Cole Wilson para The New York Times
Cole Wilson para The New York Times

Empresário turco compartilha o 'sonho americano' com imigrantes e refugiados

Hamdi Ulukaya chegou aos EUA em 2007 com US$ 3 mil e hoje é dono de um império de iogurte grego

David Gelles, The New York Times

03 Setembro 2018 | 10h00

Hamdi Ulukaya chegou aos Estados Unidos em 1994 com US$ 3 mil no bolso. Este imigrante da Turquia tinha a esperança de aprender inglês e encontrar um futuro em um país novo.

Hoje, Ulukaya é um bilionário. A Chobani, empresa que fabrica iogurte grego e fundada por ele em 2007, registra vendas anuais de cerca por US$ 1,5 bilhão. E ele é o dono da maior parte da companhia de capital fechado do país.

Começando com uma empresa pequena que comprava queijo feta, Ulukaya adquiriu uma fábrica de iogurte abandonada no Estado de Nova York. Poucos anos mais tarde, a Chobani já era muito popular, e à medida que foi crescendo, seu proprietário passou a contratar refugiados, política por causa da qual acabou entrando em conflito com comentaristas da extrema direita.

A entrevista a seguir foi condensada e editada para maior clareza.

Pergunta: Descreva a sua infância.

Resposta: Passei minha infância em meio a pastores. Se um lobo atacava um rebanho e seu pastor perdia todas as ovelhas, cada família levava uma ovelha para ele, e no dia seguinte o pastor tinha todas as suas ovelhas de volta.

P: Como chegou aos Estados Unidos?

R: Eu me tornei um ativista curdo e logo tive problemas com o governo. Um dia pensei, "preciso ir embora". Fui para a universidade, eles me deram um visto, e em 1994 já estava aqui, com uma malinha e US$ 3 mil no bolso.

P: Como nasceu a Chobani?

R: Um dia, vi o anúncio de uma fábrica de iogurte que estava à venda por US$ 700 mil. A Kraft estava fechando a fábrica. Então meu advogado disse que eles procuram um idiota para se livrar daquilo. Se achassem que a fábrica valia alguma coisa, não a teriam fechado. Mas eu não conseguia dormir. Chamei o advogado de volta e disse, "Não sei o que é, mas acho que posso fazer alguma coisa com esta fábrica”. No dia 17 de agosto de 2005, eu estava com as chaves na mão.

P: Por que o nome Chobani?

R: Significa "pastor".

P: Qual era a sua parcela no mercado de iogurte grego?

R: Menos da metade de 1%.

P: E hoje?

R: Mais de 50%. De 2007 a 2012, passamos de alguns funcionários para milhares. E de zero a US$ 1 bilhão em vendas.

P: Recentemente, o senhor distribuiu ações aos empregados. Por quê?

R: Um dos meus primeiros sonhos era fazer desta companhia um lugar onde todo mundo fosse sócio, e eles mereciam uma parte do que ajudaram a construir.

P: Por que o senhor contratou refugiados?

R: Eu morei em Utica, e ouvia falar que havia pessoas vindas de várias partes do mundo que estavam se estabelecendo na cidade. Uma das principais dificuldades que eles têm é de encontrar emprego. Então, disse, "Muito bem, vamos procurar uma solução para essa coisa". Agora, na Chobani tem gente de 19 países - de 500 a 600, vinte por cento de nossos empregados. Na fábrica, são várias as línguas. É como a ONU.

P: Nos Estados Unidos, fala-se que a intolerância está aumentando. Podemos mudar isso?

R: Neste país ainda existe esta magia. É uma coisa que não pode ser ensinada às pessoas. Nem pode ser implementada pelo sistema político. Existe esta coisa inexplicável no ar. Se for arruinada, será muito triste.

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