cientistas

Território dos queixadas no México e na América Central diminuiu em até 90%

Karen Weintraub, The New York Times

03 de março de 2020 | 06h00

Os queixadas, um tipo de porco selvagem, viajam em grandes bandos por toda a floresta. Criaturas peludas e parecidas com porcos, soltam um peculiar cheiro almiscarado e desempenham um papel crucial para o ecossistemas, dispersando sementes e criando habitats para insetos e anfíbios. Agora, porém, a espécie está enfrentando uma crise.

Um estudo recente, publicado no periódico Biological Conservation, constata que o território dos queixadas no México e na América Central diminuiu em até 90%. “É chocante a rapidez com que essa população está declinando”, disse Harald Beck, chefe do grupo de especialistas em queixadas da União Internacional para Conservação da Natureza, organização sem fins lucrativos.

Beck não participou do novo estudo, mas conduziu um em 2012 que, à época, encontrou uma perda de habitat de 21%. Não se sabe ao certo quantos animais restam. O novo estudo contou com armadilhas fotográficas e especialistas locais para identificar por onde as criaturas ainda passam.

Os queixadas são extremamente vulneráveis à atividade humana, precisam de uma ampla faixa territorial e sua carne é muito valorizada. A exploração de terras que antes eram florestadas – para fazendas de gado e plantações de óleo de palma ou cana-de-açúcar – limitou as áreas de forragem dos queixadas, disse Rony García-Anleu, pesquisador da Guatemala que trabalhou no estudo.

A menos que a caça e a destruição do habitat sejam rapidamente controladas, elas provocarão uma degradação substancial nas poucas grandes florestas que ainda restam entre o México e o Panamá. Os frequentes banhos de lama dos queixadas criam depressões no solo que se enchem de água e se tornam habitats para a criação de insetos e anfíbios. Sem esses “engenheiros do ecossistema”, disse Beck, certas espécies de sapos podem morrer.

Os queixadas estão entre as únicas criaturas que têm mandíbulas fortes o suficiente para comer a maioria das espécies de palmeiras, acrescentou, impedindo que essas plantas cresçam fora de controle. Os queixadas também são importantes para dispersar sementes e para a cadeia alimentar da floresta.

Além dos seres humanos, pumas e jaguares selvagens também caçam os queixadas. A espécie continua sendo mais forte nas cinco grandes florestas remanescentes que pontilham a Mesoamérica. Estas são as florestas maias no México, Guatemala e Belize; a Mosquitia na Nicarágua e Honduras; a Indio Maíz-Tortuguero na Nicarágua e Costa Rica; a região de Talamanca na Costa Rica e Panamá; e a Darién no Panamá e Colômbia. “Estamos no momento preciso para impedir tudo isso”, disse García-Anleu, “porque sabemos que eles estão em perigo e ainda temos essas cinco grandes florestas”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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