Jane Hahn para The New York Times
Jane Hahn para The New York Times

NBA investe na África em busca de novos talentos

No Senegal, governo local construiu um estádio de basquete com capacidade para 15.000 assentos

Sarah Maslin Nir, The New York Times

13 de setembro de 2019 | 06h00

SALY, Senegal - Embora já tivesse 198 centímetros de altura quando chegou aos 14 anos de idade, na primeira vez em que um aspirante a astro do basquete no Senegal pegou na bola pela primeira vez, os amigos se mostraram céticos: nessa região de apaixonados pelo futebol, por que dar atenção a uma bola que se enterra na cesta em vez de chutar, como fazem todos?

“No começo, meus amigos pensaram que eu era esquisito", disse Mouhamed Lamine Mbaye, atualmente com 18 anos e 205 centímetros de altura, falando da quadra de uma nova academia de basquete, a primeira construída pela Associação Nacional de Basquete (NBA) na África Ocidental.

“O basquete era apenas uma paixão", disse Mbaye. “Mas, quando comecei a levar o esporte a sério, percebi que tinha habilidade.”

A NBA se interessou particularmente pela região - injetando muito dinheiro nela - conforme o basquete vive um momento de grande interesse depois de anos na sombra do futebol.

A NBA planeja criar um novo campeonato, a Africa League, e construiu instalações de treinamento para jovens, tanto do tipo permanente quanto atividades temporárias para identificar e aprimorar novos jogadores de todo o continente. Olheiros de times americanos e europeus chegaram na esteira da iniciativa, ansiosos pela oportunidade de descobrir novos talentos, e foram construídos reluzentes ginásios, à espera de novas jogadas de alto nível.

O jogador senegalês Amadou Gallo Fall foi descoberto em uma atividade de treinamento por um voluntário do Corpo da Paz nos anos 1990, jogando pela Universidade do Distrito de Columbia, em Washington. Fall, que já foi vice-presidente do braço africano da NBA, foi nomeado presidente da Africa League, e as partidas devem começar no ano que vem.

“Há uma grande oportunidade para criar algo realmente autêntico para a África, abrigando o grande talento que existe", disse Fall. A ideia é reforçar o caminho dos jogadores para a NBA e criar uma paisagem sólida para o basquete na África.

O governo do Senegal construiu a Arena Dacar, estádio de basquete com capacidade para 15.000 assentos, inaugurado na capital este ano.

A NBA Africa Academy foi construída dois anos atrás em Saly, a cerca de uma hora de Dacar. É um centro de treinamento para jogadores promissores com idades entre 14 e 18 anos, vindos de toda a África Ocidental. Os 21 participantes da turma atual recebem ensino médio e instrução intensiva como preparativo para um futuro nos campeonatos profissionais.

A academia é uma realidade muito distante da infância de Mbaye jogando em Dacar, disse ele. Sem dinheiro para calçados esportivos, ele jogava com o que tinha: botinas pesadas.

Os candidatos chegam aos cursos da academia cheios de habilidade, mas raramente têm experiência anterior.

“Temos sujeitos que nunca viram uma jogada desenhada na prancheta, não sabem criar uma assistência, não são alfabetizados no idioma do basquete", disse Roland Houston, diretor técnico da academia.  “Em um sentido, isso é bom", disse ele. “Não estão sobrecarregados pelo esporte. Jogam com muita alegria.”

O basquete é jogado internacionalmente na África desde os anos 1960, sob os auspícios da Federação Internacional do Basquete (FIBA). Mas, nos campeonatos internacionais, os times africanos não chegam às fases finais: a seleção masculina do Senegal ocupa a 37.ª posição de uma classificação de 165 equipes da FIBA. Ainda que tenham surgido alguns jogadores de basquete dessa região do continente que chegaram à NBA, a maioria dos astros da África vem de países mais ao leste.

Assane Badji já foi gerente de operações do Dakar Rapids, um dos principais times do Senegal. Hoje ele desempenha a mesma função para a NBA Academy. É um novo mundo de treinos com ar-condicionado, uniformes estilizados e ônibus da equipe para os jogos fora de casa - marcos do esporte profissional que até há pouco tempo eram conhecidos apenas por um punhado de senegaleses sortudos com experiência e carreiras no exterior.

“Este campeonato terá um impacto positivo para os jogadores porque não terão que se limitar ao sonho de jogar no exterior", disse Badji. “Em vez disso, eles ficarão aqui, sonharão em jogar em um grande campeonato aqui, e darão valor a si mesmos.”

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