Gilles Sabrié / The New York Times
Gilles Sabrié / The New York Times

China busca entusiastas de esportes de inverno

Resorts estão se multiplicando, assim como serviços que oferecem visitas à 'produção de neve'. O plano do governo é incentivar a população para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022

Tim Neville, The New York Times

22 de dezembro de 2019 | 06h00

Quando o esqui deu seus primeiros ares em Pequim, ele começou, como de costume, como um vento siberiano rosnando. Era início de dezembro. A estação "Da xue" havia aberto a temporada para a "grande neve". Mas não haveria neve; quase nunca há em Pequim. Era o dia de abertura em Nanshan, uma das cerca de dez áreas de esqui a uma hora de carro de Pequim.

Nos últimos quatro dias, os 32 canhões de neve de Nanshan estavam disparando cristais fofos que os trabalhadores empurravam para cobrir algumas encostas. Casais descansavam nos decks sob o sol, vestindo jaquetas de esqui azuis brilhantes. E o vapor quente das sopas preparadas na cozinha aquecia o ambiente.

Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 estão chegando e nem o clima, nem a guerra comercial podem impedir a nação mais populosa do mundo de cultivar o maior boom de esportes de inverno que o mundo já viu. Os resorts de bilhões de dólares estão se multiplicando, assim como seus serviços que oferecem visitas à "produção de neve". Grupos realizam assembleias escolares para conversar com entusiasmo sobre a alegria de deslizar na neve. Tudo faz parte do plano do governo de criar 300 milhões de chineses "entusiastas de esportes de inverno" quando os Jogos Olímpicos começarem.

Para os espectadores das Olimpíadas de todo o mundo, suas primeiras impressões sobre esqui na China serão de Chongli. Poucos prestarão atenção a Nanshan, que mais parece uma minimontanha. No dia da inauguração, mais de 4.500 esquiadores e praticantes de snowboard deslizaram pela metade inferior daquela montanha, meros 90 metros verticais, em porções de encostas cobertas de neve tão curtas que duram apenas alguns segundos. Nos feriados, mais de nove mil pessoas visitam Nanshan e as locadoras ficam sem equipamento.

"Estamos tentando mostrar às pessoas que esportes na neve não são tão rigorosos como os demais. Você não precisa treinar, não precisa ser tão sério. Pode ser apenas uma diversão com seus amigos", disse Huang Xue Feng, que trabalha em Nanshan.

Esqui

Shijinglong foi a primeira área de esqui a abrir perto da cidade, em 1999, em Yanqing, uma área rural com arranha-céus e fazendas monótonas que fica a cerca de 80 quilômetros a noroeste do centro de Pequim. Naquela época, a China tinha, talvez, 20 áreas de esqui, contra as mais de 700 de hoje, e que maravilha Shijinglong era. Tinha 10 pistas de esqui de até um quilômetro de comprimento em 20 hectares com uma queda vertical de 300 metros.

A pequena coleção de lojas, um centro de esqui e áreas externas foram agradavelmente reformados. Há fotos de pessoas se divertindo penduradas em uma parede perto da escola de esqui. E fileiras de enormes condomínios novos que foram construídos na montanha.

Esquiar pode ser uma experiência selvagem ou altamente planejada em todos os seus detalhes. Nanshan é um exemplo da segunda opção, com recursos extraídos de alguns dos lugares mais famosos do mundo do esqui. No topo de Nanshan, você encontrará um campo íngreme chamado Christmas Chute, nome de uma corrida famosa no Alasca. Perto dos pés da "montanha", encontrará uma miniclareira com um minichalé japonês, ambos os quais são odes às áreas de esqui em Hokkaido, no Japão. O terraço poderia ter vindo de Val d'Isère, na França.

"Nanshan pode não ser grande, mas é boa para a criação de novos esquiadores e fãs do esporte de Pequim", disse Lu Jian, fundador de Nanshan. "Sobretudo para as pessoas que vêm aqui simplesmente para melhorar o estado de espírito." / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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