Como aliviar a dor no braço e no ombro após lesionar o manguito rotador

Como aliviar a dor no braço e no ombro após lesionar o manguito rotador

Estudos apontam que, por mais estranho que possa parecer, muitas pessoas com lesões sérias no manguito rotador não sentem dor

Jane E. Brody, The New York Times - Life/Style

01 de agosto de 2020 | 05h00

Pouca gente pensa nas articulações até que alguma delas comece a doer quando se tenta usá-las da maneira que a natureza desenhou. Então, a resposta mais frequente parece ser o proverbial "tome duas aspirinas e me ligue pela manhã". Temos esperança de que o tempo seja o grande curandeiro, mas, quando isso não dá certo, consultamos um especialista que sabe tudo sobre o assunto. Nesse ponto, não sou diferente da maioria das pessoas.

Minha abordagem geral, quando uma nova dor aparece, é esperar duas semanas para ver se ela vai embora por conta própria. O que explica o fato de que agora, com o calor do verão [do hemisfério norte] aumentando, ainda estou sofrendo dores no braço e no ombro que, em meados de janeiro, começaram a atrapalhar minha capacidade de nadar.

Na ocasião, eu estava preocupada com o trabalho e me preparando para uma viagem à África, por isso adiei minha ida ao médico para quando voltasse, no fim de fevereiro, quando um vírus notório interrompeu a oportunidade de fazer isso com segurança. Portanto, como a piscina da academia estava fechada e eu não podia nadar de qualquer maneira, passei os meses seguintes confinada por conta da covid, fazendo os exercícios que um fisioterapeuta me passou por telefone para aliviar a dor no braço direito.

Finalmente, no início de maio, em uma consulta por telemedicina, meu médico disse que meu ombro direito provavelmente tinha uma lesão no manguito rotador, o conjunto de tendões e músculos que controla a mobilidade e a força do braço. Ele pediu um exame de ressonância magnética e, embora eu ainda pudesse executar a maioria das funções do braço com pouca ou nenhuma dor, o exame revelou rompimentos significativos nos tecidos do manguito rotador que normalmente dão ao ombro toda a amplitude de movimento sem dor.

Um ombro saudável funciona como uma articulação bem lubrificada, permitindo que o braço se mova para cima, para baixo, para a frente, para trás, ao longo do corpo, estendendo-se para o lado e fazendo movimentos em círculo sem causar desconforto algum. As lesões no manguito rotador são extremamente comuns.

Afligem milhões de pessoas em todo o mundo e se tornam mais frequentes com a idade, geralmente como resultado do uso indevido ou excessivo do ombro, a articulação mais móvel do corpo. Os atletas que passam muitas horas treinando beisebol, tênis ou natação, e trabalhadores que pintam casas e que executam movimentos repetitivos acima da cabeça são especialmente propensos a lesões no manguito rotador.

As lesões no manguito rotador também podem ser agudas, resultantes de uma queda ou de um acidente. Sofri duas dessas, há muitos anos, ao cair para a frente enquanto patinava no gelo. Mas você não precisa ser um superatleta ou ter uma ocupação estressante para machucar o manguito rotador. Isso pode acontecer com qualquer pessoa depois de anos de desgaste geral. Pessoas com mais de 50 anos com rompimentos degenerativos no manguito rotador geralmente não têm histórico de lesões traumáticas. Pelo menos uma pessoa em cada dez acima dos 60 anos sente dor, tem alguma limitação motora e a qualidade de vida reduzida devido a lesões nos tecidos do manguito rotador.

A dor geralmente se localiza no braço superior, de modo que as pessoas nem sempre percebem que o problema está no ombro. Estudos apontam que, por mais estranho que possa parecer, muitas pessoas com lesões sérias no manguito rotador não sentem dor. Apenas cerca de um terço dos rompimentos no manguito rotador causa dor. No entanto, para os que a sentem, atividades comuns como arremessar uma bola, varrer a calçada, ajuntar folhas, colocar o cinto de segurança e até fatiar pão ou carne podem ser um desafio.

Empurrar o braço para frente ou movê-lo para trás, por exemplo, ao tentar vestir uma manga ou prender um sutiã, pode ser especialmente doloroso. Da mesma forma, no meu caso, tirar um item pesado da geladeira ou praticar nado livre – dando uma braçada com o braço direito enquanto viro a cabeça para a esquerda para respirar – podem produzir uma dor muito aguda no braço direito.

Levando em conta que, como disse meu médico, "não sou jogadora dos Yankees", a fisioterapia, e não a cirurgia, é o caminho recomendado para mim e para a maioria das pessoas para aliviar a dor de lesões no manguito rotador. Assim, depois que a ressonância magnética revelou a extensão da minha lesão, consultei Marilyn Moffat, professora de fisioterapia da Universidade de Nova York, uma fonte confiável de conselhos que já prescreveu terapia conservadora e útil para mim e para muitas outras pessoas ao longo dos anos.

As primeiras palavras de Moffat foram: "Não faça nada que doa" – para não aumentar a inflamação e piorar a lesão. Continuar a estressar os tecidos rompidos do manguito rotador apenas aumentará as lesões e retardará a recuperação. Moffat também me alertou a não fazer de forma cega os exercícios para manguito rotador que eu encontrar na internet, "que podem não ser apropriados para a atual situação da sua lesão".

Embora muitos dos exercícios sugeridos possam ser úteis, se alguns forem feitos antes de o ombro estar preparado para lidar com esse tipo de estresse, eles podem piorar as coisas, observou a professora. A sequência terapêutica que ela recomendou começa com um repouso para acalmar a inflamação, enquanto este elimina as atividades agravantes. Em seguida, vem o fortalecimento dos músculos e o alongamento para aumentar a amplitude de movimento da articulação lesionada.

Com o bloqueio da covid-19 impedindo minha natação diária, fui forçada a fazer um descanso que durou meses e aprendi a evitar movimentos dolorosos. Estou agora fazendo exercícios para fortalecer os músculos rompidos no manguito rotador. Moffat explicou que o objetivo – preencher os rompimentos com tecido cicatricial sem causar mais lesões – é inicialmente alcançado de forma mais eficaz por meio de uma série de exercícios isométricos que aumentam a força muscular, mas não envolvem movimentos que possam causar outras lesões.

Os exercícios isométricos ajudam a estabilizar uma articulação. São feitos sem alterar o ângulo da articulação ou a extensão dos músculos. Um exemplo, entre as dúzias recomendadas por Moffat, é a prancha frontal, na qual me deito de bruços e levanto meu corpo, apoiando-me nos dedos dos pés e nos antebraços enquanto fico paralela ao chão como uma tábua. Já fiz muitas semanas de exercícios isométricos recomendados e agora estou quase pronta para começar a levantar pesos de mão e fazer exercícios de alongamento.

Embora Moffat tenha dito que eu poderia tentar movimentos diferentes para encontrar alguns que não machucam, suspeito que, neste verão boreal, minhas atividades na água serão bastante limitadas. Ainda assim, essa forma de natação é muito melhor do que nenhuma. Ao mesmo tempo, estou vendo essa experiência como uma lição para não adiar para amanhã o que deve ser feito hoje. Se tivesse procurado ajuda médica antes da minha viagem à África, quando nadar começou a ficar difícil, eu poderia estar sem dor agora. Vivendo e aprendendo.

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