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Kevin Mohatt/The New York Times
Kevin Mohatt/The New York Times

Como o exercício pode nos ajudar a florescer

A atividade física pode promover um objetivo na vida criando um ciclo virtuoso que faz com que continuemos a nos movimentar

Gretchen Reynolds, The New York Times-Life/Style, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 05h00

Os nossos hábitos, no que diz respeito ao exercício físico, podem influir na quantidade do exercício e na nossa consciência de um objetivo na vida, segundo um novo estudo interessante dos efeitos recíprocos do fato de percebermos que a nossa existência tem um significado e por nos movimentarmos com frequência. O estudo, realizado com mais de 18 mil pessoas de meia idade e homens e mulheres mais velhos, mostra que os que tinham uma forte consciência dos seus objetivos, no início, mais provavelmente se tornaram ativas com o tempo, e vice-versa.

As conclusões destacam até que ponto a atividade física e o bem-estar psicológico podem estar inter-relacionados, e também que os seus efeitos ocorrem frequentemente em ambos os sentidos.

A ciência já oferece inúmeras evidências de que manter-se ativo aprimora a mente, e também a saúde física. Vários estudos concluem que homens e mulheres que se exercitam têm menos probabilidade do que os indivíduos sedentários de vir a sofrer de depressão ou ansiedade. Outras pesquisas indicam que o inverso pode ser verdadeiro, e as pessoas que se sentem deprimidas ou ansiosas tendem a não se exercitar.

Mas a maioria destes estudos examinou a relação entre exercício e atitudes negativas. Poucos analisaram as emoções positivas e seus vínculos com a atividade física, e menos ainda analisaram o papel de uma forte consciência de um propósito e de que maneira isto pode influir que nos movimentemos, e vice-versa.

Esta omissão intrigou Ayse Yemiscigil, pesquisadora em pós-doutorado do Programa de Crescimento Humano em Harvard, que estuda o bem-estar. “A consciência de um objetivo é um sentimento que você descobre pelo fato de ter metas e planos que conferem direção e significado à vida”, afirma. “A consciência diz respeito ao nosso engajamento com a vida de maneiras produtivas”.

Esta definição de objetivo a impressionou por se sobrepor profundamente às motivações das pessoas para se exercitarem, ela acrescenta. “Os indivíduos ativos falam frequentemente sobre o fato de que o exercício acrescenta estrutura e significado à sua vida, e oferece metas e realizações”.

Nesse caso, ela refletiu, a atividade física provavelmente poderia contribuir para um objetivo e, do mesmo modo, um objetivo poderia influir na disposição que temos para o exercício.

Entretanto, são escassas as evidências que respaldam estas ideias. Logo, para o novo estudo que foi publicado em abril no Journal of Behavioral Medicine, ela e o seu colega Ivo Vlaev, professor de ciência do comportamento da Universidade de Warwick na Inglaterra, decidiram descobrir as relações, se existisse alguma, entre movimento e significado.

E começaram recorrendo ao abrangente trabalho “Health and Retirement Study”, que reúne dados longitudinais sobre as vidas, atitudes e atividades de milhares de adultos americanos a partir dos 50 anos. O estudo pergunta de início aos participantes a respeito de sua saúde física, formação, atividades diárias e saúde mental, incluindo se eles concordam com afirmações como: “Tenho um sentido de direção e um objetivo na vida”, ou “Minhas atividades diárias muitas vezes parecem triviais e sem importância”. Após alguns anos, os pesquisadores do estudo procuraram repetir as perguntas.

Então Yemiscigil e Vlaev colheram os registros de 14.159 participantes. A fim de ampliar e enriquecer a sua amostra, e também reuniram dados comparáveis de outros 4.041 homens e mulheres que participavam de outro estudo que fazia perguntas semelhantes sobre as atividades físicas e um objetivo na vida.

Por fim, confrontaram os resultados, determinando em primeiro lugar, quanto e com que vigor as pessoas se movimentavam, e também a intensidade da sua consciência de um objetivo. Em seguida, os pesquisadores avaliaram de que maneira estes aspectos disparatados da vida das pessoas pareciam estar relacionados entre si ao longo dos anos, e encontraram claras intersecções. As pessoas que começaram com uma vida ativa em geral mostravam uma crescente consciência de um objetivo ao longo dos anos. E aquelas cuja consciência de um objetivo era mais forte no começo eram as que mais se mantinham fisicamente ativas, anos mais tarde.

O fato de as pessoas começarem com uma vida ativa em geral, estava relacionado ao equivalente de fazer uma caminhada extra ou duas por semana. Mas as associações eram coerentes e permaneceram estatisticamente significativas mesmo quando os pesquisadores verificaram o seu peso, renda, educação, saúde mental em geral e outros fatores.

“Foi particularmente interessante ver estes efeitos nos mais velhos”, disse Yemiscigil, “porque muitos deles relatam uma redução da consciência de um objetivo em sua vida, além disso elas costumam apresentar uma redução da dedicação a uma atividade física”.

Este estudo, entretanto, se baseava nas estimativas subjetivas das pessoas a respeito do seu exercício e objetivo, que poderia não ser tão confiável. As conclusões são também associativas, o que significa que mostram relações entre ter um objetivo a uma altura da vida e estar ativo mais tarde, ou vice-versa, e portanto não provam que um é a causa do outro.

Mas Yemiscigil acredita que as associações são fortes e racionais. “As pessoas muitas vezes relatam maior eficiência pessoal” depois de começarem a se exercitar, ela afirma, o que as pode levar a sentir-se capazes de estabelecer novos objetivos e de criar um novo ou maior propósito na vida. E por outro lado, “quando você tem objetivos e consciência disso, provavelmente quer se manter saudável e viver o suficiente para realizá-los”. Por isso, nos exercitamos, ela afirma. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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