Disney/LucasFilms
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Disney concentra esforços no crescimento de seus parques temáticos

Empresa gasta bilhões para turbinar parques, que emergiram como grande gerador de receita

Brooks Barnes, The New York Times

27 de novembro de 2018 | 06h00

Nada é pequeno quando se trata do Walt Disney World. Constituído por quatro parques temáticos separados na Florida, perto de Orlando, com um público anual total de 56 milhões de pessoas, o resort se estende por 10.120 hectares, quase o dobro da área ocupada por Manhattan. Mas o Disney World - e o império global da Disney criado para o entretenimento dos visitantes de férias - ficará maior ainda.

Com o braço da televisão em parte ameaçado na era do streaming, a Disney decidiu gastar bilhões de dólares para incrementar ao máximo a sua divisão de parques temáticos, uma fábrica de dinheiro surpreendentemente poderosa. No exercício fiscal de 2018, a Walt Disney Parks and Resorts tem um lucro operacional de 4,5 bilhões de dólares, um aumento de mais de 100 por cento em relação a cinco anos atrás. Entretanto, a Disney Media Nertworks, com a ESPN e a ABC, teve um lucro de 6,6 bilhões de dólares, uma queda de 3%.

Cada um dos seis parques temáticos da Disney espalhados pelo mundo está passando por uma considerável expansão, juntamente com a Disney Cruise Line. Michael Nathanson, veterano analista de mídia., calcula que a Disney investirá 24 bilhões de dólares em novas atrações, hotéis e navios nos próximos cinco anos. Mais do que a Disney pagou pela Pixar, Marvel e LucasFilm juntas.

“Não pode ser apenas especial - precisa ser espetacular”, afirmou Bob Chapek, “chairman” da divisão de parques temáticos da companhia, durante um tour pelos seis hectares do local de construção no Disney World, onde começam a tomar forma as aventuras de “Guerra nas Estrelas”, lojas e restaurantes.

Mesmo com os aumentos contínuos dos preços nos períodos de pico - os ingressos diários nestes períodos na Disneylândia na Califórnia custam agora 135 dólares - o interesse dos visitantes muitas vezes ultrapassa a capacidade. “Só podemos deixar entrar um determinado número de pessoas em cada parque para não começar a prejudicar o grau de satisfação”, disse Chapek.

O objetivo do plano é aumentar consideravelmente a capacidade dos mais procurados da Disney (Disneylândia, Tóquio, DisneySea) e reformular a maioria dos mais populares (Epcot, Disney Studios Park na Disneylândia de Paris) a fim de atrair mais visitantes de maneira uniforme em todo o império.

A abundância de franquias de filmes famosos da Disney possibilita este tipo de megaexpansão, observou Chapek. “Frozen” e as aventuras da Marvel estão chegando a múltiplos resorts. E em 2019, Disney World e Disneylândia inaugurarão “territórios” correspondentes chamados “Guerra nas Estrelas: as Fronteiras da Galáxia”. Em uma atração deslumbrante, os convidados subirão a bordo de um Destróier Estelar Imperial da frota galáctica, onde cerca de 50 soldados animatrônicos da tropa de elite do Império esperam em formação. Em outra, os convidados poderão pilotar um Falcon Millennium interativo.

A operação dos parques temáticos será sempre sensível às oscilações da economia, disse Jessica Reif, analista do Bank of America Merrill Lynch. Mesmo assim, ela acrescentou que vê de bons olhos o fato de a Disney estar investindo tanto nos seus parques. “É o maior retorno sobre os investimentos que a Disney tem”, afirmou.

Robert A. Iger, diretor executivo da Disney, disse aos analistas em maio que seria “inevitável” a criação de um sétimo parque temático na China ou em outro país.

Mesmo assim, dois parques nunca chegaram a satisfazer as expectativas, e Iger quer corrigir este problema. Hong Kong Disneyland, inaugurado em 2005, perdeu dinheiro por três anos. Para recuperar o investimento, a Disney acrescentará duas atrações do tema “Avengers”, construirá todo o reino de Arendelle em “Frozen” , espalhará pingentes de neve em duas aventuras, e aumentará consideravelmente o castelo do parque

Um dos acréscimos mais divulgados no Disney World é um hotel - que simulará como seria dormir a bordo de uma nave espacial de “Guerra nas Estrelas”. Cada janela terá uma tela de vídeo que oferecerá uma “vista do espaço”. Os hóspedes poderão vestir as roupas da série. O hotel reflete uma guinada da Disney preocupada em proporcionar um maior número de experiências envolventes.

Agora, até a estadia no hotel do visitante se torna uma atração “única no mundo da Disney, que você não encontrará em nenhum outro lugar”, disse Chapek.

“Não pode ser apenas especial - precisa ser espetacular”.

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