REUTERS/Amir Cohen
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Embaixada americana em Jerusalém estreita laços entre Israel e evangélicos 

Embaixador americano disse que os cristãos evangélicos dos Estados Unidos apoiam Israel

David D. Kirkpatrick, Elizabeth Dias e David M. Halbfinger, The New York Times

23 Maio 2018 | 15h00

Uma noite após a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, em 14 de maio, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com os evangélicos americanos para juntos planejarem os seus próximos passos.

Netanyahu agradeceu aos pastores e ativistas por terem pressionado o presidente Donald J. Trump a transferir a embaixada, contrariando uma política americana que vigorava há décadas, de acordo com a qual o status de Jerusalém deveria ser decidido em conversações de paz.

'Qual será a próxima embaixada a fazer o mesmo?', indagou Netanyahu, analisando uma lista de países com fortes igrejas evangélicas. Guatemala, Paraguai e Honduras já seguiram o exemplo dos Estados Unidos e anunciaram sua intenção de transferir suas embaixadas de Tel Aviv para Jerusalém; mas, e Brasil, Índia e mesmo China?

“O primeiro-ministro estava muito entusiasmado”, comentou Mario Bramnick, pastor cubano-americano de uma igreja pentecostal perto de Miami.

Concluindo dezenas de anos de lobby, a inauguração da embaixada em Jerusalém foi o principal reconhecimento público da crescente importância que o governo de Netanyahu atribui aos seus aliados cristãos conservadores, embora alguns deles tenham sido acusados de fazer declarações antissemitas.

Ainda que Israel dependa há muito tempo do apoio da diáspora judaica, o governo de Netanyahu realizou uma guinada histórica e estratégica, passando a depender da base muito maior formada pelos cristãos evangélicos, mesmo correndo o risco de afastar os judeus americanos, que talvez estejam apreensivos pelo fato de os evangélicos denegrirem a sua fé.

O paradoxo é bastante conhecido: a crença de muitos cristãos evangélicos de que Israel é um povo especial para Deus - e, para alguns, um indicador nas profecias do Apocalipse - fez com que muitos apoiassem agressivamente o Estado de Israel, embora reiterando, ao mesmo tempo, que a salvação só caberá aos que aceitam Jesus como o seu salvador.

Entretanto, os israelenses liberais alertam que os laços cada vez mais fortes entre a direita israelense e a direita cristã só contribuem para acelerar uma polarização que está tornando o apoio a Israel uma questão partidária em Washington; nenhum parlamentar democrata esteve presente na inauguração da embaixada.

Os israelenses liberais também observaram que o governo de direita de Netanyahu está muito mais vigilante a respeito das acusações de intolerância na esquerda política do que entre os seus partidários conservadores. “Há uma quantidade muito maior de eleitores evangélicos do que judeus”, afirmou o rabino David Sandmel, diretor do Engagement for the Anti-Defamation League. “Talvez o governo israelense afirme isto para não afastar este apoio, por isso não vamos colocar muita ênfase nessa ou naquela declaração que considerarmos problemática”.

Este tipo de compromisso foi destacado de maneira muito clara quando Robert Jeffress, partidário de Trump e pastor de uma mega-Igreja Batista do Sul, de Dallas, advertindo que “você não se salva automaticamente por ser judeu”, fez uma oração na inauguração da embaixada.

Em sua oração, ele aludiu às profecias bíblicas que falam da Segunda Vinda, referindo-se à fundação do moderno Estado de Israel, há 70 anos, como uma “reunião” do povo de Deus. E encerrou a oração “no nome e no espírito do Príncipe da Paz, Jesus nosso Senhor”, um adendo cristão.

O reverendo John C. Hagee, um tele-pregador que deu a bênção de encerramento, disse que “o Holocausto aconteceu porque “a principal prioridade de Deus para o povo judeu é fazer com que volte à terra de Israel”, um prelúdio da Segunda Vinda.

David M. Friedman, o embaixador americano em Israel que presidiu a inauguração da embaixada, disse que os cristãos evangélicos “apoiam Israel com um fervor e uma dedicação muito maior do que muitos membros da comunidade judaica”.

Muitos israelenses, principalmente os de direita, minimizam as crenças dos seus aliados cristãos como uma questão teórica. Quando o Messias chegar, segundo uma piada muito antiga, perguntaremos a ele se esta é a sua primeira ou segunda vinda.

O embaixador Friedman explicou que convidou Jeffress e Hagee porque “são dois dos líderes mais seguidos da comunidade evangélica, e eu queria homenagear a comunidade por ter-se demonstrado tão construtiva em sua contribuição para que esta iniciativa  pudesse avançar”.

Netanyahu convidou mais de cem visitantes de prestígio no Ministério do Exterior para uma comemoração na véspera da instalação da embaixada e agradeceu publicamente a Hagee por seu constante apoio a Israel.

“Conheço o primeiro-ministro há muitos anos e me orgulho de poder chamá-lo de amigo”, disse Hagee em um e-mail, definindo-o, “sob muitos aspectos, o Churchill do nosso tempo”.

Elie Prieprz, judeu ortodoxo que representa uma organização de colonos judeus da Cisjordânia, disse: 

“Se existe uma pessoa que ajudou Israel e os judeus do mundo a levantar dinheiro e reunir apoio político, é o pastor Hagee”.

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