Yuri Smityuk/The New York Times
Yuri Smityuk/The New York Times

Estudo mostra que aquecimento das águas reduz população de peixes

Cientistas advertem que aquecimento global terá efeitos negativos no abastecimento de alimentos nas próximas décadas

Kendra Pierre-Louis, The New York Times

23 de março de 2019 | 06h00

As populações de peixes estão declinando à medida que as águas dos oceanos aquecem, ameaçando fontes fundamentais de alimentos e a renda de milhões de pessoas, segundo novas pesquisas.

Um estudo concluiu que a quantidade de peixes que os humanos poderiam pescar de maneira sustentável encolheu 4,1% de 1930 a 2010, em consequência da mudança climática.“Quatro por cento parece um declínio pequeno, mas representam 1,4 milhão de toneladas métricas de peixes nesse intervalo de tempo”, afirmou Chris Free, um pesquisador da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, e  principal autor do estudo, divulgado na revista “Science”.

Os cientistas advertiram que o aquecimento global terá efeitos negativos no abastecimento de alimentos nas próximas décadas. Mas as novas descobertas - que separam os efeitos do aquecimento das águas dos outros fatores, como a pesca predatória - sugerem que a mudança climática já está tendo consequências graves neste campo.

Os peixes constituem 17% da ingestão de proteína animal da população global, e 70% em alguns países costeiros e ilhas, segundo um grupo de estudos da ONU.

No nordeste do Oceano Atlântico e no Mar do Japão, as populações de peixes reduziram nada menos que 35%. “E esta região abriga algumas das maiores populações humanas em termos de crescimento e populações extremamente dependentes do alimento produzido pelo mar,” afirmou o dr. Free.

A vida marinha é submetida a alguns dos efeitos mais dramáticos da mudança climática. Os oceanos absorveram 93% do calor retido pelos gases do efeito estufa bombeados pelos seres humanos na atmosfera. Entre as condições de mudança, observa-se que os peixes estão se deslocando dos lugares onde vivem. E as elevadas temperaturas dos oceanos podem matar  os peixes e o seu alimento.

Os peixes expandiram o seu habitat em cerca de 25% das regiões estudadas. Ao largo da costa do Atlântico dos Estados Unidos, a pesca sustentada do robalo negro, por exemplo, aumentou 6%. Outros 25% das regiões não observaram mudanças drásticas. Mas a metade das regiões não apresentou boas condições. O nordeste do Oceano Atlântico, habitat do bacalhau do Atlântico, registrou um declínio de 34% da pesca sustentada.

Acima de tudo, as populações de peixes declinaram proporcionalmente mais do que aumentaram nas oito décadas estudadas. As das partes mais frias do seu habitat apresentaram condições melhores. O que preocupou particularmente pesquisadores, porque os dados que eles usavam eram menos detalhados nos trópicos. 

As perdas de peixes nessas regiões talvez tenham sido mais elevadas do que nas regiões focalizadas pelo estudo, disse Malin L. Pinsky, professor da Rutgers University em Nova Jersey e coautor do estudo. Em áreas mornas, a situação piorou quando a pesca foi mais intensa. Os pesquisadores sugerem que a pesca desordenada tornou os peixes ainda mais vulneráveis por prejudicar a sua capacidade de reprodução e danificar o ecossistema. O que pode ajudar a evitar a pesca excessiva e melhorar a gestão da pesca. Mas em última análise, afirmaram, a solução é frear ou deter a mudança climática.

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