Bryan Derballa para The New York Times
Bryan Derballa para The New York Times

Experiente Ron Howard salva “Solo: Uma História Star Wars” de um desastre

Estabilidade do diretor serviu para "apagar incêndio" na produção do filme

Dave Itzkoff, The New York Times

31 Maio 2018 | 10h00

É verdade que, na maior parte do tempo, este cineasta de 64 anos é o sujeito simpático e bonachão com décadas de experiência à frente de produções para o cinema e a TV, o confiável diretor de filmes como “Apollo 13” e “Uma mente brilhante".

Mas, indagado a respeito da razão que o levou a assumir a direção de “Solo: Uma História Star Wars” após o afastamento dos diretores originais, Howard teve um pequeno lapso na sua máscara de decência.

“Foi uma espécie de… Foi como se… Mas que @#$%.” E soltou uma palavra inadequada.

Se Howard for capaz de salvar “Solo", filme que já pareceu sucesso garantido para temporada de meados do ano e agora está imerso em relatos de uma produção caótica, isso consolidaria sua reputação de estabilidade, mostrando que é capaz de conseguir o sucesso em qualquer escala e qualquer gênero (as primeiras críticas confirmam que Howard salvou o filme de um desastre completo). 

Uma vitória nas bilheterias também seria bem-vinda após o desempenho pouco estimulante de seus mais recentes filmes.

E um resultado positivo confirmaria a discreta filosofia que orienta o trabalho de Howard.

“Solo", que estreou em maio e conta a história das primeiras aventuras de Han Solo, antes de se tornar o independente contrabandista interplanetário interpretado por Harrison Ford, pode não parecer um projeto com a cara de Howard.

Se o personagem principal (“Solo” é estrelado por Alden Ehrenreich) é irresponsável, Howard é cuidadoso e metódico.

Ele transcendeu trabalhos anteriores na direção como “Splash - Uma sereia em minha vida” e “Corretores do amor” - para não falar no estigma de ter sido ator na infância - e se tornou um respeitável ganhador do Oscar. É o fundador da produtora Imagine Entertainment, responsável pelos filmes dele e por programas como “Empire” e “Genius".

Mas Howard disse: “Há em mim um lado que gosta de riscos, e que prefiro não estimular muito".

 

Foi somente em junho do ano passado que Howard assumiu as rédeas de “Solo” sob circunstâncias ao mesmo tempo calamitosas e incertas. As filmagens do projeto (estrelado também por Donald Glover no papel de um jovem Lando Calrissian) tinham começado em janeiro daquele ano e, com a aproximação do fim das cenas principais, a Lucasfilm tomou uma decisão surpreendente.

Os diretores do filme, Phil Lord e Christopher Miller, cujo currículo inclui “Anjos da Lei” e “The Lego Movie", foram demitidos e substituídos por Howard, que concluiria as filmagens de “Solo” e cuidaria da pós-produção.

Em meio a relatos de conflito entre Lord, Miller e a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, os diretores demitidos disseram simplesmente que deixavam o projeto por causa de “diferenças criativas", acrescentando, “Infelizmente, nosso processo e visão não estavam alinhados com o de nossos parceiros neste projeto".

Kathleen disse que o filme precisava de “alguém que não traga surpresas nem inseguranças, que seja colaborativo e, acima de tudo, alguém que compreenda profundamente os atores e a atuação para as câmeras, alguém com quem o elenco pudesse se sentir rapidamente à vontade".

Howard disse que não foi motivado pela recepção pouco estimulante aos seus filmes mais recentes como o drama de época “No Coração do mar", de 2015, ou “Inferno", adaptação do romance de Dan Brown lançada em 2016.

Howard disse que foi conquistado pelo roteiro de “Solo”, escrito pelo veterano da saga “Star Wars”, Lawrence Kasdan (“O Império contra-ataca", “O Retorno de Jedi", “O Despertar da Força”), e seu filho, Jonathan Kasdan.

“É uma aventura no mais puro sentido”, disse Howard. “Foi muito divertido imaginar Han como um maníaco pela velocidade que imediatamente forma um elo com a nave Millennium Falcon.”

Antes de começar o trabalho, ele teve uma produtiva conversa com Ford, com quem atuou há muito tempo em “American Graffiti", que o ensinou os elementos fundamentais de Han Solo.

Ford disse que havia certos “elementos implícitos que me levam a interpretar o personagem de determinada maneira", detalhes que ele compartilhou com o diretor.

Howard usou o elenco e a equipe que já estavam envolvidos no projeto. O ator Michael K. Williams, que não estava disponível para rodar novas cenas, foi substituído por Paul Bettany no papel de um vilão criminoso.

O diretor já passou para novos projetos, incluindo um documentário a respeito de Pavarotti, e filmes adaptados a partir da obra de Neil Gaiman, “The Graveyard Book", bem como uma possível série limitada para a TV adaptada de “Under the Banner of Heaven” do autor Jon Krakauer.

Howard indicou que manter-se tão ocupado era sua forma particular de rebelião. 

“Meus filhos estão crescidos", disse ele. “Ainda tenho bastante energia. Tenho o apoio de uma empresa. Para mim, não é hora de evitar o risco. Por que eu faria isso? Em vez disso, o momento é de avançar enquanto ainda me importo.”

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