Andrea Mohin/The New York Times
Andrea Mohin/The New York Times

No Central Park, o nome de Trump foi discretamente reduzido (ou retirado)

A perda de popularidade do presidente entre a população de Nova York fez com que seu nome fosse abolido de alguns imóveis particulares da cidade

Ed Shanahan, The New York Times

31 de outubro de 2019 | 06h00

Com o início da temporada de patinação no gelo em dois rinques do Central Park, os que voltam a este esporte notarão algo que costumava ser vistoso: o nome do presidente Donald J. Trump. A perda de popularidade de Trump entre a população de Nova York fez com que o seu nome fosse retirado de alguns imóveis particulares da cidade, como o hotel Trump SoHo, atualmente Dominick, e de prédios de apartamentos no complexo Trump Place.

Mas os rinques – duas das várias concessões públicas que a Organização Trump, o principal veículo de negócios do presidente opera na cidade – continuavam exibindo com destaque o seu nome ainda na primavera passada.

Recentemente, porém, a companhia retirou discretamente o nome Trump sem dar qualquer explicação. Isto é particularmente notado no Wollman Rink, perto da extremidade sul do parque. O nome do presidente há muito tempo estava espalhado por todo o lugar que ele administra desde os anos 80: em grandes letras vermelhas nos muros internos; nas tabuletas onde estão expostas as normas para os patinadores, do lado de fora; e em grandes letras perto do caixa e no guichê de aluguel de patins.

No mês passado, a presença do nome foi reduzida. Saiu totalmente das tabuletas, onde foi substituída por outras que anunciam “Wollman Rink NYC Central Park”. Foi enterrado em letras pequenas no fim de uma tabuleta com os horários do funcionamento e as tarifas. E agora está representado por um solitário “T” sobre o balcão do aluguel de patins. A Organização Trump não respondeu aos pedidos de comentário para a matéria.

As mudanças nos rinques não ocorreram por exigência e nem por solicitação da prefeitura. No verão, a Organização Trump, que administra o Wollman e o Lasker Rink, na extremidade norte do jardimpor um contrato com a prefeitura, informou aos funcionários do parque que pretendia alterar os avisos.

Geoffrey Croft, o fundador  da NYC Park Advocates, grupo não partidário, afirmou que "finalmente eles entenderam a mensagem”, de que o presidente “se sentiria melhor se o seu nome deixasse de aparecer”.

O contrato pelo qual a Organização Trump opera os rinques, disse Mark Levine, vereador democrata da cidade, expira em 2021. A iniciativa de diminuir os vínculos de Trump com dois lugares de diversão do público visa a facilitar os trâmites na renovação do contrato. “Eles não querem que o público associe o nome Trump com estas propriedades,” garantiu.

Há evidências de que os interesses econômicos de Trump, que hoje são supervisionados pelos filhos Donald Jr. e Eric, foram afetados desde que o magnata imobiliário e astro de reality shows tornou-se presidente.

No fim do exercício, encerrado no dia 30 de setembro de 2015, os rinques geravam cerca de US$ 8,9 milhões. O número subiu para US$ 9,3 no fim do exercício seguinte, que terminou pouco antes de Trump se tornar presidente. Nos 12 meses que se encerraram no dia 30 de setembro de 2018, o faturamento anual caiu para cerca de US$ 8,7. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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