Jason Chute/Unicef Pacific
Jason Chute/Unicef Pacific

Drones viajam de ilha em ilha para levar vacinas em Vanuatu

Arquipélago é o primeiro a apostar no auxílio aéreo para seu programa de vacinação infantil

Donald G. Mcneil Jr., The New York Times

28 Dezembro 2018 | 06h00

No vilarejo de Cook’s Bay, que fica do lado mais remoto da remota ilha de Erromango, no remoto país de Vanuatu, no Pacífico Sul, o bebê Joy Nowai, de 1 mês, recebeu vacinas contra hepatite e tuberculose que foram trazidas por um drone. Foram as primeiras vacinas trazidas a Vanuatu por este método, o único país do mundo a apostar oficialmente seu programa de vacinação infantil na eficácia dos drones.

Vanuatu é um arquipélago de 83 ilhas vulcânicas. Muitos vilarejos só podem ser alcançados de canoa, embarcações monomotor que ondas de três metros e meio às vezes viram ou jogam contra os recifes. Outros vilarejos ficam no fim de trilhas montanhosas que se convertem num lamaçal quando chove. Muitas vacinas precisam de refrigeração, e a maioria dos vilarejos carece de eletricidade.

Por essas razões, apenas cerca de 80% das 35 mil crianças com menos de 5 anos em Vanuatu recebem todas as vacinas necessárias, de acordo com as Nações Unidas. Assim, com a ajuda da Unicef, do governo australiano e do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, Vanuatu iniciou seu programa de drones no dia 17 de dezembro.

Com o aprimoramento dos drones, seus possíveis usos na saúde global foram ampliados. A empresa Zipline, da Califórnia, pilotou mais de 8 mil voos em Ruanda, transportando sangue para transfusões. Desde o ano passado, a Unicef mantém um “corredor de testes para drones” no Malawi para experimentar essa distribuição de ajuda humanitária.

Mas esse é o primeiro contrato comercial envolvendo vacinas comuns aplicadas durante a infância. A startup australiana Swoop Aero receberá apenas pelas cargas recebidas com segurança, disse a Unicef. A enfermeira Miriam Nampil, 55 anos, responsável por aplicar as injeções em Cook’s Bay, vive em Port Narvin, onde a clínica conta com um refrigerador movido a energia solar. “Esse drone vai mudar minha vida", disse ela. “Normalmente, preciso fazer uma jornada de duas horas montanha acima, e a embalagem da vacina é pesada.”

Com envergadura de dois metros e meio, o drone branco da Swoop lembra um albatroz robótico. Mas sua trajetória carece da graça e calma do voo de uma ave. Em vez disso, o aparelho parece zumbir como um enxame de abelhas, subindo verticalmente e se deslocando pelo ar a velocidades de até 95 quilômetros por hora.

Esse drone logo começará a fazer viagens de ida e volta de 130 quilômetros, disse Eric Peck, um dos fundadores da Swoop. Como o aparelho se comunica com a rede de satélites Iridium, o drone pode ser pilotado a partir de qualquer lugar no mundo. Ele disse que, mais para frente, a Swoop vai treinar pilotos locais e ajudar o governo a construir seus próprios drones graças a motores que podem ser encomendados e acoplados a asas produzidas com impressoras 3D.

Para inaugurar a era dos drones em Vanuatu, os enfermeiros estão se reunindo com os aldeões, e funcionários da aviação nacional os convidam a acompanhar voos de testes. “Temos que garantir que as pessoas não se assustem ao ver algo no céu zumbindo em sua direção", disse Sheldon Yett, representante da Unicef para as ilhas do Pacífico. “Precisamos ter certeza que o drone não será derrubado por algum garoto com uma catapulta.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.