Jason Lee/Reuters
Jason Lee/Reuters

Preparando sua casa para o seu 'filhote da pandemia'

Com as pessoas procurando quebrar a monotonia e a solidão, a adoção de pets disparou durante a pandemia de coronavírus

Ronda Kaysen, The New York Times - Life/Style

23 de agosto de 2020 | 05h00

Você não precisa renunciar à decoração da sua casa porque seu cãozinho provavelmente vai roer tudo que está à vista.

A casa de Nicole Crystal, em Oradell, Nova Jersey nem sempre era muito alegre para seu Golden Retriever. Antes de comprar Bowie, há três anos, ela regularmente polia os pisos de pinho do imóvel do século 19, tinha seu cantinho especial para leitura na sua sala de estar e cobria o sofá branco com almofadas coloridas.

Agora é Bowie quem dita as regras. Tapetes cobrem o chão para impedir que ele risque o piso de madeira ou escorregue. O canto especial para leitura foi substituído por uma caixa de bolas para esconder os petiscos dele. E o sofá branco agora é coberto com um forro, as almofadas guardadas num cesto.

“Tudo tem a ver com ele agora”, disse Nicole, 39 anos, fotógrafa. Bowie tem até uma conta no Instagram com 3.700 seguidores.

Nicole nunca pensou que seria o tipo de dona de um pet que, por ele, renunciaria à casa que passou anos restaurando. Mas sim, ela é. “Se há quatro anos eu me perguntasse se meu cachorro influiria na decoração da minha casa, eu diria que isto jamais ocorreria”, disse ela. “E estava muito errada”.

A adoção de pets disparou durante a pandemia, com as pessoas procurando quebrar a monotonia e a solidão impostas pela quarentena do coronavírus. E, naturalmente, como os bebês, com os cãezinhos vêm também todos os demais apetrechos. Eles precisam de camas, caixas, brinquedos, comedouros e bebedouros. E como os novos pais, os novos proprietários de um cão rapidamente aprendem o quanto da sua casa vai se tornar um espaço para os cães e os humanos.

Mantenha a decoração, mesmo com um cachorro

Ao pesquisar para o seu livro At Home With Dogs and Their Designers (Em Casa Com Cachorros e Seus Designers, em tradução livre), Susanna Salk descobriu uma característica comum entre os designers cujo perfil ela traçou no livro. Nada na casa deles é proibido. “Cães estavam entre as belas antiguidades. Havia pets nos tecidos de veludo dos sofás”, disse ela. “Você tem de aceitar que o cão faz parte da família”.

Os decoradores de ambientes têm seus truques. Carolyn Roehm compra tecido extra quando vai cobrir um móvel e coloca um retalho dele sobre a almofada quando um dos seus seis cachorros deita nela. Bunny Williams usa pele falsa para proteger seu sofá, uma dica que Susanna Salk adotou em sua casa em Connecticut, onde tem três cães.

“Em primeiro lugar, as peles ficam ótimas numa sala. Quando sei que vou ficar fora por um longo período de tempo, coloco essas peles e eles ficam deitados ali; além disto, as peles protegem as almofadas do sofá e depois você as joga na máquina de lavar”.

Quando comprar novos móveis ou tapetes, escolha cores que complementem a pele do seu pet (se possui um Golden Retriever, por exemplo, evite o azul marinho). Busque materiais que não mancham, como microfibra. Escolha tapetes com estampas que ocultam manchas. Os tapetes mais sintéticos, para áreas internas e externas, podem ser facilmente lavados. Alguns tipos podem ser colocados na máquina de lavar. Se você tem um filhote, evite móveis com pés de madeira, porque qual é o filhote que não gosta de acabar com um pauzinho de madeira?

Alessandra Wood, vice-presidente de estilo na Modsy, serviço de decoração on-line, gosta do couro porque o pelo da sua Coco, uma mistura de Chihuahua e Jack Russel não gruda nele. Mas não espere que o sofá de couro permaneça intacto depois de algumas rodadas com seu pet. “Não é para pessoas que enlouquecem quando veem um arranhão”, alerta Alessandra Wood. “Você tem de ser alguém que adora um bom par de botas vintage”.

Fique no nível do seu cão

Perca algum tempo imaginando como ficará seu espaço do ponto de vista do seu cão. É o correto, ajoelhe-se e confira a vista.

“Há um fio elétrico sob o sofá que talvez você não tenha se dado conta? Suas mais importantes peças de arte estão no nível da boca do seu cãozinho? Isto é seguro para ele? Quando em dúvida, coloque no alto”, disse Colleen Demling-Riley, especialista em comportamento de cães na franquia Dogtopia, sediada em Phoenix. “Cães sendo cães, eles roerão tudo o que encontram pela frente”.

Preste atenção até que altura seu cão consegue saltar para subir no sofá. Com o tempo, o impacto dos saltos pode prejudicar as juntas de qualquer cão. Coloque uma cadeira otomana, uma banqueta ou um pufe robusto na base do sofá de modo que sirva como uma espécie de elevador, sem sacrificar a decoração da sala.

Coloque os brinquedos num cesto que seu cão tenha acesso, mas escolha um cesto que não pareça com os que armazenam artigos humanos, para ele não se enganar e achar que seus chinelos favoritos são um novo brinquedo para roer.

E observe quando seu cão encontra um canto para ficar tranquilo. Pode ser um lugar no seu home office, ou uma cadeira da sala. Seja qual for, ajude seu cachorro a se decidir deixando ali uma coberta, uma caminha e alguns brinquedos favoritos dele.

Preparando a casinha para seu amigo de quatro patas

Casinhas de arame ou plástico não são muito atrativas, então escolha sensatamente. Se parece algo monstruoso na sala, talvez não seja o melhor lugar para colocar” , disse a Dra. Wood, da Modsy.

Uma casinha de pano que combine com a decoração ajuda a camuflá-la. Ou colocá-la sob uma mesa. Charlotte Reed, que apresenta o programa de rádio The Petz Buzz, e tem seis cachorros num apartamento em Manhattan, coloca o abrigo sob as mesinhas na sua sala, se certificando que o cãozinho ainda tenham uma vista para olhar.

Antes de investir numa caminha cara, perca um tempo observando o comportamento do seu pet na hora de dormir. Alguns costumam se esticar, outros dormem encolhidos como uma bola. Alguns gostam de se encostar numa parede. Quando seu cão estiver treinado e não mais roer tudo o que está à sua frente, procure uma cama com a forma e estilo que se ajustem a ele.

Suzanne Chrystal, a dona do Bowie, tem seis caminhas, incluindo uma na cozinha que ajuda a manter Bowie calmo. E Kim Kavin, autora do livro Little Boy Blue: A Puppy’s Rescue from Death Row and his Owner’s Journey for Truth (Garotinho Triste: O Resgate um um Filhote do Corredor da Morte e a Jornada de Seu Dono pela Verdade, em tradução livre), tem dois pets e três camas. A sua favorita é feita de um barril de vinho que ela trouxe da Califórnia para sua casa em Long Valley. “Paguei US$ 200 num mercado no centro de Napa. Acabou custando mais do que uma caixa de vinho”, disse ela. O barril fica na sala de estar e seu cãozinho o adora tanto quanto ela.

Uma advertência para os novos proprietários de um pet: não se apresse e nem compre por impulso. Enquanto seu cãozinho não se instalar definitivamente em sua casa e você se adaptar a ele, resista à tentação de esbanjar dinheiro nos apetrechos para ele. Você não sabe ainda se vai ter um filhote num barril de vinho ou vai preferir uma casa com cobertura para ele.

“Não invista demais até saber. Primeiro conheça o seu pet”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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