Yara Nardi/Reuters
Yara Nardi/Reuters

Movimento popular na Itália se manifesta contra ala conservadora

Conhecido como 'Sardinhas', o grupo protesta contra o líder italiano de extrema-direita Matteo Salvini e busca promover igualdade e respeito à Constituição

Jason Horowitz, The New York Times

19 de dezembro de 2019 | 06h00

ROMA - Um movimento popular que protestava contra o líder italiano de extrema-direita Matteo Salvini demonstrou sua força crescente em 14 de dezembro, atraindo dezenas de milhares de pessoas para uma grande praça em Roma em seu primeiro comício nacional.

O movimento das Sardinhas, nomeado por sua capacidade de lotar as praças italianas, reflete um desgosto entre os italianos liberais pelo tom anti-imigrante e antieuropeu de Salvini. "Algo já mudou no panorama político italiano", avaliou Mattia Santori, de 32 anos, um dos fundadores do movimento. Ele disse que seu principal objetivo era combater a apatia e oferecer igualdade, respeito à Constituição e instituições italianas mais fortes como forma de combater o ódio e os temas essenciais de Salvini: oposição à imigração, antagonismo à Europa e intensificação de normas de segurança.

As Sardinhas foram inspiradas a se organizar pelo intuito de liderar uma campanha contra Salvini para "libertar" o reduto liberal de Emilia Romagna, região do norte da Itália, nas eleições regionais no próximo mês. Essas pessoas temem que, se Salvini puder ganhar lá, ele possa ganhar em qualquer lugar.

Santori disse que o objetivo das Sardinhas é criar um movimento popular para reforçar um candidato de esquerda, quem quer que seja, contra o candidato do partido da Liga de Salvini nas eleições de Emilia Romagna, no fim de janeiro.

Santori disse que o movimento não queria se tornar um partido político, mas sugeriu que isso também não era uma impossibilidade. Salvini, que foi politicamente posto de lado no verão passado em uma corrida pelo poder, lidera o mais antigo partido político da Itália. Ele tem um apoio sólido e uma operação sofisticada, enquanto tenta voltar ao cenário político, e escolhendo regiões de inclinação para a esquerda.

Em meados de novembro, Salvini estava pronto para iniciar a campanha de seu partido em Bolonha, em uma arena com 5.700 pessoas. Santori e alguns amigos decidiram espalhar um convite no Facebook para um comício "flash mob" em uma praça de Bolonha, sem qualquer outro tipo de publicidade. Eles esperavam seis mil pessoas, mas 15 mil apareceram.

Os comícios subsequentes lotaram praças em todo o país. O movimento das Sardinhas canta uma canção de resistência anti-fascista, Bella Ciao. O tom pacífico das manifestações dificultou a tentativa de Salvini de zombar delas. À medida que o movimento das Sardinhas cresce, constroi uma atuação que chama a atenção de Salvini: a página de Santori no Facebook tem mais de 200 mil seguidores.

Salvini zombou do grupo, escrevendo no Twitter que gostava de gatinhos porque "eles comem sardinha quando estão com fome". Mais tarde, ele elogiou seu senso democrático, dizendo: "Quanto mais pessoas participarem, melhor".

A suavização de sua abordagem pode ter algo a ver com seus números nas pesquisas. Algumas delas mostraram que as Sardinhas capturariam 17% do eleitorado nacional se decidissem se tornar um partido. No entanto, a importância do movimento pode depender de ele esclarecer o que significa além do civismo. 

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