Tina Kiefer para The New York Times
Tina Kiefer para The New York Times

Estudo aponta dificuldades em reconhecer liderança nas mulheres

A falta de líderes do sexo feminino leva as pessoas a acreditarem que elas não se encaixam neste perfil

Heather Murphy, The New York Times

31 Março 2018 | 10h45

Quando solicitadas a "desenhar um líder eficaz", a maioria das pessoas, incluindo as mulheres, desenhará um homem.

Essa foi uma descoberta que Tina Kiefer, professora de comportamento organizacional na Universidade de Warwick, na Inglaterra, descobriu em 2005, quando comandava uma oficina para executivos. Desde então, seu exercício foi adotado por psicólogos organizacionais em todo o mundo.

"Mesmo quando os desenhos são neutros em termos de gênero", disse Tina, "a maioria dos grupos apresenta o desenho usando uma linguagem que indica masculino (ele) e não neutro ou feminino".

Vários pesquisadores decidiram investigar mais sobre o tema. O que eles descobriram, em um estudo publicado pela revista acadêmica Academy of Management Journal, é que ser notado como um líder no local de trabalho é mais difícil para as mulheres do que para os homens.

Em um experimento, os participantes foram solicitados a fazer parte de uma reunião mensal da equipe de vendas de uma empresa fictícia, durante a qual ouviam Eric ou Érica. Mais tarde, eles foram solicitados a avaliar o orador sobre o grau em que ele ou ela "exibiu liderança", "influenciou a equipe" ou "assumiu um papel de liderança".

Os Erics que falaram com ideias orientadas para a mudança eram muito mais prováveis de serem identificados como líderes, mas as Éricas não receberam uma alavanca de status ao compartilhar exatamente as mesmas ideias.

Em um segundo experimento, os pesquisadores pediram aos participantes de uma competição de 36 equipes na Academia Militar dos Estados Unidos que preenchessem uma série de questionários antes, durante e depois da competição.

Após a competição, quando os participantes classificaram quem eles queriam que fosse o líder da equipe, apenas os homens que haviam falado receberam uma menção.

"As mulheres não ganharam status para se manifestar", explicou Kyle Emich, um dos autores, "e, posteriormente, eram menos propensas (muito menos) a serem consideradas líderes".

Uma resposta negativa à assertividade feminina - conhecida como “efeito reação” - foi documentada em outros estudos. "Eu esperava que encontrássemos esse efeito", disse Elizabeth McClean, professora da Universidade do Arizona e autora dos estudos. "Mas nós não encontramos."

Os pesquisadores acreditam que os resultados podem estar relacionados aos desenhos dos líderes. "As pessoas têm esses protótipos em mente sobre como é um líder", disse Elizabeth. “Quando vemos um indivíduo, nos perguntamos: 'Ele se encaixa nisso?'”

Quando "processamos informações por meio da lente do estereótipo", nossa interpretação pode ser "consistente com expectativas estereotipadas, e não com a realidade objetiva", disse Nilanjana Dasgupta, professora de ciências psicológicas e cerebrais da Universidade de Massachusetts, em Amherst.

Ao ser constantemente expostas a líderes que se encaixam em um perfil, as pessoas terão mais probabilidade de perceber líderes que se encaixam nesse mesmo perfil. É assim que funciona o ciclo do "viés de confirmação", disse ela.

Como esse problema pode ser superado? Uma maneira confiável de ajudar as pessoas a ver mais mulheres como líderes, ela descobriu, é expô-las a mais mulheres em posições reais de liderança.

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