Shawn Poynter para The New York Times
Shawn Poynter para The New York Times

EUA voltam a ser o lar do supercomputador mais veloz do mundo

Após cinco anos, máquina chinesa deixou de ser considerada líder do setor

Steve Lohr, The New York Times

29 de junho de 2018 | 15h15

Os Estados Unidos acabam de ganhar o direito de se gabarem da liderança na corrida para construir o supercomputador mais veloz do mundo.

Durante cinco anos, a China foi a dona do computador mais veloz, um feito simbólico para um país que tenta se mostrar como potência tecnológica. Mas os EUA reassumiram a liderança graças a uma máquina chamada Summit, construída para o Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee.

A velocidade do Summit, anunciada no dia 8 de junho, é difícil de compreender. O sistema é capaz de realizar cálculos matemáticos ao ritmo de 200 quatrilhões de operações por segundo, ou 200 petaflops. Para se ter uma ideia do que isso representa em termos humanos: uma pessoa realizando um cálculo por segundo precisaria de mais de 6,3 bilhões de anos para realizar o mesmo que a máquina faz em um segundo.

Outro exemplo dessa potência? Pense na seguinte analogia: se um estádio construído para 100.000 pessoas estivesse lotado, e cada uma delas tivesse um laptop moderno, seriam necessários 20 estádios como este para equiparar o poder de computação do Summit.

A China ainda tem o maior número de supercomputadores em relação aos demais países. E China, Japão e Europa estão desenvolvendo máquinas ainda mais velozes, o que significa que a liderança americana pode durar pouco.

Supercomputadores como o Summit, cujo desenvolvimento custou ao governo dos EUA a soma de US$ 200 milhões, podem acelerar o desenvolvimento de tecnologias na fronteira da computação, como a inteligência artificial e a capacidade de lidar com vastos volumes de dados.

Essas habilidades podem ser usadas para enfrentar desafios difíceis da ciência, indústria e segurança nacional, e estão no coração de uma crescente rivalidade entre americanos e chineses na área da tecnologia.

Faz anos que empresas americanas de tecnologia acusam a China de roubar sua propriedade intelectual. E alguns legisladores de Washington dizem que empresas chinesas como ZTE e Huawei representam um risco à segurança nacional.

Os supercomputadores realizam hoje tarefas que incluem a simulação de testes nucleares, previsão de tendências climáticas, localização de depósitos de petróleo e solução de cifras criptográficas. Os cientistas dizem que novos ganhos e descobertas em áreas como medicina, novos materiais e tecnologia energética vão depender da abordagem que o Summit incorpora.

“São máquinas de inteligência artificial e big data”, disse John E. Kelly, supervisor da IBM Research, que ajudou na construção do Summit. “É nessa direção que está o futuro.”

A classificação global de supercomputadores é compilada há duas décadas por uma pequena equipe de cientistas da computação que prepara uma lista das 500 máquinas mais potentes. Seu líder é Jack Dongarra, cientista da computação da Universidade do Tennessee. Dongarra disse ter certeza que o Summit é o mais rápido.

Com a potência de 200 petaflops, a nova máquina alcança uma velocidade mais de duas vezes superior à do supercomputador que liderava a lista em novembro, quando foi publicada a mais recente classificação dos 500 computadores mais velozes. A máquina em questão fica no Centro Nacional de Supercomputação da China, em Wuxi.

O Summit é formado por fileiras de unidades pretas e do tamanho de geladeiras que têm um peso somado de mais de 300 toneladas métricas e ficam abrigadas num cômodo de 2.820 metros quadrados. É impulsionado por 9.216 chips de processamento central da IBM e 27.648 processadores gráficos da Nvidia, outra empresa americana de tecnologia, todos conectados por cerca de 300 quilômetros de cabos de fibra ótica.

A refrigeração do Summit requer 15.000 litros d’água por minuto, e o supercomputador consome eletricidade o bastante para alimentar 8.100 lares.

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