Rob Wallace/Wildlife Conservation Society
Rob Wallace/Wildlife Conservation Society

Diversidade recobre parque na Bolívia

Cientistas encontraram no parque 124 espécies e oito subespécies que seriam desconhecidas

James Gorman, The New York Times

05 Junho 2018 | 10h15

O Parque Nacional Madidi, na Bolívia, tem planícies baixas e montanhas altas, com altitudes que vão de 180 metros a cerca de 6 mil metros acima do nível do mar. São cobertos mais de 18 mil quilômetros quadrados de habitat muito diferentes. De acordo com Rob Wallace, ecologista da Wildlife Conservation Society na Bolívia, trata-se de "um lugar onde a Amazônia encontra os Andes".

O parque tem florestas de altitude, selvas baixas, rios, córregos e pântanos. Tem até geleiras.

"Madidi foi criado com base na hipótese de ser a área protegida de maior diversidade biológica do mundo", disse Wallace. E, segundo ele, a diversidade do parque não tem paralelo, seja em se tratando de mamíferos, aves, plantas ou borboletas.

Em junho de 2015, uma equipe de cientistas, quase todos bolivianos, partiu numa missão de três anos de levantamento das espécies do parque, concentradas em 15 sítios. A pesquisa, financiada pela sociedade de preservação, foi complementada com uma investigação de literatura científica. O objetivo do projeto, chamado Identidad Madidi, era identificar o maior número possível de espécies que vivem no parque.

O resultado ficou pronto: o número total de espécies documentadas em Madidi chegou agora a 8.524. A equipe de campo encontrou cerca de 4 mil espécies, das quais 1.362 nunca tinham sido observadas em Madidi. Com base em outras informações a respeito de como as espécies se distribuem, eles calculam que haja provavelmente 11.395 espécies no parque, embora muitas ainda não tenham sido vistas. Isso abrange todas as criaturas com colunas vertebrais, todas as plantas e borboletas. Incluir todas as espécies de insetos seria um passo longe demais.

Entre as descobertas havia 124 espécies e oito subespécies que se acredita nunca terem sido observadas pela ciência, como o rato-de-espinho, a lagartixa de rabo de chicote e 13 novas espécies de borboletas.

É claro que a conclusão do levantamento traz uma pergunta: qual é a importância de saber qual parque abriga a maior diversidade? A Bolívia não está envolvida numa competição com outras áreas protegidas no exterior, como o Parque Nacional Manu, no Peru, que era considerado o mais diversificado até agora, ou o Parque Nacional Yasuni, no Equador, que ainda está na frente de Madidi em se tratando da diversidade de anfíbios e répteis como a cobra coral boliviana.

Mas o orgulho nacional pode servir como motivação para a preservação, e Wallace disse que o levantamento foi feito principalmente porque "as pessoas na Bolívia não sabiam como Madidi era de fato especial".

O levantamento fazia sentido do ponto de vista científico porque manter um registro básico da biodiversidade numa área protegida é importante para compreender o que ocorre conforme mudam o clima e a urbanização em torno da região. Para pesquisadores interessados em como as espécies interagem entre si e com o ambiente, o primeiro passo é conhecer as próprias espécies.  

A contagem de espécies nunca é definitiva. O número de pessoas contando, as áreas escolhidas para a amostragem, a época do ano, mudanças que ocorrem no ambiente com o tempo - tudo isso pode afetar a contagem total. O objetivo é proteger o maior número possível de espécies.

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