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Estudo mostra que supererupção vulcânica pode ter ajudado a humanidade a prosperar

Pesquisadores contrariam a hipótese de que a erupção do vulcão Toba, na Indonésia, tenha quase extinguido a humanidade

Shannon Hall, The New York Times

03 Abril 2018 | 10h15

Os supervulcões podem não ser tão apocalípticos quanto se temia. Há cerca de 74 mil anos, um supervulcão no local do atual lago Toba, na ilha de Sumatra, na Indonésia, abalou o mundo com a maior erupção dos últimos 2 milhões de anos. Mas as pessoas não apenas sobreviveram ao episódio - elas prosperaram, de acordo com novo estudo.

O estudo contraria hipóteses anteriores que sugeriam que o evento havia sido tão desastroso - escurecendo o céu em todo o mundo e causando queda das temperaturas - a ponto de levar a espécie humana a se manter à beira da extinção.

Em 1998, o antropólogo Stanley Ambrose ligou o desastre à evidência genética de um gargalo populacional ocorrido na mesma época. Ele estava certo de que a supererupção de Toba havia causado a redução da população humana para cerca de 10 mil pessoas.

“Essas eram teorias dramáticas”, disse Michael Petraglia, arqueólogo do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana que não participou do novo estudo. “Elas eram muito populares - tanto no mundo científico quanto na imaginação do público em geral”.

Mas a mais de 8.800 quilômetros do local da supererupção de Toba, no sudeste da Ásia, Curtis Marean, antropólogo da Universidade Estadual do Arizona, descobriu sinais de seus destroços em dois sítios arqueológicos na costa sul da África do Sul.

O surgimento de cacos de vidro microscópicos, uma vez ejetados pelo evento de Toba em meio a camadas de ossos antigos, ferramentas complexas de pedra e evidências de incêndios humanos permitiram que a equipe observasse diretamente o impacto do vulcão na população humana pela primeira vez.

Os resultados surpreenderam Marean. Se a teoria de Ambrose estivesse correta, haveria menos sinais de ocupação humana na camada de solo acima daquela com os sinais da supererupção de Toba. A equipe de Marean viu o oposto: após o evento catastrófico, havia mais sinais de ocupação humana.

Não apenas os humanos parecem ter se adaptado ao trauma causado pelo evento, eles prosperaram, disse o geólogo aposentado Eugene Smith um dos autores do estudo.

Isso não significa que o inverno vulcânico de Toba nunca tenha ocorrido. Marean especula que um resfriamento global poderia ter levado esses humanos pré-históricos à costa, onde eles foram capazes de sobreviver. Mas nem todos os especialistas concordam com essa interpretação.

Embora Petraglia tenha elogiado o trabalho de Marean, ele disse que não apoiava o caso de uma catástrofe climática global após a erupção de Toba.

Ele lembrou de um estudo publicado este ano com uma camada semelhante de cinzas no lago Malawi, no leste da África. Lá, os cientistas não encontraram sinais de que a temperatura do lago tenha caído significativamente após o evento - sugerindo que não houve inverno vulcânico. E ele não está sozinho.

"Pessoalmente, inclino-me para a ideia de que o Toba simplesmente não teve impacto suficiente para ter um efeito significativo sobre o Homo sapiens na África Oriental", disse Thomas Johnson, paleoclimatologista aposentado da Universidade de Minnesota, em Duluth, que não estava envolvido no estudo. “A maioria das informações que vêm à tona continua enterrando a questã do Toba”.

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