Preston Gannaway para The New York Times
Preston Gannaway para The New York Times

Depois da mastectomia, um caminho para aliviar a dor

Nova técnica permite a instalação de implantes sobre os músculos, o que tem reduzido complicações

Roni Caryn Rabin, The New York Times

10 Outubro 2018 | 06h00

Antes que Deborah Cohan fizesse a dupla mastectomia e a reconstituição mamária, há cinco anos, o seu cirurgião plástico explicou que “criaria uma pequena bolsa” atrás do seu músculo peitoral e “ali colocaria o implante”.

O médico procurou simplificar a explicação do procedimento em que os grandes músculos peitorais seriam afastados de algumas costelas, retirados da parede do tórax, depois esticados durante vários meses a fim de permitir a instalação dos implantes dos seios. O processo, que pode enfraquecer o músculo, deixou a dra. Cohan, obstetra, com dores crônicas que tornaram difícil o seu trabalho no computador, e ainda mais para trazer ao mundo crianças.

A dra. Cohan, 49, de Berkeley, Califórnia, sentia formigamentos e dormência ao levantar os braços e estava fraca demais para abrir uma garrafa ou uma porta pesada.

No entanto, relutou em queixar-se. “A pessoa se sente tão feliz por não ter câncer, que acha que deveria demonstrar gratidão pelo fato de estar viva - não parece legal que eu me queixe com o médico de que o meu peito não está bem”.

Mas, em abril, sua reconstituição foi refeita, e os implantes foram colocados sobre os principais músculos peitorais e não embaixo deles. “A dor do meu peito desapareceu”, ela disse. “E, no primeiro instante de consciência depois da cirurgia, respirei o mais fundo que pude depois de quatro anos e meio”.

A colocação de implantes mamários embaixo do músculo peitoral, procedimento chamado post-pectoralis ou submuscular, foi durante décadas o método padrão para esta cirurgia. Mas, agora, alguns cirurgiões  estão colocando os implantes sobre o músculo, na tentativa de reduzir complicações como dores, fraqueza e deformidades dos seios que podem ocorrer com os implantes submusculares quando os músculos do peito são flexionados.

A alternativa se torna possível em grande parte pelo emprego de biomaterial orgânico - chamado matriz dérmica acelular - que pode substituir o músculo para cobrir, proteger e sustentar os implantes mamários, disse o dr. Hani Sbitany, professor associado de cirurgia plástica e reconstitutiva da Universidade da Califórnia, em San Francisco. O dr. Sbitany é também consultor da Allergan, um fabricante dos biomateriais.

Os médicos começaram a instalar os implantes embaixo dos músculos peitorais nos anos 70, porque algumas mulheres apresentavam infecções, cicatrizes dolorosas e outras graves complicações quando o implante era colocado embaixo da pele. O procedimento reduziu tais complicações, mas provocou outras.

O dr. Sbitany disse que, desde que começou a falar sobre a nova opção, conhecida como reconstituição preceptoria do seio, está sendo assediado por pacientes que têm implantes submusculares há cinco, dez ou 15 anos, e que querem fazer a reconstituição. Os implantes artificiais nos seios são o método mais comum de reconstituição das mamas depois de uma mastectomia.

Um aspecto negativo é o alto custo dos produtos da matriz dérmica acelular, que o seguro pode não cobrir. Um médico calculou que o material extra, necessário para fazer o novo implante, pode dobrar o custo da cirurgia de reconstituição.

O dr. Sbitan reconheceu que o material é caro, mas observou que o novo método pode ser feito em uma única operação, contemporaneamente à mastectomia, em lugar de se arrastar durante meses, e exigir uma segunda operação.

Outra preocupação é que as mulheres que precisam de tratamento com radioterapia possam apresentar alguma infecção e outras complicações  pelo fato de os implantes se encontrarem mais perto da pele.

A dra. Marisa Weiss, radio-oncologista que fundou o site breastcancer.org, disse que as candidatas ideais são mulheres não fumantes, normalmente saudáveis, e que optam por implantes pequenos. “Quanto mais pesado o implante, mais resistente a bolsa terá de ser”, afirmou.

A dra. Cohan disse que as pacientes precisam estar informadas a respeito de todas as suas opções. “As mulheres que querem a reconstituição devem ter o maior número possível de opções, e poder dar o seu consentimento autenticamente informado, para que saibam o que devem esperar”.

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