Emmanuel Dunand/Agence France-Presse - Getty Images
Emmanuel Dunand/Agence France-Presse - Getty Images

Dinamarca vai enviar imigrantes 'indesejados' para ilha

Governo prometeu apertar leis de imigração até o limite das convenções internacionais

Martin Selsoe Sorensen, The New York Times

05 Janeiro 2019 | 06h00

COPENHAGUE - A Dinamarca planeja abrigar os estrangeiros mais indesejados do país numa pequena ilha isolada que abriga atualmente os laboratórios e o crematório de um centro de pesquisas em doenças veterinárias contagiosas. Uma das duas balsas que atendem a ilha se chama "vírus". “Não os queremos na Dinamarca, e isso vai ficar claro para eles", escreveu no Facebook a ministra da imigração, Inger Stojberg.

O governo de centro-direita e o Partido Popular Dinamarquês, de direita, anunciaram um acordo para abrigar até 100 pessoas na Ilha Lindholm. Estrangeiros que foram condenados por crimes, mas não podem ser devolvidos a seus países de origem serão mandados para lá, e muitos deles tiveram negado o pedido de asilo.

Compreendendo pouco mais de 15 acres, a ilha fica num braço do Mar Báltico, a três quilômetros da praia mais próxima. Os estrangeiros serão presos se não se apresentarem às autoridades na ilha diariamente.“Vamos reduzir o número de partidas das balsas", disse Martin Henriksen, porta-voz do Partido Popular Dinamarquês, a um canal de TV dinamarquês. “Vamos tornar tudo tão incômodo e caro quanto for possível.”

O acordo, que faz parte da negociação do orçamento anual, designa aproximadamente 115 milhões de dólares ao longo de quatro anos para instalações destinadas a imigrantes na ilha, que devem ser abertas em 2021. O ministro das finanças, Kristian Jensen, disse que a ilha não é uma prisão, mas acrescentou que aqueles designados como moradores terão de passar a noite lá.

O governo prometeu apertar suas leis de imigração até o limite das convenções internacionais. Especialistas em direito dizem que ainda é cedo para dizer se o projeto da Ilha Lindholm ultrapassa esses limites. O plano avança a política do governo que busca obrigar aqueles que tiveram o pedido de asilo recusado a deixar o país tornando suas vidas insuportáveis. Solicitantes de asilo com ficha criminal não recebem permissão para trabalhar, e aqueles que tiveram o pedido de asilo negado mas não podem ser deportados recebem acomodação, alimentação e uma mesada de cerca de 1,20 dólares por dia.

Uma ex-ministra da imigração, Birthe Ronn Hornbech, descreveu o projeto como “piada". “Nada resultará dessa proposta", escreveu ela numa coluna de jornal. Muitos estrangeiros que tiveram o pedido de asilo negado não podem ser deportados para seus países de origem por medo de abusos e perseguições, ou simplesmente porque esses países se recusam a recebê-los de volta.

O primeiro-ministro Lars Lokke Rasmussen disse que o objetivo do governo ao receber refugiados não será mais integrá-los, e sim abrigá-los enquanto não puderem voltar ao país de origem. “Não é fácil pedir a famílias que voltem para casa, quando já estão de fato instaladas", disse ele durante uma reunião do seu partido em novembro. “Mas, do ponto de vista moral, é a coisa certa. Não devemos transformar refugiados em imigrantes.”

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