Philip Cheung/The New York Times
Philip Cheung/The New York Times
Nicole Pajer, The New York Times - Life/Style

18 de janeiro de 2021 | 05h00

Deepak Chopra, estrela da meditação e do bem-estar, guia espiritual de Lady Gaga e amigo do Dalai Lama, define uma discussão como “choque de egos”.

Da sua casa em La Jolla, Califórnia, Chopra, que está com 73 anos, vem observando a situação de nervosismo e raiva do mundo e não se surpreende. Algumas pessoas acham que este momento é o auge da divisão social e política, com as pessoas se agredindo na mídia social, se afastando de amigos e até se separando de entes queridos por causa de polarização política, por exemplo. Chopra diz que este comportamento não é novo. “Existe desde a Idade da Pedra”, afirma.

Mas, depois de anos trabalhando para solucionar conflitos e intermediar disputas entre líderes nacionais (que, naturalmente, precisa manter estritamente em sigilo), Chopra oferece algumas dicas para "discordar melhor". E ele precisa saber fazer isso pois tem críticos prontos para discordar dele. Durante sua carreira, essa celebridade da New Age e autor de 91 livros tem discutido com cientistas e médicos por defender alternativas para medicamentos e declarações que contradizem a pesquisa aceita.

Mesmo se os seus conselhos não mudarem a opinião ou o comportamento de alguma pessoa, podem ajudá-la a manter-se mais calma em numa discussão.

Passo 1 - Decida se quer mesmo se envolver

É inútil se envolver em certos debates. É bem improvável que você consiga mudar a opinião de uma pessoa que se recusa a usar uma máscara facial, por exemplo. São esses tipos de confronto que não valem a pena.

Quando eles surgem, a estratégia recomendada por Chopra é seguir um caminho diferente: “Tem razão, é isso mesmo”.

“Não há uma regra geral a seguir senão se afastar sempre que detectar um impasse. Tudo o mais é inútil”.

Passo 2 - Se decidiu se envolver na discussão, primeiro ouça a parte contrária

Se não começar a discussão com os ouvidos abertos, perderá seu oponente. A chave é ouvir o que o outro tem a dizer para conhecê-lo de uma maneira autêntica - pelo menos um pouco.

“Se você não sabe o que se passa na mente da pessoa, na sua vida, nas suas relações, sua experiência pessoal da realidade cotidiana, qual é a solução?", diz Chopra. "Você irá apenas atacá-la”.

Ouvir vai permitir que você, e o outro, acalmem os ânimos.

Passo 3 - Conheça os valores da outra pessoa

A maneira mais simples de saber mais sobre uma pessoa é procurar saber o que é importante para ela. Chopra adota essa estratégia quando é recrutado para resolver conflitos, mesmo no caso de clientes de grande notoriedade. “Digo a eles para irem juntos a um restaurante chinês, conversarem sobre seus pais ou seus anos de adolescência”, afirmou. “Alguma coisa que mostre que vocês são seres humanos normais e também são vulneráveis”. Segundo Chopra expressar sua vulnerabilidade é um sinal de força.

Esta é a melhor maneira de entender os valores do outro, que Chopra define como crenças fundamentais. “Elas dizem respeito não à política, religião, dinheiro ou sexo. E se enquadram na descrição do “encontrar sua verdade antes de falar sem pensar”.

Passo 4 - Tente se conscientizar da situação e pausar

Agora que você ouviu o outro lado (e talvez o tenha compreendido melhor) pode se enraivecer. Quanto se sente desafiada, a reação natural de uma pessoa é lutar ou fugir, o que imediatamente torna impossível se manter calma e deliberada.

Outro impulso comum é a resposta reativa, ou “resposta do ego”, como ele chama. “É algo que aprendemos quando somos jovens. Ela se manifesta de quatro maneiras: “de maneira gentil e manipuladora, desagradável e manipuladora, obstinada e manipuladora ou se fazendo de vítima e também manipuladora”. Assim, basicamente, ela é manipuladora.

Mas há estratégias bem mais produtivas. Segundo Chopra, lidar com uma disputa com “insight, intuição, inspiração, criatividade, visão, objetivos mais elevados ou autenticidade” significa sair da reação de lutar ou fugir e controlar o ego de modo a partir para outras opções. E como sublinha no seu livro Total Meditation, há outras maneiras de cultivar essas habilidades meditando meia hora todos os dias.

Passo 5 - Não tenha opiniões radicais

Chopra cita a frase de George W. Bush - “Ou você está conosco ou contra nós” para ilustrar um enfoque beligerante do desacordo (segundo ele, o tipo de comportamento frequente de líderes mundiais). “É como a atitude de intimidação de um aluno na escola). E você deve evitar isto”.

Ele também destaca uma declaração de Nelson Mandela: “guardar ressentimentos ou rancor é como beber veneno e esperar que ele matará o inimigo”.

Passo 6- Quando confrontado, respire fundo, sorria e então tome uma decisão

Ele aconselha cultivar a prudência para “observar melhor o instante antes de se enraivecer e deixar o impulso definhar antes de ganhar mais força.

Se alguém o ataca também é bom se afastar. Por que não? O agressor precisa de vítimas e ficar parado vai tornar você a vítima”, diz Chopra.

Passo 7 - Não tente provar que o outro está errado

Chopra diz que você pode esbofetear a outra pessoa - figurativamente - e ela o perdoará, mas se provar que está errada, ela jamais o desculpará. Assim, ninguém “ganha” a discussão. O objetivo da discussão não é "ganhar", mas começar a negociar.

Pessoas que estão com raiva ou chateadas acreditam que foram prejudicadas de alguma forma. "Reconheça que seu adversário, seja consciente ou inconscientemente, se sente injustiçado, não importa quem ele seja", diz Chopra. Você pode dizer: "Eu reconheço que você acredita que está não é a solução mais justa para vocês. Me diga porquê”.

Passo 8 - Esteja pronto para perdoar

Você pode não achar que o outro que discorda merece ser perdoado, mas pense nisto para o bem da sua própria paz. O perdão para Chopra não significa que eu sou um amor de pessoa. Eu o abraço; eu o perdoo. Você me perdoa. Significa que você deixou de julgar o comportamento passado daquela pessoa, ele diz. “Isto é irrelevante. Vamos virar a página”.

Passo 9 - Faça uma brincadeira (gentil)

Para Chopra o mundo seria um lugar mais feliz se todos se empenhassem em rir mais. O que, segundo ele, significa ir ao YouTube e assistir ao programa Candid Camera, ou a um filme de Charlie Chaplin. É bom inserir o humor numa conversa tensa desde que não seja cruel ou humilhante. “Você viu alguma vez o atual presidente rir ou contar uma piada? Não confio numa pessoa que não consegue rir. Então sorria”, disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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