Eric Helgas para The New York Times
Eric Helgas para The New York Times

Editora quer revolucionar mercado com lançamento de livros em miniatura

As obras têm o tamanho de um celular e podem mudar a maneira como as pessoas se relacionam com a leitura

Alexandra Alter, The New York Times

09 Novembro 2018 | 06h00

Como objeto físico e façanha da tecnologia, o livro impresso dificilmente pode ser aperfeiçoado. Sua forma praticamente não evoluiu desde que surgiu o manuscrito como uma alternativa atraente aos rolos de pergaminhos, há aproximadamente 2 mil anos.

Por isso, quando Julie Strauss-Gabel, presidente e editora da Dutton Books for Young Readers, descobriu os "dwarsliggers" - livrinhos minúsculos, horizontais, tamanho de bolso, que se tornaram populares na Holanda -, eles lhe pareceram uma revelação.

"Eu vi os livros e foi uma verdadeira descoberta", disse. "Comecei uma missão para encontrar uma maneira para podermos fazer isso nos Estados Unidos".

No mês passado, a Editora Dutton lançou sua primeira safra de minilivros, com quatro reedições de romances do autor John Green, que já é um best-seller. As minúsculas edições são do tamanho de um celular e não mais grossas do que um polegar, com papel fino como a casa de cebola. Eles podem ser lidos com uma mão só - o texto flui horizontalmente, e você pode virar as páginas para cima, como para olhar o celular.

Se tiver sucesso, a iniciativa  poderá reformular a paisagem das editoras e talvez até mudar a maneira como as pessoas leem.

Green sempre esteve familiarizado com os dwarsliggers, que ele viu pela primeira vez há vários anos, quando morava em Amsterdã. O formato se difundiu na Europa, e foram vendidos cerca de 10 milhões de exemplares, com miniedições de autores contemporâneos populares como Dan Brown, John Le Carré, Ian McEwan e Isabel Allende, assim como clássicos de Agatha Christie e F. Scott Fitzgerald.

As miniversões dos romances de Green - Quem É Você, Alasca?, O Teorema de Katherine, Cidades de Papel e A Culpa é das Estrelas - serão postos à venda a US$ 12 cada, ou US$ 48 a caixa nas principais redes de varejo nos Estados Unidos e também em livrarias independentes.

Ao longo dos séculos, as editoras experimentaram com brochuras menores, ocasionalmente com grande sucesso. Em 1939, a Pocket Books lançou brochuras tamanho de bolso no mercado de massa nos Estados Unidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, uma iniciativa para dotar tropas americanas com livros deu origem às Edições para as Forças Armados, pequenas brochuras que os soldados carregavam com seu equipamento.

Mas nas últimas décadas, a maioria dos avanços mais importantes no setor de editoração foram os livros digitais, como a evolução dos livros eletrônicos e o áudio digital.

Algumas editoras tentaram encolher livros impressos, procurando dar um novo formato a títulos em estoque, e convencer os leitores a comprarem novas edições de obras que já conhecem.

Conseguir edições em inglês de romances de Green que podem ser folheados com uma mão era complicado.  A editora holandesa Royal Jongbleod é a única no mundo que os produz, usando papel superfino, mas resistente, de uma fábrica da Finlândia. Os designers da Dutton experimentaram com fontes e espaçamentos diferentes.

"Na atual situação, milímetros são importantes", disse Julie Strauss-Gabel.

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