James Keivom para The New York Times
James Keivom para The New York Times

Em busca de impacto social, marcas patrocinam corredores ativistas

Em alguns casos, atletas amadores deixam seus empregos para correr em nome de uma causa

Jen A. Miller, The New York Times

05 de abril de 2019 | 06h00

Mina Guli nega quando alguém tem a audácia de dizer que ela é uma atleta. "Eu não me considero uma atleta", ela disse em Xangai. "Corredora? Também não sou uma corredora".

Naquele dia, ela acabara de correr uma maratona e se preparava para participar de outra no dia seguinte, e outra ainda um dia mais tarde. Seu objetivo é correr cem maratonas em cem dias para despertar a consciência dos problemas globais da água.

Não se trata de maratonas oficiais, mas de trajetos de 42,16 quilômetros que ela mapeou e documentou com fotos no Twitter, onde a hashtag #runningdry passou a significar algo concreto nos círculos das maratonas. Mas como ela consegue esta façanha?

Mina, 48, pertence a uma classe de corredores que atualmente aceitam patrocínio como os corredores de alto nível. Eles não ganham medalhas olímpicas, mas oferecem alguma coisa da qual as marcas de calçados querem participar.

Mina é patrocinada pela Reebok, que fornece equipamento, uma campanha da mídia sobre seu objetivo e, o que é talvez mais importante para a logística de sua meta, dinheiro. Ela não é inteiramente desconhecida - de fato, é a fundadora e diretora-executiva da Thirst, uma organização sem fins lucrativos que quer despertar a consciência sobre a crise global da água -, mas Mina não é uma estrela das redes sociais. Sua conta no Instagram tem apenas pouco mais de 3 mil seguidores, uma ninharia no universo dos influenciadores.

Em outras palavras, a Reebok não está apenas distribuindo produtos aos atletas em troca de belas fotos nos seus feeds no Instagram. Ao contrário, a Reebok e outras companhias procuram histórias exemplares na esperança de que sirvam de inspiração a outras pessoas. "Em última análise, elas querem poder contar uma história", disse Merhawi Keflezighi, fundador e presidente da HAWI Management, que representa atletas como seu irmão, o maratonista Meb, e o velocista paraolímpico Jarryd Wallace.

Recentemente, um vídeo de Justin Gallegos, um corredor com paralisia cerebral conseguindo um contrato com a Nike, viralizou. "Acho que isso define perfeitamente o que significa ser um atleta, disse Gallegos. "A pessoa pode ter todo o talento do mundo e não ter uma paixão".

Embora nenhum dos corredores entrevistados mencione os valores dos contratos por causa de acordos que proíbem este tipo de informação, Mirna Valerio, 43, que começou um blog intitulado "Fat Girl Running" em 2011, enquanto treinava para sua primeira maratona, disse que pôde deixar seu cargo de professora e dedicar-se integralmente ao esporte. "Ela se apaixonou pela ideia de ser uma pessoa de fora e poder testar e desafiar a si mesma", afirmou Strick Walker, da Merrell, uma de suas patrocinadoras.

Evidentemente, assim como os corredores de elite, os atletas do dia a dia enfrentam seus próprios riscos. Mina deveria correr sua 100.ª  maratonas em cem dias em Nova York, no dia 11 de fevereiro, mas fraturou o eixo femural direito, e só pôde correr 62. Ela foi à de Nova York acompanhada de outros corredores, e cruzou a linha de chegada, no Central Park, de muletas.

"Sou apenas uma pessoa normal que um dia decidiu influenciar de algum modo as pessoas deste mundo, e descobriu que correr era uma maneira de fazer isso acontecer", afirmou.

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