Chrstian Geisnaes
Chrstian Geisnaes

Falta de profissionais represa produções em streaming na Dinamarca

Produções chegam a ser adiadas por seis meses, ou mesmo indefinidamente, devido à falta de produtores especializados, roteiristas, diretores e cinegrafistas

Lisa Abend, The New York Times

05 de janeiro de 2020 | 06h00

COPENHAGUE – Merete Mortensen, fundadora de uma bem-sucedida empresa de produções para TV, está acostumada a escolher os maiores talentos da indústria da Dinamarca. Mas recentemente, quando tentava contratar um desenvolvedor para ajudá-la a criar novos seriados, a sua primeira e segunda escolha a decepcionaram.

“É um loucura”, comentou. “Está havendo uma verdadeira guerra para contratar os melhores candidatos”. Netflix, Amazon Prime e suas concorrentes criaram um boom de programas de TV, e também de empregos para atores, diretores, produtores e roteiristas. Hoje, grande parte de programas com este conteúdo está sendo realizado longe dos centros costumeiros,  Hollywood, Nova York  e Londres, porque os serviços de streaming garimpam produções internacionais em países como França, Japão e Brasil.

Esta expansão talvez não seja mais evidente em mais nenhum outro lugar que não na Dinamarca, onde com o aumento desta demanda, nos últimos anos, há hoje muito mais séries elogiadas pela crítica e um número muito maior de filmes produzidos do que em qualquer outro momento. Mas o que não há, neste país de apenas 5,6 milhões de habitantes, são profissionais especializados para produzi-los.

As produções às vezes precisam ser adiadas por seis meses, ou mesmo indefinidamente, disse Claus Ladegaard referindo-se ao Instituto Dinamarquês do Cinema, que tem o patrocínio do governo e ajuda a financiar muitas delas.

Chega a haver uma espera de dois anos para conseguir produtores especializados, que supervisionam as produções, acrescentou Ladegaard, observando que há também escassez de roteiristas, cinegrafistas e diretores.

Crescimento de produções

Dez anos atrás, havia talvez duas ou três séries televisivas sendo produzidas na Dinamarca, explicou Ladegaard. Agora, são perto de 20. Isto é,  além dos 20 a 25 filmes que estão sendo rodados.

Há cerca de doze anos, as emissoras dinamarquesas começaram a intensificar os investimentos em filmes de TV de qualidade. Programas como The Killing e A ponte contribuíram para estabelecer o gênero popular conhecido como o Noir nórdico, com crimes brutais em ambientes sombrios.

Gêneros

Na Dinamarca há demanda também de outros gêneros. Um dos programas mais populares no país, nos últimos dez anos, foi um drama político, Borgen, uma série de ficção sobre a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país.

Os programas dinamarqueses tornaram-se grandes sucessos interna e externamente, afirma Hanne Palmquist, vice-presidente de programação original para a HBO Nórdica.

The Rain

A Netflix lançou a sua primeira serie dinamarquesa, The Rain, em 2017. A primeira temporada da história de ficção científica foi “um dos maiores sucessos da Netflix  em seriados não ingleses, até o momento”, afirmou Tesha Crawford, diretora de séries originais internacionais da Netflix.

O serviço nórdico de streaming Viaplay está pensando em lançar uma plataforma exclusivamente nórdica nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha.

Mais importantes para o sucesso destes produtos de exportação dinamarqueses, concordam especialistas da indústria, são os talentos locais para contar histórias. “Isto tem a ver com a mitologia nórdica”, afirmou Louise Vesth, produtora de A Taste of Hunger, um novo filme dinamarquês que encontrou muitas dificuldades para conseguir montar uma equipe. “Nós somos ótimos em contar  grandes histórias sobre pequenos problemas”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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