(Crédito: Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos)
(Crédito: Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos)

Ecstasy pode aliviar estresse pós-traumático, diz pesquisa

Estudo aponta que uso da droga causou diminuição de sintomas em pacientes

Dave Philipps, The New York Times

14 Maio 2018 | 10h15

A droga popularmente conhecida como Ecstasy, ou Molly, pode ser um tratamento promissor contra o transtorno de estresse pós-traumático, de acordo com um novo estudo.

Uma pesquisa publicada recentemente na revista britânica The Lancet Psychiatry descobriu que, após duas sessões de psicoterapia com a droga oficialmente conhecida como MDMA, a maioria dos 26 socorristas e veteranos de combate com TEPT crônico, pacientes que não tinham melhorado com métodos tradicionais, sentiu uma diminuição nos sintomas.

As melhorias foram tão expressivas que 68% dos pacientes deixaram de preencher os critérios clínicos para o TEPT. Os pacientes que tomaram a droga também experimentaram melhorias “sensíveis” no sono e ficaram mais conscienciosos.

Os resultados, que refletem estudos semelhantes em menor escala sobre a droga ilegal realizados nos últimos anos, surgem no momento em que o MDMA está prestes a entrar em testes da Fase 3. Com base em resultados anteriores, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) deu ao MDMA o status de terapia inovadora, o que pode acelerar a aprovação. Se os testes em larga escala conseguirem repetir os resultados em segurança e eficácia, o medicamento poderá ser aprovado para uso legal até 2021.

“Eu finalmente consegui processar todas as coisas sombrias que aconteceram”, disse em entrevista Nicholas Blackston, 32 anos, participante do estudo que foi atirador de metralhadora no Iraque. 

“Consegui me perdoar. Foi como uma limpeza total”.

Caso aprovado pelo FDA, o MDMA só poderá ser administrado por terapeutas licenciados. Primeiro, o paciente tem de passar por três sessões de psicoterapia. Na quarta sessão, o paciente pode tomar uma pílula.

Depois de tomar a droga, o paciente se deita em um sofá entre velas e flores frescas e fica ouvindo música. Dois terapeutas - uma mulher e um homem - se sentam a seu lado e servem como guias. A sessão dura oito horas.

“Nós os incentivamos a deixar de lado todas as expectativas, a ficarem com a mente aberta. As experiências tendem a ser muito individuais”, disse o Dr. Michael Mithoefer, um dos principais pesquisadores.

A droga inunda o cérebro com hormônios e neurotransmissores que evocam sentimentos de confiança e bem-estar, relatam os usuários. Pesquisadores dizem que isso permite que os pacientes reexaminem memórias traumáticas.

O protocolo atual indica que os pacientes tomem MDMA duas ou três vezes, com um mês de intervalo, em sessões intercaladas com psicoterapia.

“Sozinhos, nem o MDMA nem a terapia parecem ser muito eficazes”, disse o Dr. Mithoefer. “O MDMA parece atuar como um catalisador que facilita a cura”.

Um ano depois da terapia com MDMA, os sintomas de TEPT geralmente continuaram a diminuir. Os efeitos colaterais foram, de maneira geral, pequenos e limitados aos dias seguintes às sessões de MDMA.

A pesquisa é organizada por uma pequena organização sem fins lucrativos chamada Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos.

“Ninguém mais queria mexer com isso, então tivemos que assumir a missão”, disse o fundador do grupo, Rick Doblin.

Nigel McCourry, 36 anos, veterano do Iraque, não conseguia escapar da memória das duas jovens que ele matou acidentalmente em um tiroteio. Ele estava pensando em suicídio quando tentou o MDMA.

“Quando a droga subiu, foi como uma epifania”, disse ele. “Percebi que me via como um monstro”, acrescentou, “e pude começar a ter alguma compaixão por mim mesmo. Foi um ponto de virada”.

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