King's College
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Escolas privadas são atingidas pela incerteza do Brexit

As escolas do King's Group, na Grã-Bretanha, e no exterior estão lutando para planejar o impacto do Brexit na matrícula de estudantes

Amie Tsang, The New York Times

03 de junho de 2019 | 06h00

LONDRES - Durante anos, o Dover College, na costa sudeste da Inglaterra, atraiu estudantes de verão de todo o Canal da Mancha com pais dispostos a pagar para seus filhos aprenderem inglês em um ambiente de internato. O Brexit mudou isso. As matrículas diminuíram e o diretor Gareth Doodes ajustou seu orçamento futuro em antecipação a uma nova realidade.

"Mudei meu modelo de negócios", disse Doodes, cuja escola tem cerca de 300 alunos e internos. "Agora temos mais alunos que vêm até nós de países de fora da União Europeia do que antes".

O debate interminável sobre como a Grã-Bretanha deixará a União Europeia pode continuar até outubro, o último prazo do Brexit. Mas mais de 2 mil escolas particulares na Grã-Bretanha e milhares de campi no exterior estão envolvidas em debates sobre a melhor maneira de se preparar para uma população modificada.

As escolas britânicas têm atraído estudantes da Ásia, e algumas podem até se tornar uma aquisição atraente para investidores estrangeiros de lugares como Índia e China. Algumas escolas fazem suas apostas abrindo campi no exterior, de acordo com a organização nacional Independent Schools Council.

"Definitivamente há um movimento em fase de preparação", disse Colin Bell, diretor-executivo do Conselho de Escolas Internacionais Britânicas, rede que planeja começar a treinar professores em cidades como Bruxelas. "Há um sentimento desconfortável sobre o Brexit. Há alguma preocupação com a percepção de que o Reino Unido não receberá mais estrangeiros", acrescentou.

Beate Schweighofer, austríaca e mã de três filhos que viveu na Grã-Bretanha por uma década, começou a ter dúvidas após a votação em 2016 sobre deixar a União Europeia. "Sentimos que essa abertura, que tanto valorizamos no Reino Unido, estava contaminada", disse Beate.

Ela também acreditava que o Brexit iria prejudicar a economia e espremer o financiamento para escolas públicas, incluindo a que um dos filhos frequentava. Beate e seu marido tinham a impressão de que eles criariam seus filhos "em uma sociedade que está em um ponto de ruptura para muitos dos serviços que são importantes". Então, ela deixou o emprego para buscar trabalho em Frankfurt, onde seu marido, negociador de um banco internacional, poderia ser transferido e onde seus filhos frequentariam uma escola particular.

Mas educadores em Frankfurt e Amsterdã também descobriram que o Brexit é uma complicação. As escolas privadas que antecipam matricular os filhos de pais transferidos não sabem ao certo quantas crianças devem esperar, quantos anos terão ou quando aparecerão. Muitas escolas já estão com excesso de matrículas. A Escola Americana de Haia tem uma lista de espera e está tentando expandir suas instalações.

O King's College, parte de uma aliança de escolas na Espanha, Panamá, Letônia e Grã-Bretanha, abriu um campus em Frankfurt no verão passado. A mudança para a Alemanha antecedeu o Brexit.

"A verdade é que o Brexit foi um incentivo porque as chances eram, e ainda são, de que Frankfurt poderia ser o maior beneficiário de qualquer êxodo que ocorra", disse Nicholas Fry, vice-presidente do King's Group.

Escolas como a King's College também estão competindo por professores com instituições em Dubai, Cingapura e China que oferecem pacotes de remuneração mais lucrativos. Segundo Fry, os salários vão subir, então é provável que "as margens caiam".

Em Xangai, Fraser White, presidente e fundador do Dulwich College International, vem monitorando o movimento na Europa. Seu grupo, ligado a uma escola particular de Londres com o mesmo nome, tem escolas em toda a Ásia e está buscando expansão.

"A Europa se tornou mais atraente do que antes como um lugar para construir nossas escolas", disse White. "Estou realmente esperando para ver o que acontece com o Brexit." / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

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