Giulia Marchi para The New York Times
Giulia Marchi para The New York Times

Empresas tentam impedir que a Amazon domine o setor de supermercados

As maiores varejistas do mundo começaram a implementar a automatização dos supermercados para concorrer com a Amazon Go, loja de conveniência experimental da companhia

Nick Wingfield, Paul Mozur e Michael Corkery, The New York Times

13 Abril 2018 | 15h00

SEATTLE - Para ver como é o interior dos supermercados onde sensores e a inteligência artificial substituíram praticamente os funcionários, os consumidores teriam de ir para a Amazon Go, a loja de conveniência experimental da varejista da internet, no centro de Seattle.

Mas dentro em breve, empresas mais avançadas em termos de tecnologia, como a Amazon Go, poderão ir até eles.

Ocorre neste momento uma corrida global para a instalação de lojas automatizadas em várias das maiores varejistas do mundo e nas pequenas startups de tecnologia, empenhadas em cortar os custos da mão de obra e minimizar as frustrações dos consumidores, por exemplo, a de esperar pelo caixa. Além disso, elas tentam impedir que a Amazon domine o universo físico do varejo, como acontece atualmente nas compras online.

As companhias começaram a testar robôs que mantêm as prateleiras abastecidas de produtos, assim como aplicativos que permitem que os compradores paguem suas compras com um smartphone.

A China, onde as companhias de comércio eletrônico são bastante ambiciosas, está despontando como um lugar particularmente fértil para estas experiências no setor de varejo.

Se conseguirem, as novas tecnologias deverão aumentar a incerteza da força de trabalho no comércio, que já é flutuante por causa do crescimento das compras online. Uma análise realizada no ano passado pelo Fórum Econômico Mundial mostrou que 30% a 50% dos empregos no varejo, em todo o mundo, podem estar ameaçados uma vez que tecnologias como os caixas automatizados para o pagamento das compras nos supermercados sejam adotadas em geral.

Além disso, estas inovações suscitaram temores entre os que pesquisam a questão da privacidade por causa das quantidade de dados que as varejistas têm a possibilidade de reunir sobre o comportamento dos consumidores quando eles digitam sua localização. No interior do Amazon Go, as câmeras nunca perdem de vista os consumidores que entram na loja.

A inauguração da Amazon Go, em janeiro, foi alarmante para muitos varejistas, que puderam constatar a disposição repentina da Amazon de usar o seu poderio tecnológico de outras maneiras.

Na China, um experimento do gênero foi realizado por uma cadeia de mais de 100 lojas de conveniência sem funcionários de uma startup chamada Bingo Box. Os consumidores escaneiam um código em seus celulares para entrar e escaneiam os itens que querem comprar. A loja abre a porta de saída depois que eles pagam por meio dos seus telefones.

O Alibaba, uma das maiores empresas de internet da China, inaugurou 35 de suas mercearias automatizadas Hema, que unem encomendas online ao pagamento automatizado. Os clientes escaneiam as suas lojas nos pontos em que onde efetuam o pagamento eletrônico usando o reconhecimento facial, enquanto os pacotes das compras das lojas encomendadas online flutuam sobre a sua cabeça em esteiras rolantes, e se dirigem a uma plataforma para a entrega.

A JD, outra grande varejista de internet da China, informou em dezembro que está construindo centenas de lojas de conveniência sem funcionários. As empresas colocam chips legíveis nos produtos a fim de automatizar o processo de pagamento.

Nos Estados Unidos, a Walmart, a maior varejista do mundo, testa robôs Bossa Nova, que se deslocam para cima e para baixo nos corredores, à procura das prateleiras onde as caixas de cereais matinais estão esgotadas e dos itens que estão rotulados errado. As máquinas então informam os funcionários presentes, que cuidam de renovar os estoques nas prateleiras e aplicar novos rótulos.

Algumas empresas varejistas tradicionais se mostram céticas quanto à possibilidade de o tipo de automação da Amazon Go ser adotada em grandes lojas. Elas afirmam que a tecnologia talvez não funcione ou não seja eficiente do ponto de vista dos custos, salvo uma pequena.

Mas Chris Hjelm, vice-presidente executivo da cadeia de supermercados Kroger, disse que é apenas uma questão de tempo para mais câmeras e sensores se tornarem comuns nas lojas. “Daqui a alguns anos”, afirmou, “estas tecnologias serão uma coisa corriqueira”.

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