Delil Souleiman/Agence France-Presse - Getty Images
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Enfraquecido, Estado Islâmico defende o território que lhe restou

Grupo terrorista ainda conta com algo entre 20 mil e 30 mil homens no Iraque e na Síria

Falih Hassan e Rod Nordland, The New York Times

13 Dezembro 2018 | 06h00

BAGDÁ - O Estado Islâmico foi expulso de praticamente todo o território que chegou a governar e foi duramente golpeado pelos ataques aéreos. Mas o grupo extremista consegue manter sob seu controle um pequeno território na fronteira entre Iraque e Síria há mais de um ano. Os militantes chegaram até a organizar contra-ataques a partir de seu reduto, perto da cidade síria de Hajin. Na última semana de novembro, eles tentaram reverter a situação, atacando as Forças Democráticas da Síria, aliadas dos Estados Unidos, em Gharanij.

O major-general Patrick Roberson, comandante das forças americanas, disse que o Estado Islâmico se aproveitou do mau tempo e das tempestades de areia, que impossibilitaram os ataques aéreos. “Conforme reduzimos as capacidades deles e os encurralamos num espaço cada vez menor, o Estado Islâmico continua a recorrer a medidas cada vez mais desesperadas. Essas táticas não vão funcionar.”

Entretanto, Maxwell B. Markusen, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, alertou num relatório de novembro: “Políticos americanos e iraquianos se apressaram em declarar a vitória contra o grupo, usando termos como ‘derrotados’ e ‘obliterados’. O Estado Islâmico não acabou".

Em 2014, o Estado Islâmico dominava uma área no Iraque e na Síria do tamanho da Grã-Bretanha. Já em novembro de 2017, a área tinha sido reduzida para o tamanho de Manhattan. Mas os extremistas montaram barricadas nas estradas da província de Diyala, no Iraque, sequestrando e matando funcionários do governo e iniciando tiroteios contra soldados, de acordo com as autoridades.

Markusen disse que os ataques do Estado Islâmico no Iraque são mais frequentes esse ano do que em 2016, passando de 60 para 75 por mês. E embora milhares dos seus combatentes tenham sido mortos ou capturados no ano passado, o grupo ainda conta com algo entre 20 mil e 30 mil homens no Iraque e na Síria, disse ele. Esse número é praticamente o mesmo estimado pela CIA em 2014, quando o grupo estava no auge do seu poder.

Um combatente que responde pelo nome de Yehya e diz integrar o Estado Islâmico afirmou pelo WhatsApp a partir da Síria que não tinha perdido a vontade de lutar por causa dos recuos. “Acha que os americanos podem derrotar o califado?”, disse ele. “Esta é uma guerra de atrito. Assim que a coalizão interrompe os ataques aéreos, estamos de volta imediatamente.”

Em setembro, as Forças Democráticas da Síria anunciaram que uma “ofensiva final” contra o que resta do Estado Islâmico em Hajin estava em andamento. Autoridades americanas dizem que é difícil impor ao grupo uma derrota definitiva porque, encurralados, os combatentes nada têm a perder. Embora o exército tenha calculado que o EI tenha apenas algo entre 2 mil e 2,5 mil homens na região de Hajin, o general Roberson disse que eles tiveram tempo de sobra para montar defesas elaboradas.

Representantes dos EUA e das Forças Democráticas da Síria acusaram os militantes de usar como escudos humanos os civis que restam na área - aproximadamente 7 mil, de acordo com as Nações Unidas. O grupo de monitoramento humanitário Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse que, desde o início da “ofensiva final”, em setembro, 827 combatentes do Estado Islâmico e 481 combatentes das Forças Democráticas da Síria foram mortos, bem como 308 civis. O grupo responsabilizou os ataques aéreos pela maioria das mortes de civis, algo que a coalizão nega.

Os combatentes extremistas também conseguiram desaparecer na clandestinidade em áreas que já dominaram.  

“Agora eles começaram com os ataques solitários, organizados por células de três ou quatro pessoas", disse o tenente-general Mizhir Al-Azzawi, do exército iraquiano, comandante das operações em Diyala. “Ainda estamos na Síria, mesmo nas regiões das quais vocês pensam que nos expulsaram", disse Yehya. 

“Nossos homens-bomba continuam prontos para o ataque. Nossos informantes estão ativos.”

Hwaida Saad e Rukmini Callimachi contribuíram com a reportagem.

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