Erica Berenstein via The New York Times
Erica Berenstein via The New York Times

EUA abolem uso de assinatura em comprovantes de compras com cartões de crédito

No Brasil, as transações por meio da combinação entre chip e senha foi adotada há anos

Stacy Cowley, The New York Times

17 Abril 2018 | 10h00

Por quase uma década, Doug Taylor, um gerente de vendas que frequentemente viaja a trabalho, assinava comprovantes de gastos com cartão de crédito desenhando um cachorro abanando o rabo. Ninguém jamais rejeitou sua “assinatura” qualificando-a como inválida.

“Isso arrancava uma risada na maioria das vezes”, afirmou Taylor, 44 anos, que vive em Mobile, Alabama. “Ou então as pessoas só davam uma olhada e nem percebiam”.

As operadoras de cartão de crédito estão finalmente prontas para admitir o que há anos já é óbvio para consumidores e comerciantes americanos: assinaturas não são uma maneira prática de comprovar a identidade de ninguém. Este mês, quatro das maiores operadoras - American Express, Discover, Mastercard e Visa - vão parar de exigi-las para realizar as transações com cartão.

A assinatura, usada há séculos como maneira de verificar a identidade das pessoas, está se extinguindo rapidamente. Cheques pessoais são anacronismos. Cartas escritas com tinta e papel são raras. Quando as assinaturas de cartão de crédito desaparecerem, as autenticações a mão serão relegadas a poucas circunstâncias especiais, como a compra de uma casa ou o autógrafo de uma celebridade, o que tem sido substituído pela selfie com o celular (a mudança é opcional, os comerciantes poderão decidir se exigem a assinatura ou não).

As operadoras de cartão, que cobrem os custos de gastos fraudulentos, começaram a instalar microchips mais de uma década atrás. Os chips criam códigos únicos para cada transação, tornando mais difícil que o cartão seja clonado. Os chips são populares há muito tempo na Europa e na Ásia.

“A vida útil da assinatura expirou”, afirmou Linda Kirkpatrick, executiva da Mastercard.

Levou quase um século para a tecnologia superar a assinatura. O cartão de crédito data dos anos 20, quando as lojas lançaram placas metálicas com dados em relevo pelos quais as compras dos clientes eram registradas em suas contas, para que os gastos fossem pagos posteriormente.

Trinta anos depois, bancos e redes de comércio introduziram os cartões que funcionavam em várias lojas. No fim dos anos 1950, um consumidor podia sair de casa sem dinheiro vivo e comprar alimentos, gasolina ou jantar em um restaurante garantido por sua assinatura.

Quando as vendas online decolaram, as operadoras de cartão desenvolveram novos sistemas forenses para detectar fraudes.

O comediante americano Mark Malkoff e seu amigo Greg Benson postaram um vídeo no YouTube que ilustrou vividamente como as assinaturas em gastos com cartão são amplamente ignoradas atualmente. Eles foram às compras em mais de dez lojas de Los Angeles, assinando nomes obviamente falsos em todos os recibos: Justin Bieber, Jessica Alba, Vin Diesel, Oprah. Em uma das contas, eles assinaram “Sr. Nome Falso”. Nenhuma compra foi rejeitada.

“Há cerca de 15 anos ou uma década atrás, olhariam para sua assinatura. Pediriam sua identidade se ela parecesse estranha”, afirmou Malkoff. “Agora, ninguém se importa. A assinatura é a coisa mais inútil e sem sentido”.

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