Ashley Gilbertson para The New York Times
Ashley Gilbertson para The New York Times

Diplomatas da ONU formam grupo de corrida no Central Park, em Nova York

Durante as corridas, eles falam de assuntos internacionais a dores nas articulações

Rick Gladstone, The New York Times

30 de dezembro de 2018 | 06h00

NAÇÕES UNIDAS - Eles se reúnem na escuridão que antecede o amanhecer no Central Park, a menos de três quilômetros da sede da ONU, onde muitos deles frequentemente se encontram, trocando um olhar de reconhecimento ou um aperto de mão no meio da corrida. Praticando seus exercícios físicos no parque escassamente iluminado em uma corrida de 30 minutos, ultrapassam os passeadores de cachorros, outros corredores e o ocasional sem teto, parando em uma ponte a meio caminho de um grupo que tira fotos e selfies. Os embaixadores e outros diplomatas do grupo definem-se os “PRunners” - por causa dos títulos  ostentados por muitos representantes da ONU.

Recentemente, eles se encontraram no clima gélido que antecedia o inverno. A variedade das roupas usadas pelo grupo refletia a tolerância de cada um ao frio. Richard Arbeiter, o vice-representante permanente do Canadá, não tinha boné e estava de shorts. Amal Mudallali, a representante permanente do Líbano, vestia calças compridas, uma jaqueta e protetores de ouvido.

Os diplomatas nem sempre concordam em matéria de roupa apropriada para os seus exercícios ou em tudo o que diz respeito aos assuntos mundiais. Mas suas corridas semanais estabeleceram um vínculo entre eles que em geral está ausente das outras reuniões dos vários diplomatas da ONU. “Para mim, reunir-se para correr é um pouco como ir à sauna - todos são iguais”, disse Kai Sauer, representante permanente da Finlândia, que coordena e frequentemente organiza as corridas.

“A diplomacia é muito hierárquica, mas nós deixamos os nossos títulos em casa ao entrar no Central Park. Ali a interação é mais humana do que profissional”. Sauer, que correu sete maratonas, disse que nunca cancelou as corridas e insiste que todos cheguem pontualmente às 6h30 da manhã - “sem exceções”. A brincadeira sobre a corrida pode enveredar para o campo da política ou dos encontros do dia, mas também pode divagar sobre dores nas articulações e problemas enfrentados pelos pais que trabalham.

Parte do horário estabelecido para a atividade física, antes do amanhecer, segundo alguns membros, é o fato de que eles precisam voltar para casa, tomar uma ducha e preparar os filhos para irem à escola. O grupo, cujos integrantes têm idades que variam dos 40 aos 60, ficou conhecido  como um dos mais ligados entre os diplomatas que periodicamente assumem missões na ONU, em Nova York. Vários embaixadores além de Sauer são maratonistas, e comemoram os seus feitos no esporte pelas redes sociais e pelo WhatsApp.

Craig Hawke, o representante permanente da Nova Zelândia, que participou da sua primeira Maratona de Nova York este ano, definiu as corridas no Central Park uma boa maneira de começar o dia, e uma atividade “incrivelmente catártica”.

Mudallali ficou sabendo do grupo pelo Facebook quando morava em Washington, e quis participar dele ao chegar no ano passado, na qualidade de primeira embaixatriz do Líbano na ONU. No entanto, afirmou que não compartilha da paixão dos colegas do clima setentrional pelas corridas na neve. “Eu venho do Líbano”, explicou.

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