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Brian Finke/The New York Times
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Com mundo voltando ao 'normal', fabricantes de videogames dobram a aposta

Empresas ganharam muito quando a pandemia obrigou as pessoas a ficarem em casa. Numa aposta arriscada, elas não estão diminuindo a velocidade, mesmo quando comportamentos começam a mudar de novo

Kellen Browning, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2021 | 05h00

No auge da pandemia, as pessoas que estavam presas dentro de casa passaram o tempo jogando muito videogame.

Agora, à medida que os países vão reabrindo aos poucos, esse comportamento deve mudar. E os fabricantes de videogames alertaram que, com as pessoas voltando ao ar livre, suas vendas devem despencar e os gastos com games podem cair pela primeira vez em pelo menos uma década.

Mas as empresas não estão diminuindo a expectativa. Longe disso.

Vejamos a Riot Games, que produz o League of Legends. “Estamos dobrando a aposta”, disse o CEO Nicolo Laurent. “Estamos contratando que nem doidos”.

Aí vem o Xbox da Microsoft. “Nosso investimento em jogos está maior do que nunca”, disse Phil Spencer, que dirige o negócio.

As empresas de videogame estão entre os vencedores da pandemia que declaram que ainda planejam seguir em frente a todo vapor, mesmo com a gradual suspensão dos lockdowns do coronavírus, os quais impulsionaram seus negócios nos últimos 15 meses. Outras empresas de tecnologia que prosperaram ao atender às demandas de uma sociedade remota - entre elas Zoom e Peloton - também disseram que esperam continuar gastando, expandindo operações e contratando.

É uma aposta contraintuitiva. Mas algumas das empresas disseram que poderiam aplicar o dinheiro que acumularam com os lucros inesperados do ano para retornar à trajetória de crescimento em que estavam antes de a pandemia acelerar.

“É um momento fantástico para a indústria”, disse Strauss Zelnick, CEO da Take-Two Interactive, que fabrica os videogames NBA 2K e Grand Theft Auto. Ele disse que a pandemia apresentou os games a um público mais amplo, então, em vez de recuar, “estamos investindo para crescer e atender a essa demanda”.

No passado, quando os diversos setores da economia previam uma desaceleração do crescimento, as empresas muitas vezes reduziam os custos, mas essas quedas e recuperações geralmente eram imprevisíveis, relacionadas a uma queda no mercado de ações e recessões, disse Bill Pearce, reitor assistente da Haas School of Business da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Com o declínio da pandemia, as empresas estão com “mais clareza e mais confiança para investir” por causa das vacinas contra o coronavírus e das previsões de como as pessoas responderão quando o mundo se abrir, disse Pearce. Algumas indústrias que seguiram a sabedoria convencional e desaceleraram, como as concessionárias de automóveis, agora estão prejudicadas porque não estão conseguindo atender à demanda crescente, disse ele.

Mas John Paul Rollert, professor da Booth School of Business da Universidade de Chicago, disse que seguir em frente diante da mudança de comportamento é uma abordagem de alto risco - e alta recompensa.

“Você está jogando pôquer com apostas muito altas”, disse Rollert. Ainda assim, acrescentou ele, com a recuperação da economia e o dinheiro circulando, “dá para entender por que essas empresas estão pensando: ‘a covid tem sido boa para nós, mas talvez o pós-covid seja ainda melhor’”.

A Newzoo, uma empresa de análise de jogos, projetou que as pessoas gastarão US $ 175,8 bilhões em jogos este ano, uma queda de 1% em relação a 2020. Seria a primeira queda desde que a Newzoo começou a monitorar os gastos, em 2012.

A Take-Two disse recentemente que espera que as vendas caiam 30% no próximo trimestre, em relação ao ano anterior, e 8% no ano fiscal. A Activision Blizzard, que criou o jogo de guerra Call of Duty, previu uma queda de 11% nas vendas do próximo trimestre, em relação ao ano anterior.

“É difícil imaginar, pelo menos no futuro imediato, um cenário de tantos gastos, tanto tempo de jogo ou tantos jogadores quanto este do qual a indústria se beneficiou no ano passado”, disse Matthew Ball, sócio-gerente da Epyllion Industries, que opera um empreendimento fundo de capital que investe em jogos.

Outros desafios se aproximam, entre eles uma escassez global de chips que está limitando a disponibilidade de novos consoles de videogame da Microsoft e Sony, e uma falta de games de sucesso, pois um ano de trabalho remoto deixou o desenvolvimento de jogos ainda mais complicado do que o normal.

Mesmo assim, os criadores de jogos disseram que não estavam preocupados, especialmente depois de tamanho surto de crescimento pandêmico.

Em janeiro, a Microsoft informou pela primeira vez uma receita trimestral de US$ 5 bilhões com jogos, em parte por causa de uma nova geração de consoles Xbox. A empresa também comprou a ZeniMax Media - que lança jogos como Skyrim e Fallout - por US$ 7,5 bilhões, em setembro.

O negócio de jogos da Microsoft agora pretende se expandir em lugares como a África, promovendo seu serviço de jogos em nuvem, o xCloud, disse Spencer. Nos jogos em nuvem, os games são hospedados nos centros de dados de uma empresa e transmitidos para os dispositivos dos consumidores, para que eles não precisem instalar os jogos nem usar um hardware caro.

“Se você olhar para a última década, vai ver que os jogos vêm tendo um padrão de crescimento de dois dígitos”, disse Spencer. “Sem dúvida, a pandemia teve um impacto acelerado”.

Na Riot, com sede em Los Angeles, uma desaceleração pós-pandemia “não foi nem tópico de discussão”, disse Laurent. O faturamento da empresa, que tem capital fechado, cresceu 20% no ano passado.

(Laurent vem enfrentando reclamações de funcionários e processos judiciais de que a Riot é um local de trabalho sexista; em janeiro, ele foi processado por assédio sexual e retaliação. Ele negou as acusações).

A Riot pretende contratar 1 mil pessoas este ano, aumentando sua força de trabalho em 33%, disse Laurent. Além de expandir seu título principal, o League of Legends, disse ele, a Riot está investindo nas ligas de esportes para seu jogo de tiro em primeira pessoa, o Valorant, e em Wild Rift, uma versão modificada de League of Legends para telefones celulares. A empresa também está construindo dois novos estúdios este ano em Xangai e Seattle, disse ele, e planeja abrir mais cinco locais nos próximos três anos.

“Os jogos serão o centro de influência” no século 21, disse Laurent. “A pandemia está só nos dando um empurrãozinho”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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