The New York Times
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Falsos alertas de vírus podem ter origem na Índia

Uma em cada cinco pessoas entra em contato com a central de suporte que aplica o golpe, e alguns ainda pagam pelo conserto de um problema que não existe

Vindu Goel e Suhasini Raj, The New York Times

21 Dezembro 2018 | 06h00

MUMBAI, ÍNDIA - A maioria das pessoas conhece a situação. Subitamente, a tela do computador é tomada por uma mensagem trazendo alertas do tipo: “Seu computador foi infectado por um vírus. Ligue para nossa assistência gratuita e obtenha ajuda imediatamente". Com frequência, parecem alertas da Microsoft, Apple ou Symantec. Às vezes, o alerta é feito numa chamada telefônica.

A maioria ignora essas distrações, que são invariavelmente fraudes. Mas uma em cada cinco pessoas entra em contato com a central de suporte falsa, e 6% pagam aos operadores para “consertar” o problema inexistente, de acordo com levantamentos recentes de consumidores feitos pela Microsoft.

As autoridades policiais trabalham em parceria com a Microsoft e rastrearam o endereço dessas operações em Nova Delhi, capital da Índia. No mês passado, policiais de dois subúrbios de Delhi investiram contra 16 centros falsos de suporte e fizeram mais de 30 prisões. Em outubro, as autoridades detiveram 24 pessoas em manobras semelhantes contra 10 centrais de atendimento falsas.

Em Gautam Budh Nagar, um dos subúrbios, 50 policiais avançaram contra oito centrais falsas no dia 28 de novembro. O principal superintendente da polícia local, Ajay Pal Sharma, disse que os golpistas tinham obtido dinheiro de milhares de vítimas, principalmente canadenses e americanos. “Tudo começa com o envio de uma mensagem pop-up usando um logotipo falso da Microsoft", disse Sharma.

Depois que a vítima entra em contato com a central de atendimento, o telefonista fingia ser um funcionário da Microsoft e informava ao usuário que seu sistema tinha sido hackeado ou atacado por um vírus. Às vítimas eram oferecidos pacotes de serviços de valores entre US$ 99 e US$ 1.000 para solucionar o problema, disse ele.

Esse tipo de fraude é muito comum, disse Courtney Gregoire, integrante da divisão de investigação de crimes digitais da Microsoft. A empresa recebe cerca de 11 mil queixas por mês informando a respeito de golpes do tipo, disse ela, e seus monitores de internet identificam cerca de 150 mil anúncios pop-up para os serviços fraudulentos todos os dias.

Embora as autoridades americanas tenham desmascarado golpes do tipo nos Estados Unidos, a espinha dorsal da indústria ilícita fica na Índia - em boa medida porque o país tem experiência na administração de muitos dos call centers do mundo. A indústria da terceirização na Índia, que inclui os call centers,  gera uma receita anual de cerca de US$ 28 bilhões, empregando aproximadamente 1,2 milhão de pessoas.

“O sucesso da indústria legítima facilitou o trabalho da indústria ilegítima", disse Courtney. O golpe é lucrativo. Pesquisadores da Universidade Stony Brook, no estado de Nova York, que publicaram um estudo das fraudes de suporte técnico no ano passado, estimaram que uma campanha de notificações falsas difundida em 142 domínios da web teria rendido quase US$ 10 milhões em dois meses.

Najmeh Miramirkhani, principal autor do estudo, disse que a rede de entidades envolvidas era complexa, com algumas delas fazendo as próprias chamadas e outras terceirizando essa parte para a Índia. “Estamos falando de um crime organizado", disse ela.

E o problema não se resume ao suporte técnico falso. Sharma disse que, num golpe desmascarado por seu departamento, telefonistas de um call center fingiram ser funcionários da receita federal canadense.

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