Brandan Bannon para The New York Times
Brandan Bannon para The New York Times

Equipes pequenas podem ser mais inovadoras, aponta pesquisa

Estudo aponta que grupos menores tiveram maior probabilidade de produzir descobertas

Benedict Carey, The New York Times

02 de março de 2019 | 06h00

A ciência moderna é, em grande parte, um esporte de equipe. Nas últimas décadas, a formação destas equipes foi mudando, de pequenos grupos de colaboradores para operações consorciadas cada vez maiores. Responder a grandes indagações frequentemente exige que cientistas e instituições unam recursos e dados. Mas esta mudança levou os cientistas a avaliar os méritos dos pequenos grupos em relação aos grandes.

Agora, os investigadores descobriram que quanto menor é a equipe de pesquisa que trabalha em um problema, é mais provável que ela produza soluções inovadoras. Os grandes consórcios ainda são importantes motores de progresso, mas são os mais adequados para confirmar ou consolidar as novas descobertas, em vez de gerá-las.

Os resultados podem ter amplas implicações para cada investigador, para os centros acadêmicos que os empregam e as agências do governo que fornecem a maior parte do financiamento. No estudo, os investigadores analisaram as seleções de três amplos bancos de dados: a Web of Science, que usa mais de 42 milhões de artigos publicados desde 1950; o Departamento de Marcas e Patentes dos Estados Unidos, com cinco milhões de patentes concedidas desde 1976; e a GitHub, com 16 milhões de projetos de software postados desde 2011.

Os pesquisadores encontraram um padrão bastante claro: grupos menores tiveram maior probabilidade de produzir novas descobertas do que grupos maiores. Estas novas contribuições em geral levaram um ano aproximadamente para vingar, depois de que as equipes de pesquisa maiores tiveram o trabalho de consolidar as ideias e confirmar as evidências.

“Pode-se perguntar o que é grande e o que é pequeno”, disse James A. Evans, um sociólogo da Universidade de Chicago que dirigiu o estudo. “A resposta é que esta relação se mantém independentemente de onde foi feito o corte: entre uma pessoa e duas, entre 10 e 20, entre 25 e 26”.

Ela se mantém em todos os campos da ciência, seja na física, psicologia, ciência da computação, matemática ou zoologia. “Vemos isto no campo e nos tópicos. E dois terços do efeito encontrado ocorrem no indivíduo. O que significa que se eu estou escrevendo um artigo, com um parceiro, ou dois, o resultado é menos desagregador com cada pessoa que eu acrescento”.

Os psicólogos constataram que pessoas que trabalham em grupos maiores tendem a gerar menos ideias do que quando trabalham em grupos menores, ou quando trabalham sozinhas, e se tornam menos receptivos a ideias de fora. Por que motivo isto acontece não está totalmente claro, mas é algo que vai contra a intuição, afirmou Suparna Rajaram, professora de psicologia da Stony Brook University, perto de Nova York.

“Constatamos que o produto de três indivíduos trabalhando separadamente é maior do que se estas três pessoas colaborassem como um grupo”, disse Rajaram. “Em um ‘brainstorm’, as pessoas produzem menos ideias quando trabalham em grupo do que quando trabalham isoladamente”.

Segundo Rajaram, há vantagens em trabalhar em grupos. Com o tempo, os seus integrantes aprendem muito um do outro, e incorporam este conhecimento. “Mas acima de tudo, este novo estudo proporciona resultados em uma grande escala que se coadunam com os princípios básicos do nosso trabalho”, acrescentou.

O estudo sugere que talvez seja necessário um novo tipo de enfoque do financiamento, que assuma mais riscos e gaste tempo e dinheiro apoiando indivíduos promissores e pequenos grupos, afirmou Evans. “Vejam isto como os capitalistas de risco. Eles preveem uma taxa de sucesso de 5%, e tentam minimizar a correlação entre as operações que financiam. Eles têm um portfólio que lhes dá um grau maior de tolerância ao risco, e também compensações maiores”.

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