Bryan Anselm para The New York Times
Bryan Anselm para The New York Times

Empresa canadense reinventa conceito de venda de livros

A rede de livrarias Indigo criou dezenas de produtos relacionados ao prazer da leitura, como colchonetes, velas perfumadas, quadros e almofadas

Alexandra Alters, The New York Times

21 de maio de 2019 | 06h00

Há cerca de dez anos, Heather Reisman, diretora executiva da maior cadeia de livrarias do Canadá, estava tomando chá com a romancista Margaret Atwood quando esta, sem querer, lhe deu uma ideia. Margaret comentou que pretendia voltar para casa, vestir uma meia confortável e se enfiar em uma poltrona para ler um livro.

Heather pensou que parecia uma coisa bastante atraente. Não muito tempo depois, sua companhia, a Indigo, criou sua própria marca de “meias felpudas para ler”. E rapidamente elas se tornaram um dos principais itens para presente da Indigo. Nos últimos anos, a Indigo criou dezenas de outros produtos, como colchonetes de praia, velas perfumadas, quadros, kits para jardinagem, taças de champagne sem haste, almofadas e lenços.

Pode parecer estranho que uma cadeia de livrarias crie e venda tigelas de sopa artesanais e macacões de algodão orgânico para bebês. Mas a estratégia da Indigo não só parece inovadora como é também crucial para o seu sucesso. Atualmente, tornou-se difícil sustentar o conceito da superloja, com espaços de varejo abarrotados para armazenar 100 mil títulos, na era do varejo online, quando é impossível concorrer com a vasta seleção da Amazon.

A Indigo está se posicionando como “loja de departamentos cultural”, onde os clientes que vasculham entre os livros nas seções destinadas à alimentação, bem-estar e decoração de interiores também compram chinelos de caxemira, ou um conjunto de facas que vem junto com um livro de cozinha Paleo.

Agora, está exportando a estratégia da Indigo para os Estados Unidos. No ano passado, abriu a sua primeira loja americana, em um shopping em Nova Jersey, e há planos para mais lojas. Os livros ainda representam mais de 50% das vendas. Mas também servem para outra finalidade: oferecer uma janela sobre os interesses dos consumidores, de maneira a tornar mais fácil criar e vender produtos relacionados.

Quando Heather abriu a sua primeira loja Indigo em Burlington, Ontario, em 1997, muitos questionaram se ela poderia concorrer com a maior livraria do Canadá, a Chapters. Anos mais tarde, a Indigo se fundiu com a Chapters, herdando as suas lojas. Hoje, tem mais de 200 pontos de venda no Canadá. A Indigo abriu sua primeira loja em 2016, depois de uma reforma.

Em seu exercício fiscal de 2017, a receita da companhia superou pela primeira vez o total de um bilhão de dólares canadenses. E no exercício fiscal de 2018, a Indigo registrou um aumento da receita de cerca de 60 milhões de dólares canadenses em relação ao ano anterior, o exercício mais lucrativo da história da cadeia de lojas.

Em sua mais recente declaração de lucros trimestral, a Indigo registrou uma queda do faturamento de mais de U$ 7 milhões e um decréscimo do lucro bruto de cerca de U$ 16 milhões em relação ao ano anterior. Entre os motivos, há uma greve dos Correios no Canadá, aumentos do salário mínimo e reformas de lojas.

O fato de a companhia predominar no Canadá não garante que prosperará nos Estados Unidos, onde precisa competir com Amazon e Barnes & Noble, e uma nova onda de livreiros independentes. No entanto, Heather é otimista. “Criamos a nossa própria estratégia para atrair clientes”, afirmou”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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