EFE EPA ANDY RAIN
EFE EPA ANDY RAIN

Mike e Bob Bryan repensam o futuro nas quadras de tênis

O ano de 2020 deveria ser uma turnê de despedida para a dupla, então veio o coronavírus

Matthew Futterman, The New York Times - Life/Style

30 de julho de 2020 | 05h00

Bob e Mike Bryan tinham um plano muito bom. Um último giro pelo mundo para esta incomparável dupla de gêmeos idênticos. Ganhar algum prêmio em dinheiro, tirar os bonés em Melbourne, Paris e em Wimbledon e terminar em uma grande celebração de amor pelo tênis no Aberto dos EUA, em Nova York, onde ganharam o slam do país natal cinco vezes. Só que isso não vai acontecer - não este ano, pelo menos.

Os irmãos Bryan devem enfrentar a mesma decisão confrontada por qualquer atleta profissional que chega a uma certa idade. Eles se voltaram para 2020 como sua despedida, um ano que poderiam, com um pouco de sorte, criar o tipo de livro de histórias que todos os atletas anseiam, mas muito poucos - Pete Sampras, Peyton Manning e David Ross - realmente conseguem. No mínimo, eles seriam capazes de dizer adeus.

Agora, os irmãos Bryan precisam descobrir se querem, ou mesmo podem, se reunir para uma segunda tentativa de uma turnê de despedida em 2021. Na verdade, eles nem sabem se desejam dar-se ao trabalho de jogar o Aberto dos Estados Unidos em setembro, se acontecer. Viver em uma quase bolha em um hotel de aeroporto no Queens? Jogar em um estádio vazio, sem gritarias e berros por sua comemoração característica saltando e batendo o peito um no outro? Qual é o objetivo?

"Acho que não queremos jogar um Aberto dos Estados Unidos estéril, sem fãs", disse Mike Bryan durante uma recente conversa por vídeo em sua casa, perto de Los Angeles. Bob, em sua casa na Flórida, aparecia no espaço ao lado de Mike e lamentava com ele a ideia de jogar sua partida final sob condições que provavelmente pareceriam mais uma sessão de treinos, mesmo que outro título do Grand Slam estivesse em jogo. "Não foi para isso que nos inscrevemos", disse Bob.

Eles se inscreveram no World Team Tennis, a competição mista que coloca times de jogadores uns contra os outros em uma série de partidas curtas. A liga de nove equipes costuma jogar sua temporada anual de verão em cidades de todo o país. Este ano, tudo está acontecendo no Greenbrier, um resort da Virgínia Ocidental que criou um ambiente restrito e supostamente limpo, onde os jogadores viverão e competirão e será permitido um público de até 500 pessoas.

Com as taxas de infecção pelo novo coronavírus aumentando e atletas profissionais em outros esportes com exames positivos para a covid-19, ninguém sabe se a liga de tênis será capaz de adiar sua temporada, embora tenha o luxo de ser um sprint breve e isolado, em comparação com os três meses de circo itinerante que o beisebol está planejando.

Para os irmãos Bryan, o World Team Tennis representa um tipo de experimento. Eles completaram 42 anos em abril, uma marca que vai muito além da data de vencimento para a maioria dos tenistas profissionais, mesmo para aqueles que precisam cobrir apenas metade da quadra. Bob passou por uma cirurgia no lado direito do quadril há dois anos. O World Team Tennis exigirá que eles joguem mais de uma dúzia de partidas em 20 dias, o que lhes dará uma boa ideia se seus corpos poderão lidar com os rigores da turnê profissional por mais 14 meses.

A primeira parte deste ano mostrou alguma promessa. Eles perderam na terceira rodada do Aberto da Austrália e venceram um torneio em Delray Beach, na Flórida. Foi o 119º título juntos. Eles então venceram a partida de duplas em um empate na Copa Davis contra o Uzbequistão em Honolulu. Eles foram para Indian Wells, Califórnia, para o que é conhecido informalmente como o quinto Grand Slam, para uma última rodada em um de seus torneios favoritos. Foi ali que o tênis parou. O resto do mundo dos esportes seguiu o exemplo dias depois.

"Vencemos cinco partidas e estávamos nos sentindo muito positivos", disse Bob. Agora, à medida que o esporte profissional tenta voltar à vida, os irmãos Bryan tentam descobrir se podem recomeçar suas carreiras após o período de inatividade e se vale a pena esticá-la até o próximo ano. "Nós ainda amamos o esporte", disse Bob. Mas o amor nunca é suficiente. Eles precisam de sua saúde. Os fãs de tênis que acompanham as duplas - e são os mais dedicados - saberão rapidamente se os irmãos Bryan acharem que têm.

Se eles aparecerem no Aberto dos Estados Unidos, não será para uma despedida ou por dinheiro. Eles ganharam 16 títulos de duplas no Grand Slam juntos. Mike ganhou mais dois jogando com Jack Sock. Os irmãos Bryan são os raros especialistas em duplas que se tornaram populares o bastante para conseguir lucrativos contratos de patrocínio.

Eles têm dinheiro suficiente, mas o que precisarão, se quiserem se despedir das quadras com arquibancadas lotadas no próximo ano, é de uma temporada sólida nos próximos meses na conquista de pontos no ranking, para que possam ter a melhor chance de jogar ao longo dos torneios.

Da maneira como o sistema está configurado agora, eles podem maximizar seus pontos apenas se jogarem e se saírem bem no Aberto dos Estados Unidos, e, depois, no Aberto da França e em vários outros torneios que estão agendados para este segundo semestre. Isto é, se eles conseguirem. "Tudo isso depende de como nosso corpo aguenta", disse Mike. "Aos 42 anos, tudo se resume à recuperação". / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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