Museu do Condado de Kalmar
Museu do Condado de Kalmar

Esqueletos na Suécia revelam um massacre congelado no tempo

Um ataque traz à tona uma série de informações sobre a vida na Idade do Ferro

Nicholas St. Fleur, The New York Times

25 Maio 2018 | 15h15

Em 2010, arqueólogos que exploravam uma fortaleza do século 5º em uma ilha da Suécia descobriram dois pés pertencentes a um esqueleto que despontava de uma porta de entrada. A equipe achou estanho que os antigos tivessem deixado um corpo sem sepultura apodrecendo entre as paredes de pedra da aldeia, em que viviam cerca de 200 pessoas.

Quando escavaram o resto do esqueleto, a equipe descobriu que a pessoa havia sido assassinada. Ao lado dela, encontrara os restos brutalizados de outra. E em algumas casas vizinhas e pelas ruas, descobriram outros corpos humanos que haviam sido esquartejados com espadas, machados e bastões.

“Então deduzimos que, na realidade, estávamos diante de um massacre”, contou Clara Alfsdotter, arqueóloga do museu Bohusläns, na Suécia. “Os assassinos foram simplesmente de porta em porta matando todo mundo, crianças e velhos”.

Clara e seus colegas identificaram os restos mortais de pelo menos 26 pessoas massacradas há cerca de 1.500 anos na fortaleza de Sandby Borg, na ilha de Öland, no Mar Báltico. Os achados revelam um brutal ataque ocorrido na Idade de Ferro e proporcionam um vislumbre da vida das vítimas.

A arqueóloga e a equipe descobriram várias caveiras esmagadas a pauladas, o osso de um ombro com uma ferida provocada por uma adaga e o osso de um quadril cortado de trás para frente. Também descobriram os restos mortais de um adolescente decapitado e a ossada de um bebê que deveria ter apenas alguns meses de vida.

Os restos macabros contam a história de um grupo de pessoas surpreendidas por um bárbaro ataque. A maior parte dos esqueletos mostrou que as pessoas foram golpeadas pelas costas ou pelos flancos, disse a cientista. As vítimas não apresentavam as feridas comuns nos braços encontradas em pessoas em atitude de defesa, o que sugere que não houve uma luta, mas uma execução.

O ataque aconteceu de maneira inesperada, como mostra um arenque comido pela metade encontrado em uma casa. As pessoas tinham animais como cachorros e ovelhas, muitos dos quais morreram depois da incursão. Algumas das vítimas usavam joias caras como anéis, pingentes de prata e broches dourados.

A presença de moedas de ouro romanas no forte também sugeriram que o massacre aconteceu depois da queda do Império Romano do Ocidental, em 476 d.C., que pode ter gerado uma luta pelo poder na ilha, segundo os pesquisadores.

A equipe suspeita que os invasores vinham de uma aldeia vizinha e não eram forasteiros nem piratas, porque a cidade era protegida por um muro de pedra oval de quatro metros de altura. Os arqueólogos acreditam que os assassinos não foram motivados pelo roubo, pois muitas contas de vidro de mosaico colorido e moedas romanas foram abandonadas no local.

Ludwig Papmehl-Dufay, arqueólogo e autor do artigo, acredita tratar-se de um conflito interno. Enquanto a aldeia dormia, alguém abriu o portão para cerca de cem assaltantes. Ele imagina que tenha sido um ato de vingança.

“Acredito que o objetivo foi mostrar a certas pessoas o que acontecia quando alguém interferia com o grupo”, disse Papmehl-Dufay. “Acho que foi mais um ataque terrorista neste sentido, o massacre usado como instrumento político”.

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