Ruth Fremson/The New York Times
Depois do auge nos anos 1960 e 1970, o balonismo volta a fascinar mais jovens nos Estados Unidos. Ruth Fremson/The New York Times

Uma nova geração de balonistas emerge nos Estados Unidos

Um novo programa do estado de Washington visa introduzir o antigo esporte a uma nova – e mais diversa – classe de aeronautas

Kirk Johnson, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2021 | 05h00

ENUMCLAW, Wash. – A cerca de 3000 pés de altura, logo após o nascer do sol em uma manhã recente, McKenna Secrist alcançou a borda de uma gôndola de vime com estrutura de metal e lançou um punhado de pipocas para testar o vento. Ao invés de cair com a gravidade, os pequenos grãos brancos subiram e foram para longe, revelando a corrente de ar e a velocidade da descida de seu balão enquanto ela se preparava para pousar. 

 “Cada voo de balão é uma aventura porque você usa os ventos para navegar para onde quiser”, ela disse. “Em um balão você também está se movendo tão lentamente, e tem, tipo, uma visão 360 graus do mundo, e isso realmente lhe traz perspectiva”.

Secrist, 21, é uma das mais jovens pilotas de balões comerciais de ar quente do país. Ela foi picada pelo bichinho do balonismo cedo, ela disse, antes que consiga se lembrar. Ela começou como voluntária em uma equipe de apoio aos 9 anos e comprou seu próprio balão aos 15 com economias próprias e alguma ajuda de seus pais. Ela obteve uma licença comercial aos 18.

Há muito tempo os entusiastas dos balões esperam que ela seja a vanguarda de uma nova onda de interesse em um esporte ameaçado pelo envelhecimento de uma geração mais velha, que abraçou o balonismo em sua última grande onda nas décadas de 1960 e 1970.

Um novo programa criado para recrutar uma próxima geração – e uma que inclua mais mulheres e pessoas não brancas – é parte das esperanças do estado de Washington. Mas um poço mais profundo de entusiasmo, os balonistas dizem, vem de algo difícil de definir, na esteira do crescimento do interesse no esporte desde que a pandemia de covid-19 alterou os padrões de vida americanos.

“Toda vez que eu voo, tenho vontade de ter meu próprio balão”, disse Cooper Dill, um aluno do último ano do ensino médio que fez recentemente um treino de voo com Secrist, operando os queimadores de propano pela segunda vez. Ele e seu amigo, Aidan Hughes, ambos de 17 anos, estão economizando para comprarem um balão juntos. Dill até vendeu sua amada caminhonete para levantar sua parte do dinheiro. O momento é propício: com muitos balonistas mais velhos se aposentando e vendendo seu equipamento, um balão usado em bom estado com todos seus componentes, embora ainda caro, pode custar no mínimo de US$ 10.000 a US$ 20.000. (Um novo balão com a capacidade de carregar um piloto e de dois a três passageiros pode custar US$ 40.000 ou mais.)

Mandy Johnson, uma antiga aeronauta e professora de balonismo em Washington, disse que sua lista de novos alunos está maior esse verão do que em qualquer outra época em 25 anos, e dois terços deles têm de 20 a 35 anos.   

“E cerca de metade são mulheres, o que é muito, muito bom”, Johnson disse.

Quando não está pelos ares, Eliav Cohen, piloto chefe da Seattle Ballooning – que também emprega Secrist como pilota – dirige uma empresa de tecnologia. Ele é considerado um dos líderes do país na tentativa de injetar sangue novo no esporte. Ele começou um programa esse ano para recrutar jovens e chamou a atenção da Amazon Studios, que lançou Os aeronautas em 2019, um filme sobre os primeiros tempos do balonismo. A companhia viu uma oportunidade de promoção e deu ao grupo de Cohen uma réplica do "Mammoth", o balão do filme, para que os alunos pudessem usar. Agora ele está trabalhando com o Muckleshoot Indian Tribe e o King County na região de Seattle para recrutar mais alunos de origens econômicas e raciais diversas.

Na região de Seattle, as correntes de ar são determinadas pelo Monte Rainier, a massa que domina o horizonte. De noite, o ar de baixa altitude flui em direção ao monte a quilômetros de distância, empurrando os balões ao longo de um rio que, geralmente, é confiável. Pela manhã, conforme o sol aquece a Cordilheira das Cascatas, o ar frio desce e se afasta da montanha. (O Albuquerque Box no Novo México é outra famosa anomalia do vento.) Mas a generalização funciona onde quer que esteja: se você conseguir dominar as correntes de ar, sabendo quando ir para cima ou para baixo para pegar uma corrente principal, você pode, mais ou menos, prever seu percurso.

Mas talvez o grande charme do balonismo seja o fato de nunca termos certeza. Porque o ar está diferente todos os dias, você nunca sabe ao certo onde conseguirá pousar. Sendo assim, como parte de sua preparação para os voos, Cohen bate nas portas de toda zona rural de Washington cerca de uma hora ao sul de Seattle, perguntando – caso exista a necessidade – se o dono da propriedade se incomodaria muito ao ver um belo balão pousar em seu campo. A maioria das pessoas, ele disse, fica feliz em ajudar. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

The New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times

Tudo o que sabemos sobre:
balãobalonismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.