Charles El Mir/Universidade Johns Hopkins
Charles El Mir/Universidade Johns Hopkins

Explodir asteroides aumenta risco ao planeta, diz estudo

Cientistas descobriram que, mesmo fragmentados, esses corpos celestes ainda têm potencial de destruir a Terra

Robin George Andrews, The New York Times

06 de abril de 2019 | 06h00

Diante da possibilidade de um asteroide de dimensões consideráveis estar em rota de colisão com a Terra, provocando o fim de tudo, a humanidade pensou em uma série de respostas. Talvez Hollywood pense que a melhor maneira de destruir uma rocha espacial errante seja com armas nucleares. 

Essa está longe de ser a opção preferida pelos especialistas, mas usar algum tipo de sistema espacial para reduzir um asteroide a pedaços menores e inofensivos é algo visto como uma possibilidade para o mundo real. Um novo estudo, observando uma imensa colisão de rochas espaciais, mostra que esse tipo de tentativa de assassinato de um asteroide pode ser totalmente ineficaz.

Usando modelos computadorizados, os cientistas simularam o choque de um asteroide de 1,2 mil metro contra um asteroide de 25 quilômetros a uma velocidade de 18 mil quilômetros por hora. Imediatamente após a colisão, o asteroide maior apresentou muitas rachaduras, com destroços menores ejetados como uma cascata de bolas de pingue pongue. Apesar de algumas fraturas profundas, o núcleo do asteroide não foi muito danificado.

Com o passar do tempo, o poder de atração gravitacional do resistente núcleo do asteroide foi capaz de atrair de volta fragmentos ejetados. Parece que os asteroides não apenas absorvem um poder destrutivo considerável, mas também seriam capazes de se regenerar.

Charles El Mir, que estuda a destruição de asteroides na Universidade Johns Hopkins, em Maryland, e é o principal autor do estudo, disse que suas descobertas “podem ser interpretadas como um argumento contrário à alternativa de ‘explodir' um asteroide enquanto estratégia de defesa".

Estudos anteriores indicaram que os asteroides são repletos de cicatrizes internas por causa de sua história violenta, e um impacto suficientemente rápido seria capaz de parti-los. O novo estudo, publicado em março na revista Icarus, tentou uma simulação diferente.

K.T. Ramesh, diretor do Instituto Hopkins de Materiais Extremos, disse que Andy Tonge, ex-aluno da pós-graduação, tinha desenvolvido um modelo computacional que analisava como materiais como os coletes à prova de balas respondem aos impactos. Percebendo que o modelo de Tonge poderia ser usado para simular impactos de asteroides, a equipe o fundiu a outro modelo que também imitava os efeitos do campo gravitacional de um asteroide de grandes proporções.

Esse modelo híbrido permitiu que eles observassem de maneira mais realista como um asteroide responde ao impacto de um projétil poderoso. Foram capturados detalhes antes ausentes e absolutamente fundamentais, incluindo o ponto em que surgem as fraturas e seu padrão de difusão.

O estudo não exclui a possibilidade de usar projéteis para destruir um asteroide em rota de colisão, disse El Mir. Mas ele acrescentou que fragmentar um asteroide de grandes proporções pode causar mais problemas do que solucioná-los. Transformar uma bala de canhão em fragmentos do tamanho de munição de chumbo ainda pode resultar no fim de tudo se os fragmentos atingirem a Terra.

A Nasa observa os asteroides e cometas que, um dia, passarão perto da Terra. A agência sugere que mudemos a trajetória de uma rocha espacial aplicando a ela um pequeno desvio muito antes da aproximação com o nosso planeta. A Nasa e outras organizações pretendem testar essa estratégia em 2022 com o Teste Duplo de Redirecionamento de Asteroides, no qual uma espaçonave vai se chocar deliberadamente contra um membro menor de um sistema binário de asteroides na tentativa de alterar sua órbita em torno do corpo celeste maior.

No fim, a escolha entre desvio e destruição depende da rapidez com que o asteroide em rota de colisão é identificado. “Um desvio bem-sucedido se torna mais difícil de executar com a redução do tempo de alerta", disse Megan Bruck Syal, pesquisadora de defesa planetária do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia. “Para os alertas mais urgentes, uma dispersão robusta dos fragmentos pode ser a única opção viável para evitar um impacto.” /  TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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