Nanna Heitmann para The New York Times
Nanna Heitmann para The New York Times

Empresas investem bilhões em campo petrolífero no Cazaquistão

Previsão é que local se mantenha em intensa atividade por dezenas de anos

Stanley Reed, The New York Times

21 de setembro de 2019 | 06h00

CAMPO PETROLÍFERO DE TENGIZ, CAZAQUISTÃO - Em uma terra de desertos de sal e cavalos selvagens, varrida pelo vento, investidores estão despejando dinheiro em um dos maiores e lucrativos campos petrolíferos fora do Oriente Médio. O petróleo é bombeado nesta planície remota desde o início dos anos 1990 a um ritmo que, a esta altura, já teria esgotado outros campos. No entanto, o óleo continua brotando, e há muito ainda a ser explorado.

As operadoras do campo, lideradas pela gigante americana Chevron, empreenderam uma expansão na esperança de aumentar a produção em cerca de 50%, para um milhão de barris diários. A previsão é que o campo petrolífero se mantenha em intensa atividade por dezenas de anos. Mas a demanda mundial de petróleo começa a se reduzir. Resta então a pergunta: Será uma estratégia inteligente gastar US$ 37 bilhões neste projeto?

Cerca de 48 mil pessoas, na maioria cazaques, trabalham nas obras. Peças de equipamentos que pesam centenas de toneladas - enormes seções de estações elétricas e unidades de processamento de petróleo - chegam diariamente das fábricas na Itália, Coreia do Sul e Turquia. Depois de uma viagem por vias fluviais da Rússia até um porto do Mar Cáspio, as peças percorrem 60 quilômetros por terra até o local.

As obras demorarão ainda cerca de três anos até a conclusão, mas o campo já proporciona cerca de 25% da receita nacional do Cazaquistão, país de 19 milhões de pessoas. A expansão de Tengiz pareceu uma aposta certa para a Chevron porque no passado o campo sempre teve uma excelente produção.

No entanto, o projeto continua sendo uma aposta. O gelo no Mar Cáspio poderá deter os embarques de equipamentos, deixando os trabalhadores ociosos. O progresso das obras exige também que persistam as boas relações com Moscou. O equipamento com destino a Tengiz é transportado por rios russos, e o petróleo bruto de Tengiz é embarcado em um porto russo no Mar Negro.

A companhia russa Lukoil é uma parceira da joint venture, conhecida como Tengizchevroil, assim como a KazMunayGas, a companhia nacional de petróleo do Cazaquistão. O país também  poderá decidir o seu acordo com a Chevron, e a Exxon Mobil, outra companhia americana na Tengizchevroil, também é favorável às companhias. Além disso, uma grande aposta é a contratação e o treinamento de dezenas de milhares de trabalhadores, assim como a preservação da paz  entre operários de várias etnias.

Os cazaques queixaram-se do salário e das condições de trabalho em comparação com as dos estrangeiros que estão sendo trazidos para cá. Para jovens profissionais cazaques, o projeto representa uma rara oportunidade. Togzhan Abdeshova, 29, começou a trabalhar em Tengiz depois da faculdade, em 2011, antes do início da expansão, e está recebendo treinamento em engenharia da Chevron. “Esta experiência nos ajudará a trabalhar em qualquer outra fábrica no mundo”, afirmou.

Os temores a respeito do clima aceleram a mudança para a energia alternativa, e poderão enfraquecer a demanda de petróleo, mas para a Tengizchevroil, os lucros potenciais superam os riscos. Um dos motivos é o fato de que campos do tamanho de Tengiz, estimado em 11 bilhões de barris de óleo recuperável, são raros.

Embora as estepes pareçam áridas, elas alimentam a vida selvagem. Nuvens de borboletas pintadas, cor de laranja, dirigem-se  para a Europa do norte, enquanto cavalos selvagens perambulam pelas instalações do campo. Os biólogos monitoram o impacto das obras de escavação sobre as focas e os pássaros. Para os veteranos do setor, Tengiz parece um último grito de comemoração. “Este é o nosso pátio de recreio”, afirmou Jay Pence, gerente de construção de Port Arthur, Texas. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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