Michael Shroyer/Associated Press
Michael Shroyer/Associated Press

Drones ainda devem dominar os céus, um voo de cada vez

Questões ligadas a regulação, privacidade e segurança são obstáculos que os entusiastas das pequenas aeronaves tentam superar

Ellen Rosen, The New York Times

13 de abril de 2019 | 06h00

Se você é daqueles que se preocupam com o dia em que os céus seriam tomados por drones, fazendo entregas dia após dia na porta de seu vizinho, deixando comida na soleira ou fotografando cada passo que damos, pode relaxar um pouco. Ao menos por enquanto.

A empolgação em torno dos drones comerciais é em grande parte apenas isto: empolgação. Uma das pessoas que contribuíram para essa empolgação foi o fundador da Amazon, Jeff Bezos. Em entrevista concedida em dezembro de 2013, ele previu que as entregas feitas por drones se tornariam comuns em questão de cinco anos. O quinto aniversário da previsão de Bezos já passou, mas a generalização das entregas por drones ainda não é uma realidade.

Minúcias regulatórias, complexidades técnicas e o ceticismo do público se revelaram obstáculos formidáveis. Os problemas não resolvidos incluem a segurança de permitir que um drone voe para além do alcance visual de seu piloto, seu funcionamento noturno e o sobrevoo de regiões habitadas.

Mas programas de testes em todo o mundo que usam a tecnologia para garantir a entrega de remédios que salvam vidas, além de alimento e até mesmo café, tentam provar que as entregas com drones são seguras e, além disso, eficientes e mais vantajosas do ponto de vista ambiental.

Empresas como a Zipline, que usa drones para distribuir sangue em Ruanda, e a australiana Swoop Aero, que leva vacinas e outros remédios a Vanuatu, no Pacífico, concentram-se em necessidades da medicina.

Outras estão se voltando para as necessidades do consumidor, na esperança de que os drones sejam parte da resposta que ajudará as pequenas empresas a concorrerem com as gigantes do varejo - ou mesmo ajudar essas gigantes a manter sua vantagem competitiva.

Para o analista Colin Snow, independentemente de transportarem protetor solar ou uma porção de sushi, "a grande pergunta é se faz sentido do ponto de vista econômico usar os drones no 'trecho final' de uma entrega. Alguns estudos dizem que sim, enquanto outros dizem que não".

Autoridades da aviação chinesa aprovaram as entregas por drone da gigante do comércio eletrônico JD.com e a gigante das entregas SF Holding Company. Transportadoras como a Wing, empresa de drones de entregas que pertence à Alphabet (dona do Google), conseguem usar mais de um drone por operador.

O diretor-executivo da Wing, James Burgess, disse que a dimensão das operações ainda não não é uma preocupação. "Acreditamos que seremos capazes de desenvolver um serviço de entregas para comunidades possibilitando o transporte de itens em poucos minutos e a um custo baixo".

A empresa, cujos drones têm alcance de 20 quilômetros (ida e volta), testa serviços em três continentes. O primeiro programa funciona em um subúrbio de Canberra, na Austrália, onde a empresa trabalha com fornecedores locais para a entrega de pequenos pacotes, incluindo medicamentos comuns, além de comida. O artigo mais popular pedido no programa australiano é o café, que pode ser entregue - ainda quente - em apenas três minutos contados a partir do pedido feito. Nesse semestre, a empresa vai começar testes em Helsinque.

A divisão Prime Air, da Amazon, faz parte de um consórcio de empresas participantes dos testes de entregas com drones conduzidos pela União Europeia na Bélgica. A startup israelense Flytrex faz entregas com drones em Reykjavik em parceria com a varejista islandesa AHA.

Parte da relutância em usar drones envolve preocupações com privacidade e o ruído. Como resultado, governos locais tentam educar os moradores a respeito dos drones. O ruído é comparável ao de uma lava-louças ou ao do tráfego próximo, de acordo com a Flytrex. As questões de privacidade são em parte aliviadas ao assegurar que os drones não tenham câmeras dianteiras capazes de fotografar quem está no chão.

Outro fator é que os drones movidos a bateria não dependem de combustíveis fósseis para seus voos curtos. Os benefícios para o meio ambiente são tangíveis, de acordo com Burgess. 

"Hoje, temos um sujeito dirigindo um carro de uma tonelada para entregar um hambúrguer de 200 gramas. É loucura", comentou o diretor-executivo da Flytrex, Yariv Bash. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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