Robert Leon para The New York Times
Robert Leon para The New York Times

Desigualdade de renda amplia estresse em aviões, aponta estudo

Pesquisa publicada em 2016 mostra que diferentes classes em um avião aumentam a probabilidade do mau comportamento

Amy Zipkin, The New York TImes

14 de junho de 2019 | 06h00

As viagens aéreas se tornaram um universo de ricos e pobres, algo que começa na compra das passagens e continua enquanto os passageiros são separados por status na hora do embarque. Uma vez a bordo, os passageiros percebem onde se encaixam na hierarquia. Os assentos e o espaço para acomodar as pernas encolhem conforme progride a numeração das fileiras.

Agora, alguns pesquisadores estão dizendo que o estresse de voar - entre os quais estaria a desigualdade de renda - contribuem para uma alta no mau comportamento a bordo dos aviões.

A Associação Internacional dos Transportes Aéreos, grupo representante da indústria, identificou um incidente de perturbação entre os passageiros para cada 1.053 voos em 2017, ano mais recente para o qual há dados disponíveis. Em 2016, houve um incidente do tipo para cada 1.424 voos.

"Os aviões são a encarnação física de uma hierarquia de status", disse o professor de psicologia Keith Payne, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. "São como uma escada social feita de alumínio e estofamento".

Um estudo publicado em 2016 identificou que as diferentes classes em um avião aumentam a probabilidade do mau comportamento. A presença de uma área de primeira classe, além da classe econômica, foi associada a incidentes de fúria aérea mais frequentes.

A associação dos transportes aéreos disse que os incidentes mais perturbadores podem ser enquadrados em várias categorias, sendo as mais comuns a violação das regras de segurança, bebedeira excessiva antes da decolagem e tabagismo. A associação também recebeu relatos de incidentes mais graves, incluindo agressões físicas e danos ao equipamento.

Organizações britânicas e da União Europeia estão criando programas para minimizar as perturbações. Em meados do ano passado, 14 aeroportos iniciaram a campanha One Too Many (Exagerando na dose, em tradução livre), uma iniciativa para limitar a bebedeira excessiva. Bares e restaurantes eliminaram de seus cardápios os shots de destilados e a dose dupla de cerveja.

No primeiro semestre deste ano, a Agência de Segurança Aérea da União Europeia e a associação de transportes aéreos iniciaram uma campanha nas redes sociais, #NotOnMyFlight (#nomeuvoonão), cujo objetivo é chamar a atenção para o comportamento inadequado.

Um dos incidentes mais extremos ocorreu em um voo da Ryanair partindo de Dublin com destino a Malta, no fim de abril. Brigas tiveram início, e passageiros alcoolizados pularam nos bancos e foram abusivos com as aeromoças. A tripulação solicitou a ajuda da polícia ainda no ar e, quando o avião aterrissou, os policiais removeram e detiveram alguns dos passageiros.

Está em andamento uma iniciativa internacional para adoção de regras mais gerais para lidar com o mau comportamento dos passageiros, chamada de Protocolo de Montreal 2014.

Atualmente, as violações são julgadas de acordo com as leis do país em que a aeronave está registrada. Sob as novas regras, a jurisdição regendo os passageiros seria ampliada para incluir o país de destino dos voos. O tratado requer a assinatura de 22 países para ser ratificado. Por enquanto, 19 já assinaram, e não há cronograma para sua implementação.

Payne destacou que os espaços apertados aumentam o risco de agressão. Mas, segundo ele, "as empresas aéreas continuam amontoando cada vez mais pessoas no mesmo espaço, acrescentando também gradações nesse espaço". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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